Rumo ao ‘Novo Oceano’: Imagens Cativantes do Primeiro Programa Espacial Americano

A corrida da NASA contra a URSS para colocar um humano no espaço cativou o mundo. E também criou os ombros sobre os quais a exploração para além da Terra se apoiaria.

Wednesday, October 14, 2020,
Por Simon Ingram
Os astronautas do Programa Mercury 7 vestidos com os seus “fatos Mercury”. Desenvolvidos a partir de ...

Os astronautas do Programa Mercury 7 vestidos com os seus “fatos Mercury”. Desenvolvidos a partir de fatos de grande altitude da Marinha dos EUA, os fatos de nylon de alumínio pressurizado e neopreno tiveram de ser feitos à medida para cada astronauta. Na fileira de trás, da esquerda para a direita: Alan Shepard, Virgil ‘Gus’ Grissom e Gordon Cooper. Na primeira fila, da esquerda para a direita: Wally Schirra, Donald ‘Deke’ Slayton, John Glenn e Scott Carpenter.

Fotografia de NASA

“VELEJAMOS por este novo mar porque há novos conhecimentos para adquirir e novos direitos para conquistar, e devem ser conquistados e usados para o progresso de todas as pessoas... mas só poderemos ajudar a decidir se este novo oceano será um mar de paz ou um novo teatro de guerra aterrorizante se os Estados Unidos ocuparem uma posição de preeminência.”

Quando John F. Kennedy se apresentou perante uma audiência de 40 mil pessoas no estádio da Universidade Rice em Houston, no Texas, no dia 12 de setembro de 1962, e fez este discurso, o mundo estava novamente a tornar-se num lugar perigoso. Em lados opostos do planeta, ideologias opostas entravam em confronto. Como ficou ilustrado de forma assustadora apenas um mês depois deste discurso, quando a crise dos mísseis de Cuba envolveu a presidência de Kennedy, a corrida pela supremacia tecnológica entre os EUA e a URSS tornou-se numa nova declaração de domínio. E uma nave pilotada por humanos era o símbolo mais dramático de capacidade.

John F. Kennedy faz o seu famoso discurso na Universidade Rice em Houston, no dia 12 de setembro de 1962. Quando se trata de exploração espacial, o discurso de Kennedy é um dos mais citados, contendo as frases: “Nós escolhemos ir para a lua. Escolhemos ir para a lua nesta década e fazer as outras coisas, não por serem fáceis, mas porque são difíceis.”

Fotografia de NASA PHOTO / ALAMY

O discurso de Kennedy também continha aquela que provavelmente é a segunda frase mais sonante relativamente ao programa espacial americano, começando com as palavras “nós escolhemos ir para a lua”, que foi apropriadamente usurpada quando Neil Armstrong deu o seu pequeno passo sete anos depois, fechando este ciclo ambicioso.

Kennedy não conseguiu obviamente sobreviver para ver o seu grandioso discurso atingir os objetivos. Nem assistiu ao ceticismo do público finalmente a vaporizar-se nos escapes do foguetão Saturn 5 que levou os primeiros humanos à lua. Em 1962, esse feito parecia muito distante: uma sondagem feita na época estimava que 58% dos americanos não queria arcar com os 40 mil milhões de dólares que a “escolha” coletiva de Kennedy iria custar.

Galeria: Os Preparativos

Mas Kennedy ainda conseguiu ver o nascimento eletrizante do programa espacial da América. Quando fez o seu famoso discurso, Kennedy já tinha testemunhado as primeiras quatro missões do Programa Mercury. As seis missões tripuladas do programa e o seu desenvolvimento formaram o ADN a partir do qual as missões Gemini e Apollo iriam trabalhar – e foram a primeira grande aventura da América no espaço.

Em maio de 1961, o presidente ficou tão inspirado com o voo de 15 minutos de Alan Shepard, na cápsula Freedom 7, que em poucos dias fez o seu infame desafio perante o Congresso para, antes de a década terminar, “colocar um homem na lua... fazendo-o regressar em segurança à Terra”. Mas também porque o país estava em desvantagem na corrida espacial; os EUA precisavam de um objetivo mais ambicioso para conquistar a liderança.

Apesar de ter sido dramatizado em livros como Elementos Secretos e Os Eleitoscom uma nova adaptação deste último no Disney+ – o verdadeiro significado do Programa Mercury durante os dias mais inebriantes da corrida espacial tem sido frequentemente deixado de lado. E não é difícil perceber porquê: O projeto dos EUA, vencido por dias pela URSS, não lançou a primeira expedição humana ao espaço. E dado que mais tarde foi eclipsado pela aterragem da Apollo na lua, também não foi o projeto mais grandioso.

Galeria: As Missões

Mas o trabalho de base que sustentou o Programa Mercury foi vital para estabelecer os critérios de sucesso; e as suas seis missões tripuladas foram um campo de testes composto por muitos perigos. “O Programa Mercury, o culminar de décadas de investigação e aplicação de aerodinâmica, propulsão de foguetões, mecânicas celestes, medicina aeroespacial e eletrónica, levou o homem para além da atmosfera terrestre até à órbita espacial”, escreveu James M. Grimwood em Project Mercury: A Chronology. “Isto confirmou o potencial para a mobilidade do homem no seu universo.”

Começando do zero, o design de naves espaciais foi aperfeiçoado, os astronautas treinados, os cálculos foram especulados e depois comprovados, e as tolerâncias expandiram-se. E tudo em nome do domínio tecnológico, da descoberta científica e da exploração aventureira e competitiva.

Kennedy concluiu o seu discurso com as palavras: “Não temos a intenção de ficar para trás e, nesta década, vamo-nos recompor e seguir em frente”. A história veio a comprovar que isso era verdade. E embora essa seja outra história, foi este programa pioneiro que tornou tudo possível. O Programa Apollo só conseguiu efetivamente chegar à lua apoiando-se nos ombros do Programa Mercury.

A série “Os Eleitos” está disponível no Disney+.


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.co.uk.

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