Os Animais Escondidos nas Constelações

Existem 88 constelações reconhecidas no céu noturno e cerca de metade são animais. Venha conhecer a fauna celeste: as criaturas que se escondem nas estrelas.

Wednesday, May 23, 2018,
Por National Geographic

Existem atualmente 88 constelações oficiais no céu noturno, reconhecidas pela União Astronómica Internacional (UAI), desde 1930. Destas, 42 têm nomes de animais. Sonhar a olhar para as estrelas não é um fenómeno novo, e é dos antigos que vêm grande parte destas 88 divisões do céu, conhecidas por constelações.

E como há algo de mágico em olhar para o céu noturno e tentar desenhar com estrelas, convidamo-lo a conhecer os animais, reais ou mitológicos, que se escondem nas constelações.

O QUE SÃO CONSTELAÇÕES?

Uma constelação é uma área bem definida do céu noturno que encerra um conjunto de estrelas aparentemente próximas. Não significa isto que as estrelas que compõem uma constelação estejam de facto próximas umas das outras, mas sim, que visualmente, estão próximas.

Como as estrelas do céu noturno estão a distâncias astronómicas da Terra, parecem estar fixas – mas não estão –, e por isso é possível definir estas “fatias” da esfera celeste. Curiosidade: o Sol é a única estrela visível que não pertence a nenhuma constelação.

Nos espaços delimitados por constelações é frequente observar outros corpos celestes como galáxias distantes, nebulosas – que também são galáxias -, ou até planetas. Esta é uma forma de encontrar facilmente objetos no céu noturno.

QUAL SÃO AS ORIGENS DAS CONSTELAÇÕES?

Desde que se começou a explorar a Terra, foi dada muita importância aos objetos celestes observados no céu. Durante a história, muitas culturas atribuíram nomes e mitos aos padrões criados pelas estrelas visíveis no céu noturno, dando origem ao que hoje chamamos constelações.

Estudos arqueológicos sugerem que alguns dos primeiros registos de conjuntos de estrelas visíveis podem datar de há mais de 17 mil anos. No entanto, cerca de metade das 88 constelações reconhecidas pelas UAI são atribuídas aos Gregos e Egípcios antigos, e aos Assírios. 48 das constelações atuais foram registadas nos escritos de Ptolemeu (90-168 d.C.), embora as origens exatas sejam desconhecidas.

Nos séculos XVI e XVII astrónomos europeus e cartógrafos celestiais que exploraram o hemisfério Sul acrescentaram constelações às já descritas por Ptolemeu. Alguns destes exploradores foram o astrónomo alemão Johannes Hevelius, os holandeses Frederick de Houtman, Pieter Dirksz Keyser e Gerard Mercator, o astrónomo francês Nicolas Louis de Lacaille, o belga Petrus Plancius e o navegador italiano Amerigo Vespucci.

CONSTELAÇÕES OU ASTERISMOS?

Originalmente, as constelações eram definidas apenas pelos padrões e formas que as suas estrelas formavam.

No entanto, ainda existiam falhas ou espaços vazios, sem constelações no céu noturno, pelo que mais foram criadas. À medida que mais iam sendo descobertas, no século XX os astrónomos decidiram que seria mais fácil delineá-las oficialmente, criando margens definidas entre constelações.  

Assim, a um padrão facilmente visível e reconhecível formado por estrelas (normalmente muito brilhantes) é dado o nome de asterismo e não de constelação. Estes podem estar dentro de uma constelação, ou ser compostos de estrelas de várias constelações.

Um asterismo muito conhecido é o Grande Carro, que está na constelação Ursa Maior. O Grande Carro é usado para identificar mais facilmente a constelação de Ursa Maior no céu noturno.

Fotografia com câmara da constelação Ursa Maior. As sete estrelas que compõem o Grande Carro são visíveis.

Outro exemplo é o asterismo conhecido por “As Três Marias”, que está na constelação de Orion, e é frequentemente referido como “o cinto de Orion”. A constelação de Orion é frequentemente representada por um asterismo composto de 20 estrelas, que se assemelha – com alguma criatividade – a um homem com um braço levantado e um arco na mão.

PORQUE FORAM DADOS ESTES NOMES?

Os nomes das constelações são, muitas vezes, mais antigos do que a própria constelação. Isto é, eram dados aos asterismos e mais tarde, em 1930, foi feito a divisão da esfera celeste, ou céu, em 88 retalhos.

Dentro de cada um destes pedaços de céu, consegue observar-se um grupo de estrelas (próximas ou distantes entre elas e da Terra) que contêm um ou mais asterismo que se considerava inicialmente ser a constelação.

Apesar de já não serem definidas pelos seus padrões, as constelações mantiveram os nomes –  e em latim, como no início. Além disso, desde as 48 constelações registadas por Ptolemeu – que, entretanto, sofreram algumas alterações – inúmeras constelações foram propostas. Algumas chegaram a ser oficiais durante anos, mas deixaram de o ser em 1930, quando se criou a lista de 88.

QUE ANIMAIS SE ESCONDEM NAS CONSTELAÇÕES?

Os nomes das constelações são essencialmente nomes de animais, incluindo animais míticos, objetos inanimados, e personagens humanos ou figuras mitológicas e deuses. Das 88 constelações reconhecidas pela UAI, 42 devem o seu nome a um animal.

Estes animais são reais ou mitológicos, como é o caso de Apus – a ave do paraíso, a Fénix e o Capricórnio – metade cabra, metade peixe – e ao todo contam-se 42.

Há raposas, cães, baleias, vários peixes, cobras, ursos, vários pássaros, cavalos, lagartos… existiu, em tempos, um gato! No entanto, as constelações não ilustram o seu nome. Pode haver asterismos dentro das constelações que, com alguma imaginação, se assemelhem ao animal ou figura por trás do nome. Um exemplo é a constelação de Aquila (a Águia), cujas estrelas mais brilhantes formam algo parecido a uma águia.

No hemisfério norte são visíveis 36 constelações (devido ao movimento de rotação da Terra) e 21 delas são constelações com nomes de animais.

Os “animais” do hemisfério norte:

  • Aries – O Carneiro, antiga (Ptolemeu);
  • Pisces – Os Peixes, antiga (Ptolemeu);
  • Taurus – O Touro, antiga (Ptolemeu);
  • Camelopardalis – A Girafa, 1613 (Plancius);
  • Cancer – O Carangejo, antiga (Ptolemeu);
  • Canis Minor - O Cão Menor, antiga (Ptolemeu);
  • Leo – O Leão, antiga (Ptolemeu);
  • Leo Minor – O Pequeno Leão, 1690 (Hevelius);
  • Lynx – O Lince, 1690 (Hevelius);
  • Monoceros – O Unicórnio, 1613, Plancius;
  • Ursa Major – A Ursa Maior, antiga (Ptolemeu);
  • Canes Venatici – Os Cães de Caça, 1690 (Hevelius)
  • Draco – O Dragão, antiga (Ptolemeu);
  • Serpens – A Serpente, antiga (Ptolemeu);
  • Ursa Minor – A Ursa Menor, antiga (Ptolemeu);
  • Aquila – A Águia, antiga (Ptolemeu);
  • Cygnus – O Cisne, antiga (Ptolemeu);
  • Delphinus – O Golfinho, antiga (Ptolemeu);
  • Equuleus – O Pequeno Cavalo, antiga (Ptolemeu);
  • Lacerta – O Lagarto, 1690 (Hevelius);
  • Pegasus – O Pégaso antiga (Ptolemeu);
  • Vulpecula – A Raposa, 1690 (Hevelius).

 

Enquanto estiver a observar os “animais celestes” e outras constelações, não perca os eventos celestes de 2018.

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