7 Desafios da Vida Humana em Marte

Viver em Marte ainda é uma hipótese distante em 2018, porém os primeiros passos já foram dados. Há alguns factos que podem atrasar ou dificultar a missão de colocar humanos a viverem em Marte até 2030.segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Por National Geographic

Dia 17 de novembro decorreu mais uma sessão de Marte 2030, o ciclo de conversas com os maiores especialistas portugueses desta área, que pretende desvendar os desafios da vida no planeta vermelho e responder a algumas perguntas sobre este tema. Pedro Fevereiro do Instituto de Tecnologia Química e Biológica e Rui Agostinho do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, foram os oradores da segunda sessão, intitulada ‘Ir para Marte’.

A NASA pretende enviar humanos em missões para Marte até 2030, mas continua a debater-se com alguns desafios. Pedro Fevereiro e Rui Agostinho partilharam algumas dificuldades e factos sobre Marte com a plateia.

 

1. Ficar à superfície de Marte é difícil se não for no subsolo. Devido à radiação emitida pelo planeta, a probabilidade de desenvolvermos cancro em Marte, acresce 5%. As doses de radiação acumuladas no espaço são muito superiores às da Estação Espacial Internacional. A este facto soma-se a quase inexistente atmosfera em Marte, e é a atmosfera terrestre que protege os seres humanos do impacto causado pela radiação.

2. Tudo tem uma cor semelhante à ferrugem em Marte e o ambiente não varia muito, daí a origem do nome Planeta Vermelho. A geologia deste planeta está marcada pela radiação emitida por Marte. A quantidade de partículas presentes em Marte é quase 1/100 da nossa. Isto dificulta a plantação de espécies de plantas em Marte.

3. O pó é muito fino e há tempestades de poeira frequentemente. Se alguém viver no subsolo de Marte, tem de sair à superfície para limpar o pó dos rovers, de vez em quando. As tempestades de areia impedem o recarregamento das baterias dos rovers, através da energia solar. Além disso, este pó devido à sua espessura extremamente fina, infiltra-se facilmente nos fatos espaciais.

4. Por cada 2 quilogramas de objetos, são necessários 130 quilogramas de foguetão. A maior parte dos foguetões leva uma carga útil (por carga útil entendem-se pessoas e objetos) de 1.5 % do seu tamanho total. Isto restringe a quantidade de material enviado em cada voo e aumenta exponencialmente o custo das missões.

5. A viagem para Marte ainda demora cerca de oito meses. Isto implica uma grande quantidade de combustível, alimentos e material de apoio às equipas das missões. Enquanto por exemplo, para a Lua, demora apenas 3 dias.

6. Os astronautas são testados e escolhidos meticulosamente, pois têm de ter um perfil que aguente todos os desafios físicos e sociais que esta viagem implica.

7. Marte tem sempre uma temperatura negativa. Pode pensar-se em criar um genoma capaz de aguentar condições extremas e testar se sobrevive em Marte. Não existem organismos orgânicos à superfície mas podem haver no subsolo e nada nos garante que não irão competir com os organismos que se possam enviar para lá.

 

O facto de não existir vida em Marte demonstra que ainda não estão reunidas as condições para lá (sobre)vivermos. Marte 2030 parece ainda uma realidade distante e antes de pensarmos em lá viver, temos de saber mais sobre este planeta. Não perca os novos episódios da série Marte, produzida por Brian Grazer e Ron Howard – domingos às 22:30.

A entrada nas sessões de Marte 2030 tem um custo individual de 2,50€ ou de 8,00€ para o ciclo completo. As sessões são transmitidas online, através do link: https://videocast.fccn.pt/live/id_fc_ul/marte2030.

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