Espaço

Enormes Reservas de Água Encontradas em Marte

Novas Imagens da NASA mostram a existência de camadas de gelo perto de penhascos erodidos - um potencial benefício para o futuro humano no planeta vermelho. Domingo, 21 Janeiro

Por Michael Greshko

Em alguns locais ao longo da faixa central de Marte, os cientistas encontraram camadas de água gelada enterrada a apenas alguns centímetros da superfície do Planeta Vermelho. A descoberta vem acrescentar detalhes cruciais à história geológica de Marte, e pode determinar a forma como os humanos do futuro obtêm a sua água em Marte.

"Esta é uma nova porta de entrada para o gelo no solo de Marte”, afirma Colin Dundas, o geólogo do Serviço Geológico dos Estados Unidos que co-descobriu as camadas de gelo.

Há muito que os cientistas aventam hipóteses de existirem reservas de água gelada no subsolo de Marte. Em 2002, na sua missão a sonda 2001 MARS ODYSSEY examinou o planeta, a partir da sua órbita e detetou sinais de gelo no solo em latitudes mais elevadas. Em 2008, a missão Phoenix da NASA escavou gelo de água no seu local de aterragem próximo do Pólo Norte marciano.

E, no final de 2016, a Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) foi utilizada pelos cientistas para descobrir um lençol de água congelado que contem tanta água como o Lago Superior. Mas até ao estudo de Dundas, publicado hoje na Science, os cientistas tentavam perceber a extensão e acessibilidade das camadas de gelo no subsolo do planeta Marte.

Os oito locais que foram analisados neste novo estudo incluem margens íngremes onde, à semelhança de um bolo cortado, a erosão expôs camadas de rocha e gelo que a MRO conseguia ver de cima. As faixas de gelo aparecem primeiro a uma distância de 0,9 e 1,8 metros da superfície, o que corrobora a noção de que nas latitudes medianas de Marte existiram grandes quedas de neve há milhões de anos, quando Marte estava num ângulo mais inclinado em relação ao seu eixo do que está atualmente, afirma Dundas.

"[São] imagens muito interessantes que capturam o gelo do subsolo, que foi previsto pelas teorias”, afirma a cientista planetária da Caltech Bethany Ehlmann, que não esteve envolvida no estudo. "Também podemos retirar um testemunho de gelo para fazer um registo das alterações climáticas mais recentes de Marte, como fazemos com a Terra.”

A descoberta poderá também influenciar a forma como os futuros astronautas — que poderão, um dia, aterrar nas latitudes medianas de Marte — aplacam a sua sede.

A missão humana a Marte irá provavelmente contar com a extração de água do ambiente local, ou cozinhando-a a partir de minerais hidratados ou da extração mineira a partir de depósitos de gelo. Os humanos irão beber água ou decompô-la em hidrogénio e oxigénio, que poderia depois ser utilizado para fazer ar respirável e metano para o combustível dos foguetões.

O estudo da NASA, de 2016, veio clarificar que cada colher de gelo pode render mais água do que minerais, mas se para aceder a este gelo é necessário escavar nove metros de rocha, então a extração mineira do gelo acaba por ser ineficaz. Contudo, esse cenário altera-se se os lençóis de gelo estiverem a apenas alguns centímetros da superfície.

"Parece cada vez mais possível utilizarmos a água gelada disponível mais próxima da superfície, água que poderia ser utilizada como recurso, nas missões humanas a Marte”, afirma Angel Abbud-Madrid, o diretor do Center for Space Resources, na Escola de Minas do Colorado.

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