Planeta Bizarramente Grande Descoberto a Orbitar Uma Pequena Estrela

A desproporção entre tamanhos é a maior alguma vez vista, e desafia teorias sobre a formação dos planetas.

Friday, May 11, 2018,
Por Nadia Drake
planeta NGTS-1b
A ilustração de um artista mostra o gigante planeta NGTS-1b, que orbita uma estrela estranhamente pequena relativamente à sua enorme dimensão.
Fotografia de ILUSTRAÇÃO PELA UNIVERSIDADE DE WARWICK/MARK GARLICK

Não é segredo algum que a nossa galáxia está repleta de mundos extraterrestres — mas isso não significa que não existem surpresas ocultas na escuridão.

Tomemos, por exemplo, o enorme planeta que orbita em torno de uma estrela muito pequena, descoberto em 2017. Denominado NGTS-1b, o planeta é enorme com uma massa semelhante à de Júpiter. Mas orbita uma estrela anã-vermelha antiga e ténue com apenas metade da largura do Sol. Trata-se do maior planeta em relação à sua estrela encontrado até à data e está tão perto dessa mesma estrela que um ano no NGTS-1b dura apenas 2,6 dias terrestres.

Trata-se de uma disposição que os cientistas não esperavam ver, uma vez que as teorias atuais sobre a formação de planetas sugerem que as pequenas estrelas dão origem a pequenos planetas e estrelas maiores dão origem a planetas maiores.

“Não se pensava que existissem tais planetas enormes em redor de estrelas tão pequenas”, afirma Daniel Bayliss da Universidade de Warwick numa declaração.

IDENTIFICAR UM GIGANTE

Identificado pelos telescópios NGTS (Next-Generation Transit Survey) localizados no Chile e que procuram exoplanetas, o sistema está a cerca de 600 anos-luz de distância e é provavelmente “muito velho”, afirmam os cientistas num estudo.

Os astrónomos encontraram o mundo gigante quando estavam à procura de breves sinais luminosos que ocorrem quando o planeta atravessa a face da sua estrela. Denominados "trânsitos", estes breves eventos de luz diminuída foram responsáveis por revelar a presença de milhares de exoplanetas na Via Láctea, tendo a maioria estes sido vistos pela nave espacial Kepler da NASA.

Mas a Kepler não revelou muito sobre sistemas como o NGTS-1b.

Dos mundos que identificou, alguns, muito poucos, eram planetas gigantes em órbitas aconchegantes — apesar de pelo menos um destes planetas, facto comunicado por John Johnson da Universidade de Harvard, incluir um planeta igualmente enorme orbitando uma estrela muito pequena. "Não chamaria este (novo planeta) uma carta fora do baralho, na medida em que não foi inesperado", afirma Johnson. "Mas é certamente uma raridade na nossa zona da galáxia e, como tal, na qualidade de cientista exoplanetário, considero tal interessante."

Os cientistas ainda estão a tentar descobrir se estes planetas se formaram no local onde existem ou se cresceram em locais mais longínquos e migraram para o interior. E as estrelas anãs-vermelhas como o sol do novo planeta, apesar de serem abundantes, são difíceis de estudar porque são, normalmente, muito ténues.

“O NGTS-1b foi difícil de encontrar, apesar do seu tamanho monstruoso, porque a sua estrela-mãe é pequena e ténue”, afirma Peter Wheatley da Universidade de Warwick numa declaração. "As estrelas mais pequenas são, na verdade, as mais comuns no universo, pelo que é possível que existam muitos destes planetas gigantes à espera de serem descobertos."

Até à data, Wheatley e os seus colegas afirmam que os cientistas só conheciam dois planetas de dimensão grande semelhante que orbitavam estas estrelas pequenas, denominadas estrelas anãs M e nenhum desses sistemas possuía um planeta tão grande como o NGTS-1b.

“Os júpiteres quentes que orbitam estrelas anãs M são super-raros”, afirma Lauren Weiss da Universidade de Montreal.

UM MISTÉRIO PLANETAR

Outro enigma: tais planetas enormes não deveriam existir nestes locais, segundo as teorias atuais sobre a formação de planetas. No geral, os cientistas suspeitam que estrelas maiores albergam planetas maiores. Dito de forma simples, isto explica-se pelo facto de estrelas e planetas emergirem de um grande aglomerado de matérias-primas como o gás e a poeira. As estrelas mais pequenas, como as anãs-vermelhas, crescem a partir de pequenas quantidades de ingredientes, pelo que os mundos mais pequenos formam-se à volta de estrelas mais pequenas.

O novo sistema planetário rejeita esta ideia, apesar de ainda não ser claro se está na altura de reescrever totalmente a história da formação dos planetas ou se é necessário apenas acrescentar uma adenda.

Felizmente este planeta gigante está perto o suficiente, pelo que o Telescópio Espacial James Webb deve conseguir estudar a sua atmosfera, afirma Weiss. E isso, por sua vez, deve ajudar a indicar o local onde cresceu o planeta em relação à estrela.

"Ainda não sabemos como é que os júpiteres quentes se formam à volta de estrelas semelhantes ao sol e é ainda mais difícil entender como se formam à volta de estrelas-anãs M", afirma Weiss.

Continuar a Ler