Espaço

Imagens de Planeta Misterioso Tornam-se Cada Vez Mais Surreais

Desde que entrou na órbita de Júpiter em Julho de 2016, a sonda espacial Juno tem enviado imagens invulgares e artísticas do "rei do sistema solar.

Por Nadia Drake

Uma sonda espacial giratória, alimentada a energia solar, capturou novas imagens da área circundante do maior planeta do nosso sistema — e são mesmo espetaculares.

Desde que entrou na órbita a 4 de julho de 2016, a sonda espacial Juno da NASA tem revelado os segredos deste planeta coberto de nuvens que ondulam e giram entre si, movendo-se em espirais, criando faixas rendilhadas intercaladas com turbulentas tempestades ovais.

Algumas destas tempestades matizam os polos do planeta, anteriormente ocultos, e juntam-se todos à mais conhecida das tempestades jovianas, uma mancha chamada A Grande Mancha Vermelha, que tem uma dimensão maior que a da Terra (mas que tem vindo a diminuir nas última décadas).

As novas imagens “fazem lembrar os quadros de Van Gogh", refere  a pessoa que mais se dedica a investigar Juno, Scott Bolton, do Southwest Research Institute (Instituto de Investigação do Sudoeste). "Já esperava ver uma coisa deste género, porque, há muito tempo, a Voyager e uma outra sonda espacial que se aproximou de Júpiter capturaram imagens, apesar de terem sido, em geral, imagens do aspeto global; mas, quando nos conseguimos aproximar e observámos estas espirais, foi inacreditável percebermos que se parecem mesmo uma obra de arte."

Estas nuvens verdadeiramente deslumbrantes são produzidas pelas dinâmicas atmosféricas incrivelmente complexas de Júpiter — tais como ventos e turbulência —, em combinação com alguns elementos químicos que produzem as suas cores vibrantes. Mas não é clara a razão exata pela qual Júpiter está pintado desta forma incrível.

"Isto não se vê acontecer em Saturno, Úrano ou Neptuno por alguma razão", afirma Scott Bolton. "É possível que se deva ao facto de Júpiter ser tão grande que tenha desencadeado algumas outras dinâmicas especiais, que, em certa medida, se aproximam das de uma estrela.”

Juno está a fazer mais do que simplesmente olhar com amor para esta magnífica paisagem planetária. Esta sonda espacial, criada para enveredar pelos meandros das profundezas de Júpiter, transporta oito instrumentos que monitorizam a gravidade, as auroras, a atmosfera, a magnetosfera, a profundidade das nuvens e os campos elétricos do planeta. 

Todos estes instrumentos juntos ajudarão os cientistas a saber mais sobre as origens do planeta e o que existe exatamente por baixo das nuvens — indo diretamente ao coração do planeta, que pode ser feito de elementos pesados ou rocha envolta numa forma de hidrogénio metálico líquido.

Contudo, até ao momento, um dos pontos alto da missão foi a observação dos polos do planeta. A diferença entre estas regiões e a zona equatorial de Júpiter é impressionante, com um tom de azul, vários ciclones e a ausência de diferentes faixas nebulosas.

"A nova perspetiva do polo é muito empolgante", afirma Candy Hansen do Instituto de Planetologia, responsável pela JunoCam da sonda espacial, que pede opinião ao público sobre os objetos a fotografar.  "Toda a forma de tempestade e rendilhada — que é tão bonita!"

A 27 de março, Juno passou muito perto de Júpiter enquanto realizava a quarta órbita científica, tendo abrangido 4300 quilómetros destes magníficos cumes das nuvens. As imagens daquela órbita serão divulgadas em breve.

E ao longo das próximas séries de órbitas, Juno manterá o foco na intensa atmosfera e na densa estrutura interior de Júpiter, reunindo dados que os cientistas combinarão para, por fim, obterem uma visão geral deste mundo misterioso.

"Estamos, essencialmente, a traçar o mapa de Júpiter para obter respostas sobre o funcionamento da física, a constituição da estrutura interior e a formação de Júpiter", refere Scott Bolton. Ele e a equipa prometem que ainda há muito mais para revelar sobre Júpiter, e que os resultados serão publicados em pormenor em breve.

Até lá, podemos desfrutar da beleza do maior planeta do sistema solar.

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