Um Asteroide Visível a Olho Nu e Eventos Celestes a Não Perder em Junho

Alinhamentos planetários, um asteroide superbrilhante e o início astronómico de uma nova estação são algumas das inúmeras razões para contemplar os céus este mês.

Friday, June 8, 2018,
Por Andrew Fazekas
Asteroide Vesta.
Os contornos da sombra refletida na superfície da região norte do asteroide Vesta são visíveis nesta imagem a partir da sonda espacial Dawn da NASA.
Fotografia de NASA, JPL-Caltech, UCLA, MPS, DLR, IDA

O mês de junho adivinha-se preenchido para os observadores dos céus, com vários alinhamentos planetários, de uma beleza deslumbrante, previstos em torno do solstício de junho. Os observadores mais entusiastas terão também a oportunidade rara de observar a olho nu o asteroide mais brilhante do sistema solar.

Por isso, limpe o pó aos binóculos e dirija o olhar para os céus.

VÉNUS E GÉMEOS — 10 DE JUNHO

Um Vénus luminoso alinhar-se-á com as duas estrelas gémeas da constelação de Gémeos no dia 10 de junho.
Fotografia de Illustration by A. Fazekas, Skychart

No preciso momento em que o Sol se põe, olhe para o céu a oeste e procure o planeta Vénus, que se juntará às estrelas gémeas, Pólux e Castor, da constelação de Gémeos. O trio de luzes formará um bonito alinhamento, em que Vénus surgirá como o objeto mais luminoso no céu ocidental. 

Mantenha-se atento ao planeta irmão da Terra ao longo do mês de junho e irá dar-se conta de que este planeta atingirá o seu ponto mais alto no céu noturno no dia 6 de junho. E, nas noites seguintes, retomará, lenta e progressivamente, a sua posição no horizonte. Vénus também brilhará durante todo o mês de junho e o seu tamanho aumentará ligeiramente pela lente de um telescópio, tornando mais fácil a sua observação.

PRAESEPE OU COLMEIA — 16 DE JUNHO

Vénus e a Lua servem de pontos de referência para localizar Praesepe ou a Colmeia no dia 16 de junho.
Fotografia de Illustration by A. Fazekas, Skychart

Olhe em direção a oeste na noite de 16 de junho para observar a posição da Lua e Vénus em torno de um dos mais elegantes objetos do céu profundo: o grupo de estrelas que compõe Colmeia. Praesepe ou Colmeia encontra-se a 570 anos-luz da Terra e integra, pelo menos, umas quantas centenas de estrelas, que se estendem ao longo de 24 anos-luz.

No dia 16 de junho, a Lua e Vénus situar-se-ão a cerca de seis graus de distância ou a menos do que a largura do seu pulso com o braço erguido, e este extraordinário grupo de estrelas parecerá situar-se a meio caminho entre a Lua e Vénus. Se tomar este alinhamento cósmico como ponto de referência, não deverá ser difícil localizar o grupo de estrelas, munido de uns binóculos.

LUA E CORAÇÃO DE LEÃO — 17 DE JUNHO

A Lua irá pairar perto da estrela Regulus no dia 17 de junho.
Fotografia de Illustration by A. Fazekas, Skychart

À medida que anoitece, procure um bonito alinhamento da Lua crescente e a brilhante estrela azul Regulus no céu ocidental. Uma das estrelas mais brilhantes no céu noturno, Regulus tem origem no latim e significa Pequeno Rei. É a estrela principal da constelação de Leão, tendo sido observada por muitas pessoas durante o eclipse solar total, que ocorreu no dia 21 de agosto de 2017.

A estrela situa-se a 79 anos-luz, tendo sido revelado, recentemente, que gira sobre o seu próprio eixo a mais de 1,3 quilómetros por hora. A esta velocidade vertiginosa, seria possível percorrer a distância entre Nova Iorque e Washington D.C. em menos de um segundo.

VESTA A OLHO NU — 19 DE JUNHO

Procure Vesta entre Saturno e a estrela vermelha Antares no dia 19 de junho.
Fotografia de Illustration by A. Fazekas, Skychart

O segundo maior corpo da cintura de asteroides estará, oficialmente, em oposição no dia 19 de junho, o que significa que ocupará no céu numa posição diametralmente oposta ao Sol, atingindo o seu expoente máximo anual, em termos de dimensão e brilho.

Com 524 quilómetros de diâmetro, a rocha cósmica situar-se-á a cerca de 170 milhões de quilómetros da Terra na noite de 19 de junho. Para localizar e observar Vesta, poderá tomar como referência o luminoso planeta de Saturno, uma vez que estará situado uns escassos graus abaixo do asteroide.  Embora possa identificá-lo facilmente com os binóculos, será também possível localizar Vesta a olho nu a partir de um local escuro, longe das luzes da cidade.

Se dispuser de um telescópio, pode observar a travessia do asteroide sobre um fundo estrelado na região noroeste da luminosa constelação de Sagitário, o arqueiro. Um telescópio de maiores dimensões, equipado com um espelho de 25 centímetros no mínimo, permitirá aos observadores mais entusiastas contemplar os contornos irregulares do asteroide e identificar rastos de cores à superfície, que oscilam entre os tons de amarelo e rosa.

SOLSTÍCIO DE VERÃO OU DE INVERNO — 21 DE JUNHO

O verão começa oficialmente no hemisfério norte às 6h07m da manhã do dia 21 de junho, com a chegada do solstício de verão. Para o hemisfério sul, o dia marca o início do inverno.

As estações acontecem porque a Terra está ligeiramente inclinada sobre o seu eixo, levando a que as diferentes metades do planeta estejam mais próximas ou distantes do Sol ao longo do ano. Durante o verão no hemisfério norte, esse lado do planeta está mais inclinado para o Sol, pelo que os dias são mais longos e as temperaturas mais quentes. As regiões situadas a sul do Equador estão mais afastadas do Sol, o que implica dias mais curtos e temperaturas mais frias.

No primeiro dia da nova estação e nos dias imediatamente a seguir, pode parecer-lhe que o Sol nasce sempre no mesmo ponto do horizonte, daí a origem da palavra solstício, que significa Sol inerte em latim. A partir do solstício em diante, os dias no hemisfério norte começam a tornar-se mais curtos e, por oposição, mais longos no hemisfério sul.

A LUA E JÚPITER — 23 DE JUNHO

O maior planeta do sistema solar dominará as noites durante algumas semanas em junho, acabando por se juntar ao solitário satélite natural da Terra. De 22 a 24 de junho, observe o alinhamento entre a Lua em quarto crescente e Júpiter no céu meridional, após o anoitecer.

Júpiter alcançou a oposição em maio e o gigante gasoso começará, gradualmente, a esbater-se e a tornar-se pequeno à lente do telescópio no decurso deste mês, mas continuará a ser possível contemplar a Grande Mancha Vermelha e as suas quatro grandes luas.

SATURNO NO AUGE— 27 DE JUNHO

Saturno e a Lua estarão próximas do horizonte no dia 27 de junho.
Fotografia de Illustration by A. Fazekas, Skychart

A possibilidade de observar Saturno no expoente máximo da sua dimensão e brilho em 2018 é o acontecimento alto que marca o mês de junho. O planeta dos anéis atinge a oposição no dia 27 de junho, apenas um dia após alinhar com a Lua cheia a norte do asterisco conhecido por chaleira, que integra a constelação de Sagitário.  Em virtude do brilho ofuscante da Lua, a melhor altura para observar Saturno será umas semanas antes e depois de alcançar a oposição.

Observado pela lente de um telescópio de pequenas dimensões, Saturno mostrará os seus célebres anéis, com uma inclinação de 26 graus em direção à Terra, oferecendo imagens impressionantes. O alinhamento permite-lhe observar algumas das características mais extraordinárias deste planeta, tais como os buracos escuros na sua rede de anéis e a coloração dos seus campos de gelo.

Uma ilustração mostra uma possível imagem de Saturno e das suas luas obtida a partir da observação pela lente de um telescópio.
Fotografia de Illustration by A. Fazekas, Skychart

Não se esqueça também de observar o conjunto das suas luas visíveis, incluindo a enublada Titã, a Encélado salpicada por géiseres, e Mimas, chamada, frequentemente, de lua Estrela da Morte, em virtude da grande e característica cratera, que lembra o ícone de Star Wars.

Olhe para os céus!

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