Um Asteroide Visível a Olho Nu e Eventos Celestes a Não Perder em Junho

Alinhamentos planetários, um asteroide superbrilhante e o início astronómico de uma nova estação são algumas das inúmeras razões para contemplar os céus este mês.

Publicado 8/06/2018, 09:29 WEST
Asteroide Vesta.
Os contornos da sombra refletida na superfície da região norte do asteroide Vesta são visíveis nesta imagem a partir da sonda espacial Dawn da NASA.
Fotografia de NASA, JPL-Caltech, UCLA, MPS, DLR, IDA

O mês de junho adivinha-se preenchido para os observadores dos céus, com vários alinhamentos planetários, de uma beleza deslumbrante, previstos em torno do solstício de junho. Os observadores mais entusiastas terão também a oportunidade rara de observar a olho nu o asteroide mais brilhante do sistema solar.

Por isso, limpe o pó aos binóculos e dirija o olhar para os céus.

VÉNUS E GÉMEOS — 10 DE JUNHO

Um Vénus luminoso alinhar-se-á com as duas estrelas gémeas da constelação de Gémeos no dia 10 de junho.
Fotografia de Illustration by A. Fazekas, Skychart

No preciso momento em que o Sol se põe, olhe para o céu a oeste e procure o planeta Vénus, que se juntará às estrelas gémeas, Pólux e Castor, da constelação de Gémeos. O trio de luzes formará um bonito alinhamento, em que Vénus surgirá como o objeto mais luminoso no céu ocidental. 

Mantenha-se atento ao planeta irmão da Terra ao longo do mês de junho e irá dar-se conta de que este planeta atingirá o seu ponto mais alto no céu noturno no dia 6 de junho. E, nas noites seguintes, retomará, lenta e progressivamente, a sua posição no horizonte. Vénus também brilhará durante todo o mês de junho e o seu tamanho aumentará ligeiramente pela lente de um telescópio, tornando mais fácil a sua observação.

PRAESEPE OU COLMEIA — 16 DE JUNHO

Vénus e a Lua servem de pontos de referência para localizar Praesepe ou a Colmeia no dia 16 de junho.
Fotografia de Illustration by A. Fazekas, Skychart

Olhe em direção a oeste na noite de 16 de junho para observar a posição da Lua e Vénus em torno de um dos mais elegantes objetos do céu profundo: o grupo de estrelas que compõe Colmeia. Praesepe ou Colmeia encontra-se a 570 anos-luz da Terra e integra, pelo menos, umas quantas centenas de estrelas, que se estendem ao longo de 24 anos-luz.

No dia 16 de junho, a Lua e Vénus situar-se-ão a cerca de seis graus de distância ou a menos do que a largura do seu pulso com o braço erguido, e este extraordinário grupo de estrelas parecerá situar-se a meio caminho entre a Lua e Vénus. Se tomar este alinhamento cósmico como ponto de referência, não deverá ser difícil localizar o grupo de estrelas, munido de uns binóculos.

LUA E CORAÇÃO DE LEÃO — 17 DE JUNHO

A Lua irá pairar perto da estrela Regulus no dia 17 de junho.
Fotografia de Illustration by A. Fazekas, Skychart

À medida que anoitece, procure um bonito alinhamento da Lua crescente e a brilhante estrela azul Regulus no céu ocidental. Uma das estrelas mais brilhantes no céu noturno, Regulus tem origem no latim e significa Pequeno Rei. É a estrela principal da constelação de Leão, tendo sido observada por muitas pessoas durante o eclipse solar total, que ocorreu no dia 21 de agosto de 2017.

A estrela situa-se a 79 anos-luz, tendo sido revelado, recentemente, que gira sobre o seu próprio eixo a mais de 1,3 quilómetros por hora. A esta velocidade vertiginosa, seria possível percorrer a distância entre Nova Iorque e Washington D.C. em menos de um segundo.

VESTA A OLHO NU — 19 DE JUNHO

Procure Vesta entre Saturno e a estrela vermelha Antares no dia 19 de junho.
Fotografia de Illustration by A. Fazekas, Skychart

O segundo maior corpo da cintura de asteroides estará, oficialmente, em oposição no dia 19 de junho, o que significa que ocupará no céu numa posição diametralmente oposta ao Sol, atingindo o seu expoente máximo anual, em termos de dimensão e brilho.

Com 524 quilómetros de diâmetro, a rocha cósmica situar-se-á a cerca de 170 milhões de quilómetros da Terra na noite de 19 de junho. Para localizar e observar Vesta, poderá tomar como referência o luminoso planeta de Saturno, uma vez que estará situado uns escassos graus abaixo do asteroide.  Embora possa identificá-lo facilmente com os binóculos, será também possível localizar Vesta a olho nu a partir de um local escuro, longe das luzes da cidade.

Se dispuser de um telescópio, pode observar a travessia do asteroide sobre um fundo estrelado na região noroeste da luminosa constelação de Sagitário, o arqueiro. Um telescópio de maiores dimensões, equipado com um espelho de 25 centímetros no mínimo, permitirá aos observadores mais entusiastas contemplar os contornos irregulares do asteroide e identificar rastos de cores à superfície, que oscilam entre os tons de amarelo e rosa.

SOLSTÍCIO DE VERÃO OU DE INVERNO — 21 DE JUNHO

O verão começa oficialmente no hemisfério norte às 6h07m da manhã do dia 21 de junho, com a chegada do solstício de verão. Para o hemisfério sul, o dia marca o início do inverno.

As estações acontecem porque a Terra está ligeiramente inclinada sobre o seu eixo, levando a que as diferentes metades do planeta estejam mais próximas ou distantes do Sol ao longo do ano. Durante o verão no hemisfério norte, esse lado do planeta está mais inclinado para o Sol, pelo que os dias são mais longos e as temperaturas mais quentes. As regiões situadas a sul do Equador estão mais afastadas do Sol, o que implica dias mais curtos e temperaturas mais frias.

No primeiro dia da nova estação e nos dias imediatamente a seguir, pode parecer-lhe que o Sol nasce sempre no mesmo ponto do horizonte, daí a origem da palavra solstício, que significa Sol inerte em latim. A partir do solstício em diante, os dias no hemisfério norte começam a tornar-se mais curtos e, por oposição, mais longos no hemisfério sul.

A LUA E JÚPITER — 23 DE JUNHO

O maior planeta do sistema solar dominará as noites durante algumas semanas em junho, acabando por se juntar ao solitário satélite natural da Terra. De 22 a 24 de junho, observe o alinhamento entre a Lua em quarto crescente e Júpiter no céu meridional, após o anoitecer.

Júpiter alcançou a oposição em maio e o gigante gasoso começará, gradualmente, a esbater-se e a tornar-se pequeno à lente do telescópio no decurso deste mês, mas continuará a ser possível contemplar a Grande Mancha Vermelha e as suas quatro grandes luas.

SATURNO NO AUGE— 27 DE JUNHO

Saturno e a Lua estarão próximas do horizonte no dia 27 de junho.
Fotografia de Illustration by A. Fazekas, Skychart

A possibilidade de observar Saturno no expoente máximo da sua dimensão e brilho em 2018 é o acontecimento alto que marca o mês de junho. O planeta dos anéis atinge a oposição no dia 27 de junho, apenas um dia após alinhar com a Lua cheia a norte do asterisco conhecido por chaleira, que integra a constelação de Sagitário.  Em virtude do brilho ofuscante da Lua, a melhor altura para observar Saturno será umas semanas antes e depois de alcançar a oposição.

Observado pela lente de um telescópio de pequenas dimensões, Saturno mostrará os seus célebres anéis, com uma inclinação de 26 graus em direção à Terra, oferecendo imagens impressionantes. O alinhamento permite-lhe observar algumas das características mais extraordinárias deste planeta, tais como os buracos escuros na sua rede de anéis e a coloração dos seus campos de gelo.

Uma ilustração mostra uma possível imagem de Saturno e das suas luas obtida a partir da observação pela lente de um telescópio.
Fotografia de Illustration by A. Fazekas, Skychart

Não se esqueça também de observar o conjunto das suas luas visíveis, incluindo a enublada Titã, a Encélado salpicada por géiseres, e Mimas, chamada, frequentemente, de lua Estrela da Morte, em virtude da grande e característica cratera, que lembra o ícone de Star Wars.

Olhe para os céus!

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