Espaço

A Breve (e Bizarra) História das Selfies no Espaço

Você tira selfies. Nós tiramos selfies. Os astronautas e robots espaciais também tiram selfies.Friday, July 5, 2019

Por Jenny Howard
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O que fazemos quando não temos ninguém por perto para nos tirar uma fotografia? Tiramos uma selfie. Os autorretratos têm uma longa história no mundo da arte e, com o aparecimento dos telemóveis, as selfies captadas por câmaras tornaram-se cada vez mais populares. Desde 2014 que os Estados Unidos celebram o dia 21 de junho como o Dia Nacional da Selfie, para homenagear esse distinto estilo de autorretrato de alta tecnologia.

Os autorretratos fotográficos existem desde que existem câmaras fotográficas. Mas e as selfies no espaço? No ano passado, o astronauta da NASA, Edwin “Buzz” Aldrin, o segundo homem a pisar a Lua em julho de 1969, reivindicou no Twitter, a primeira selfie no espaço, feita em 1966 durante a missão Gemini XII.

“Para mim, só é uma selfie se for em formato digital”, argumenta Jennifer Levasseur, curadora do Museu Nacional do Ar e do Espaço do Smithsonian. De acordo com Jennifer, o conceito de selfie está intimamente ligado à cultura da internet e ao desejo humano de interagir nas plataformas sociais. "O que faz de uma selfie uma selfie é a sua partilha", diz.

Ainda assim, os astronautas têm transportado câmaras a bordo de veículos espaciais desde a década de 1960, e tiraram muitas fotos de si próprios ao longo do caminho. Em 1966, Aldrin usou uma câmara Hasselblad, projetada especificamente para ser usada no espaço, com um gatilho enorme para acomodar as luvas grossas de astronauta. A Hasselblad também pintou a primeira câmara espacial de preto fosco para minimizar os reflexos da janela do orbitador. Mas as câmaras usadas no espaço precisam de sobreviver a condições extremas, com variações de temperatura entre os 65 graus negativos e os 120 graus, razão pela qual a Hasselblad pintou os modelos seguintes de prateado, para ajudar a câmara a ajustar-se às variações de temperatura.

Os astronautas que visitaram a lua tiveram de extrair os cartuchos de película e abandonar os corpos e as lentes das câmaras para regressarem à Terra – as primeiras missões espaciais tinham restrições de peso muito conservadoras. Os viajantes lunares também tinham de trabalhar sem a ajuda dos selfie sticks. Para captar o seu autorretrato na Gemini, Aldrin colou a câmara ao lado da nave, para a estabilizar e enquadrar o seu rosto.

Uma das grandes mudanças na tecnologia de câmaras espaciais surgiu depois da perda trágica do vaivém espacial Columbia, que se desfez no regresso à Terra em 2003, realça Jennifer.

"O receio de não conseguirem recuperar as películas do espaço e perder todo o trabalho árduo impulsionou o formato digital”, diz.

Hoje, os astronautas também têm acesso à internet e a plataformas sociais a partir do espaço, e podem partilhar verdadeiras selfies espaciais feitas com câmaras digitais protegidas com cobertores térmicos. Tirar selfies e partilhá-las nas redes sociais é uma forma dos astronautas participarem nas mesmas atividades que as pessoas na Terra, diz Jennifer. A primeira selfie de um astronauta a tornar-se viral na internet foi a do astronauta japonês Akihiko Hoshide, em 2012.

De mesma forma, os robots espaciais também estão a participar na cultura das selfies, captando imagens remotas suas, no espaço ou noutros planetas, e enviando-as de volta à Terra. Por exemplo, em janeiro, o Mars Curiosity “partilhou” uma selfie feita a partir de um mosaico de imagens captadas no seu último local de perfuração no planeta vermelho.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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