Faça Um Safari no Quintal com as Crianças

As nossas dicas vão inspirar as crianças a serem exploradoras de insetos.

Thursday, July 2, 2020,
Por Avery Hurt
Fotografia de JGI / Jamie Grill / Getty Images

Para uma criança, um quintal é um lugar para brincar. Mas as crianças podem ficar surpreendidas com a quantidade de criaturas com quem partilham o seu espaço de diversão.

Os entomologistas (também conhecidos por cientistas de insetos) desenvolvem um processo chamado BioBlitz para obter uma contagem geral de quantos insetos vivem numa determinada área. Estes cientistas viram pedras, espreitam debaixo de troncos e arrancam ramos de árvores para verificar o número de bichos que vivem nesse local. As crianças podem fazer algo semelhante usando as suas capacidades de observação – e sim, isto também envolve matemática – numa atividade que ajuda a fomentar hábitos de exploração.


“Passar tempo em contacto com a natureza, sobretudo quando se procuram insetos ou outras criaturas numa atividade de BioBlitz, pode expor as crianças à incrível diversidade de vida que nos rodeia”, diz o entomologista Patrick Liesch, da Universidade Wisconsin-Madison. “E também pode ensinar sobre os ciclos de vida e sobre os papéis ecológicos desempenhados por estas criaturas.”

Felizmente, um BioBlitz não significa que os nossos filhos têm de contar todas as criaturas individuais que vivem no quintal. (A não ser, claro, que tenhamos de participar numa longa reunião por videochamada.)

“Quando os biólogos querem determinar quantos animais vivem numa área, não conseguem contar cada inseto, cada animal”, diz Sophie Gilbert, professora assistente de ecologia e gestão de vida selvagem na Universidade de Idaho. “Nós conseguimos criar uma forma de colher uma pequena amostra e fazer uma extrapolação para obter uma boa estimativa de quantos animais vivem numa determinada área.”

Eis como colocar as crianças a “rastejar” pelo quintal.

Primeiros passos
Para começar, é preciso reunir os materiais:

– Um bloco de notas para as observações; as crianças vão usar o bloco para listar os insetos e anotar coisas como o tamanho, cor, localização, etc.
– 4 paus e um fio, ou um Hula-Hoop, ou uma caixa vazia para delimitar a área de amostra; os cientistas chamam-lhe “quadrícula”.
– Fita métrica para medir a área.
– Lupa.
– Telemóvel para ajudar a captar fotografias e identificar as criaturas.

Construir um BioBlitz
Se as crianças estiverem a usar paus e um fio para a quadrícula, coloque-os no chão para formar um quadrado ou retângulo. Passe o fio em torno de cada pau até que o quadrado ou retângulo fique ligado e ate bem. (Desta forma, a quadrícula terá sempre o mesmo tamanho se for movida para outra parte do quintal.) Se as crianças estiverem a usar um Hula-Hoop ou uma caixa, peça para os colocarem no chão.

Com a lupa, conte todos os insetos dentro da quadrícula. Não se esqueça de ver entre as folhas de relva, nas flores e debaixo de pedras. Se as crianças estiverem a usar uma quadrícula maior, verifique os arbustos ou árvores dentro desse espaço. “Os animais que vivem na relva são diferentes dos que vivem nas roseiras” diz Sophie Gilbert. Criaturas como formigas, escaravelhos e minhocas preferem áreas escuras e húmidas, como por exemplo debaixo de pedras ou de ramos caídos. Nas flores e nos arbustos pode encontrar joaninhas e abelhas.

Conte várias vezes o número de insetos dentro da quadrícula e ajude as crianças a obterem uma média. Depois, mova a quadrícula para outra parte do quintal e repita o processo. Faça isto em várias zonas do quintal. Certifique-se de que anota todos os dados no bloco de notas.

Quando as crianças tiverem uma média de insetos por cada secção de amostra, ajude-as a calcular a média das secções em conjunto para obter um número: o número que indica a média de insetos por quadrícula. Digamos que uma criança observou e calculou a média de 10 secções do quintal. Adicione estas médias e divida por 10 para obter o número médio de insetos numa quadrícula. (Neste caso, digamos que são 40 insetos.)

Depois, peça às crianças para usarem a fita métrica para descobrirem quantos metros quadrados existem na quadrícula. Por exemplo, se a quadrícula tiver 2 por 2 metros, tem 4 metros quadrados. Divida o número médio de insetos por quadrícula (40) pela métrica quadrada (4). Isto equivale a 10 insetos por metro quadrado de quintal.

A seguir, utilize novamente a fita métrica para ajudar as crianças a encontrarem a área do quintal. (Digamos que tem 5 por 5 metros, são 25 metros quadrados.)

Peça às crianças para multiplicarem os metros quadrados do quintal pelo número de insetos por cada metro quadrado: 25 x 10 = 250 insetos no quintal!

Outras opções
Se as crianças não estiverem com disposição para toda esta matemática, não faz mal. Em vez disso, podem tomar notas sobre as criaturas que encontrarem dentro da quadrícula. As crianças podem escrever os nomes, as quantidades e os detalhes nos blocos de notas. Patrick Liesch também recomenda que se observe um inseto durante alguns minutos para perceber como se comporta. Rasteja muito? Lava-se a si próprio? Qual é o trajeto que faz?

Outra opção de BioBlitz é procurar animais maiores com penas ou pelo. O truque passa por encontrar uma “estação de observação” onde os animais não reparem na presença dos humanos. Assim, em vez de as crianças contarem insetos numa quadrícula, contam animais durante um determinado período de tempo. “Em vez de fazerem um levantamento espacial” diz Sophie Gilbert, “fazem um levantamento temporal”.

Independentemente de as crianças procurarem insetos, pássaros ou criaturas de quatro patas, Patrick Liesch recomenda que estas observações se façam ao longo do dia, porque os animais estão ativos em momentos diferentes. Os pássaros são mais abundantes ao amanhecer. Os pirilampos, os morcegos e as corujas são mais ativos ao entardecer. E à noite também é um bom momento para se contar insetos. Patrick Liesch costuma procurar insetos à noite quando sai para passear os seus cães. “É incrível a quantidade de insetos diferentes que são atraídos pelas luzes.”

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

 

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