Marte, o Eclipse da Lua e Outros Fenómenos Astronómicos no Céu de Julho

O mês de julho será dominado por fenómenos astronómicos que animam os mais entusiastas: o planeta vermelho estará no seu melhor momento, uma lua de sangue erguer-se-á no céu noturno e Plutão oferecerá uma oportunidade rara para observação.terça-feira, 17 de julho de 2018

Com Marte no ponto mais próximo da Terra nos últimos 15 anos, um eclipse total da Lua, de longa duração, e uma deslumbrante chuva de meteoritos, julho adivinha-se um mês preenchido para aqueles que se dedicam à observação dos céus.

Por isso, limpe o pó aos binóculos e prepare-se para explorar o céu noturno este mês.

VÉNUS E RÉGULO - 9 DE JULHO

Meia hora depois do pôr do Sol local, procure o brilho de Vénus na parte inferior do céu a sudoeste. Nesta noite, a estrela Régulo deverá estar exatamente ao lado do planeta, criando uma conjunção deslumbrante. O par cósmico estará apenas a um grau de distância ou separado pelo diâmetro de duas luas cheias.

PLUTÃO EM OPOSIÇÃO - 12 DE JULHO

Plutão dará o seu melhor espetáculo de 2018 nos céus terrestres na noite de 12 de julho. Este é o momento em que o mundo de tons desmaiados alcança a oposição, o que significa que se encontrará numa posição diametralmente oposta ao Sol no nosso céu. Plutão nascerá a este ao anoitecer e pôr-se-á a oeste ao amanhecer, pelo que será visível durante toda a noite. O pequeno mundo está atualmente na constelação de Sagitário, que aparecerá já quase de madrugada a sul no horizonte para os observadores que se situam nas latitudes médias setentrionais.

A observação de Plutão adivinha-se um dos desafios mais difíceis. O planeta situa-se a mais 7400 milhões de quilómetros de distância e, mesmo em oposição, brilha com uma magnitude de 14,1, um brilho muito ténue impercetível a olho nu. Os mais entusiastas precisam de um telescópio com um espelho, com um diâmetro mínimo de 14 centímetros, para observar este mundo minúsculo nos limites do sistema solar.

A LUA E JÚPITER - 20 DE JULHO

Num tributo oportuno à aterragem da Apolo 11 na superfície lunar, que assinala 49 anos neste mesmo dia, olhe o céu a meia altura na direção sudoeste, uma hora depois do pôr do Sol no local, para ver a Lua atravessar ao lado de Júpiter na constelação de Balança.

A LUA E SATURNO - 24 DE JULHO

Umas noites mais tarde, será a vez de Saturno ter um encontro próximo com a Lua. O par irá criar uma excelente oportunidade de fotografia, quando se encontrarem ambos na parte inferior do céu a sudeste, na constelação de Sagitário, logo acima da formação de estrelas, a lembrar um bule de chá, que integra a constelação. Saturno esteve em oposição há poucas semanas, pelo que o planeta dos anéis e as suas grandes luas serão ainda pontos perfeitos para observar no firmamento, com recurso a um telescópio.

MARTE NO SEU MELHOR MOMENTO - 27 DE JULHO

O planeta vermelho estará em oposição e passará extraordinariamente perto da Terra nesta noite, situando-se a cerca de 57,6 milhões de quilómetros do nosso planeta. Será a maior aproximação à Terra desde agosto de 2013. Isto significa que Marte surgirá maior e mais brilhante, eclipsando Júpiter no céu noturno durante algumas semanas.

O objeto, facilmente identificável pela sua tonalidade avermelhada, nascerá a este ao anoitecer e será visível no céu na direção sudeste na constelação de Capricórnio, a cabra marinha.  A observação ampliada de Marte, com recurso a um telescópio, permitirá ver aspetos característicos da sua superfície, como a calota polar setentrional coberta de gelo.

ECLIPSE TOTAL DA LUA - 27 DE JULHO

Também nesta mesma noite, os observadores dos céus situados na Europa, África, Ásia e Austrália poderão desfrutar de um lugar privilegiado para observar o eclipse de lua de sangue mais longo do século. Este eclipse total, que ocorre quando a Lua, em fase de lua cheia, imerge totalmente na região da umbra da Terra, terá uma duração de uma hora e 43 minutos.

Os observadores em África e na Ásia Ocidental poderão observar o fenómeno na íntegra, enquanto que os europeus verão apenas parte da Lua eclipsada e só depois o eclipse total. Entretanto, na Ásia Oriental e na Austrália, os observadores poderão ver parte do eclipse da Lua na manhã de 28 de julho, quando aquela se puser a oeste.

PICO DA CHUVA DE METEOROS DAS AQUÁRIDAS - 30 DE JULHO

A chuva de meteoros das Aquáridas é visível entre 12 de julho e 23 de agosto, mas a atividade máxima de intensidade deste fenómeno celeste anual só começa depois da meia-noite de 28 de julho, prolongando-se até ao fim do dia 30 de julho. Nas noites de maior atividade, poderá observar mais de uma dúzia de estrelas cadentes durante uma hora, se estiver longe das luzes da cidade. Os meteoros parecem sair dum ponto da constelação homónina de Aquário, o aguadeiro, na parte inferior do horizonte, a sul.

Olhe para os céus!

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