Piscinas? Cinema? Restaurantes? Como os Pais Podem Proporcionar Um Verão Seguro aos Filhos

Especialistas em saúde pública ponderam uma forma de navegar pelas atividades de verão de forma segura para as crianças.

Thursday, June 25, 2020,
Por Michelle Z. Donahue
Uma criança com uma máscara facial em Coney Island, pouco tempo depois da cidade de Nova ...

Uma criança com uma máscara facial em Coney Island, pouco tempo depois da cidade de Nova Iorque ter reaberto algumas praias em finais de maio, apesar dos banhos continuarem interditos.

Fotografia de Alexi Rosenfeld / Getty Images

Kristy Cruz e o seu marido acabaram de dar a notícia ao mais novo dos seus três filhos – com 10, 12 e 16 anos – de que a grande reunião de família planeada para o arquipélago de Florida Keys já não se iria concretizar. Com dúvidas em relação ao rigor da limpeza nos alojamentos de destino, e com preocupações sobre a saúde dos membros mais idosos da família, Kristy afirma que parecia mais prudente ficar perto de casa.

“Somos militares, por isso eles ficaram chateados por não poderem ver a família e os primos, e tinham muitas perguntas sobre o que iríamos fazer este verão”, diz Kristy, que vive em Maryland. “Dissemos que iríamos tentar sair de casa para passear, para almoçar ou jantar fora e para fazer muitas coisas ao ar livre – ir ao lago, andar no rio, alugar uma cabana ou ficar num parque de campismo. Se for algo que podemos fazer em segurança, vamos tentar fazê-lo com as crianças na mesma.”


À imagem do que acontece com outras atividades que foram interrompidas pela COVID-19, as atividades de verão não são exceção. Nos EUA, à medida que os estados começam a reabrir faseadamente os restaurantes, as lojas, os cinemas, as casas de espetáculos ao ar livre e outros espaços públicos, como parques e praias, as incertezas sobre o que se pode fazer – ou o que é seguro fazer – dificulta o planeamento das férias de verão.

Mas com as famílias a verem outras pessoas a começarem a sair mais vezes, é muito tentador ceder à ideia de que o vírus já não é uma ameaça.

“Queremos desesperadamente estar com outras pessoas, estamos ansiosos para abraçar, apertar as mãos e estar novamente em contacto”, diz a médica Marissa Levine, diretora do Centro de Liderança em Práticas de Saúde Pública da Universidade do Sul da Flórida. “Mas nada mudou em relação ao vírus, que ainda está presente nas nossas comunidades, e não existe um tratamento eficaz ou uma vacina.”

“O vírus não tira férias de verão”, acrescenta o médico Joshua Sharfstein, vice-reitor de Práticas de Saúde Pública e Envolvimento Comunitário na Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg. “Este não é o momento para baixarmos completamente a guarda.”

Apesar de os investigadores terem especulado que a subida das temperaturas podia abrandar a transmissão do coronavírus, os novos estudos sugerem que um clima mais quente e mais húmido tem poucos efeitos na transmissão da doença – mas o distanciamento social e as máscaras faciais têm um impacto significativo.

Eis algumas abordagens para diversas atividades de verão que podemos fazer enquanto tentamos manter a nossa família o mais segura possível.

Água, água por todo o lado
Um tempo quente que não envolva qualquer tipo de brincadeira com água é quase insuportável para muitas crianças, mas nos EUA, onde cerca de metade dos estados começaram gradualmente a reabrir as piscinas no início de junho, saber como é que a diversão na água se encaixa nas atividades de verão ainda é uma questão em aberto.

Embora seja verdade que o cloro é um assassino eficaz de micróbios, incluindo vírus, o cloro não faz nada para impedir o perigo de transmissão aérea que vem dos contactos de proximidade entre pessoas. E este é um desafio particularmente especial para as crianças. “Não podemos levar uma criança pequena para uma piscina e pensar que ela não vai andar a correr por todo o lado com os amigos", diz Joshua Sharfstein.

Marissa Levine, que já foi comissária estadual de saúde do estado da Virgínia, diz que, em primeiro lugar, devemos estudar a lição em casa. Devemos ligar com antecedência para saber quais são os esforços de mitigação implementados pelas instalações: medidas de distanciamento, limites de capacidade, saneamento de equipamentos e instalações. Se decidirmos ir à piscina em família, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA recomenda a utilização de máscaras faciais quando não estivermos a nadar e a lavagem frequente das mãos.

Para ir à praia ou a um lago, Joshua sugere que se consulte os sites dos municípios para obter informações sobre restrições ou sobre quais são os regulamentos específicos ainda em vigor no local de destino. As casas de banho podem não estar disponíveis, por exemplo. E Marissa também diz que devemos estar preparados para abandonar os planos de praia ou de piscina se o trânsito estiver congestionado e sugerir a presença de multidões.

“Volte para trás, procure outra praia, ou vá para casa.” Mas se a costa parecer ligeiramente tranquila e decidirmos prosseguir, devemos certificar-nos de que todos os membros familiares presentes têm uma máscara disponível, caso estejam muitas pessoas nas zonas de entrada ou nas casas de banho.

Espaços fechados
Para combater os dias mais quentes de verão, muitas famílias costumam recorrer a centros comerciais que têm ar-condicionado. Mas muitas das atividades que as crianças podem fazer nestes locais, seja saltar em trampolins, ver o último sucesso de animação no cinema, ou simplesmente comer, apresentam novos riscos este ano.

Nos EUA, os processos de reabertura variam de acordo com cada estado (e até de cada cidade), mas aos primeiros na fila – como o Stuart Bowl Lanes and Lounge na Flórida e alguns cinemas em Orange County, na Califórnia – está a ser pedido para implementarem medidas que respeitem o distanciamento social e que as superfícies de maior contacto sejam devidamente limpas. Para os cinemas, isto geralmente significa reservas antecipadas, lugares designados e capas descartáveis para cada cadeira. As casas de bowling mantêm várias pistas vazias entre os jogadores e também dispõem de equipamentos de higienização. À medida que os estabelecimentos reabrem, devemos procurar medidas semelhantes e insistir para que todos na nossa família usem máscaras e lavem frequentemente as mãos.

Em relação a almoçar ou jantar fora, Marissa aconselha que se fique numa esplanada ao ar livre, onde o fluxo de ar é bom, e quando precisamos de ir à casa de banho, devemos considerar o contacto com portas e outras superfícies com um guardanapo. As crianças com mais de dois anos devem usar máscaras faciais em ambientes fechados, tal como os adultos.

Joshua diz que devemos ponderar bastante antes de passarmos muito tempo num espaço fechado com outras pessoas.

“Há muitas coisas que ainda não sabemos sobre a transmissão deste vírus. Mas tenho a certeza de que existe menos transmissão ao ar livre. Só fico mais nervoso quando as histórias envolvem pessoas que entram em espaços fechados sem máscara.”

Aventuras na estrada
Este ano, as viagens de verão também precisam de mais planeamento antecipado, independentemente do meio de transporte utilizado.

Nos EUA, as diretrizes do departamento dos transportes visam reduzir o contacto entre os viajantes e as forças de segurança, mas Joshua diz que, por exemplo, é difícil manter uma distância adequada quando estamos num avião, sobretudo quando levamos crianças. (Mas, se tivermos mesmo de fazer uma viagem de avião, eis como encontrar os lugares mais seguros.)

Em relação às viagens de carro, Marissa diz que uma abordagem descontraída  provavelmente não é uma boa ideia. Antes de partirmos, devemos planear paragens entre o ponto de origem e o de destino, e devemos verificar se o carro está abastecido com toalhetes e com desinfetante para as mãos que tenha uma concentração de álcool de 60% ou mais. E não nos podemos esquecer de levar lenços de papel para evitar tocar nas superfícies em que todas as outras pessoas também podem tocar com frequência.

Joshua diz que, se as viagens em grupo forem uma prioridade elevada, as pessoas devem passar por um período de monitorização de duas semanas, antes de partirem e depois de regressarem.

“Se vamos passar tempo [com os amigos], é bom saber que todos se esforçaram para minimizar os riscos”, acrescenta Marissa. “O nosso maior desafio é reconhecer que existe um problema, e talvez assim as coisas possam correr bem. É algo que exige reflexão e muito debate.”

Tenha cuidado
Apesar de muitos estabelecimentos estarem a fazer o melhor possível para manter as coisas limpas e o distanciamento social, Marissa diz que ainda não se sabe se estas medidas são adequadas para manter todas as pessoas em segurança.

“É importante não termos a falsa sensação de segurança de que estamos protegidos contra uma potencial infeção, mesmo com máscaras faciais”, diz Marissa. Quando estamos em espaços fechados, os riscos aumentam e as máscaras assumem um papel fundamental.

Dito isto, é provável que o coronavírus ainda fique connosco durante algum tempo, e sair à rua é uma necessidade para o bem-estar e para a saúde mental de pais e filhos.

“Temos de aprender a viver com a COVID, mas há formas de o fazer em segurança”, diz Marissa. “Esta é uma boa altura para sermos criativos e inovadores, mas devemos ser ponderados e respeitar os conhecimentos de que dispomos atualmente.”

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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