Não Deixe que a Pandemia Impeça as Crianças de Saírem de Casa em Dias Frios

As atividades ao ar livre são mentalmente saudáveis – e cruciais em períodos de confinamento.

Thursday, November 19, 2020
Por Heather E. Schwartz
Fotografia de Eric Audras / AGE Fotostock

Pele costumava ter uma rotina regular que o fazia sair de casa. Este menino de nove anos de Bedford, no Massachusetts, praticava desporto, corria com os amigos e desfrutava diariamente dos recreios na escola. Mas devido à COVID-19, Pele está agora praticamente fechado em casa – e o inverno está a chegar.

De acordo com a Associação Nacional de Recreação e Parques dos EUA, antes da pandemia as crianças só passavam cerca de quatro a sete minutos por dia a brincar ao ar livre. Agora, este tempo foi reduzido, dado que a maioria das atividades ao ar livre estão limitadas – muitas crianças nem sequer desfrutam de ar fresco quando vão para a escola ou regressam para casa. Na verdade, um estudo feito recentemente pela Faculdade de Medicina Keck da Universidade do Sul da Califórnia descobriu que, de acordo com as informações relatadas pelos pais, as crianças estiveram menos ativas fisicamente e mais sedentárias durante os meses de abril e maio, em comparação com fevereiro.

Agora, com a chegada dos dias mais curtos e do tempo frio, as crianças vão querer ficar ainda mais tempo aconchegadas em casa. Mas os cientistas concordam que sair de casa, mesmo durante os meses mais frios, é crucial para a saúde de uma criança.

É provável que os pais conheçam os efeitos saudáveis da luz solar: ajuda a produzir vitamina D para a construção óssea e estimula uma glândula que regula o humor e o sono. Mas as atividades ao ar livre também libertam hormonas de bem-estar, chamadas endorfinas, que podem ajudar a acalmar as pessoas e a aliviar a ansiedade. Isto é particularmente importante agora, dado que muitos especialistas acreditam que a pandemia está a contribuir para um aumento de ansiedade e depressão entre as crianças, diz Forrest Talley, psicólogo clínico do centro de Serviços Psicológicos Invictus, em Folsom, na Califórnia.

“Alguns dos maiores benefícios de sair de casa são cognitivos e sociais”, explica Forrest. “Quando as crianças brincam com outras crianças, têm uma noção de comunidade, algo que invariavelmente diminui a depressão.” (Certifique-se de que segue os protocolos de segurança locais definidos para a pandemia.)

O truque é convencer os seus filhos a agasalharem-se e a deixarem o conforto do lar. Seguem-se algumas ideias para fazer com que as crianças desfrutem ao ar livre.

Lute contra a resistência
Se os seus filhos estiverem literalmente a fazer finca-pé quando os tenta tirar de casa, dê um passo atrás.

“Se já sabe que os seus filhos vão resistir, seja proativo”, diz Laura Froyen, conselheira parental em Madison, no Wisconsin, cujas filhas têm cinco e oito anos. “Converse durante um momento de forma calma e atenciosa, enquanto faz um lanche ou brinca calmamente com o seu filho.”

Pergunte ao seu filho o que o impede de sair de casa. Depois, aprofunde a questão. Pergunte o que quer fazer e para onde quer ir. Se estiver numa “bolha” com amigos devido à pandemia, pergunte com quem querem estar. Isto pode ajudar a descobrir soluções.

Por exemplo, Laura Froyen chegou a trabalhar com uma mãe que não conseguia descobrir porque é que o seu filho de 10 anos não gostava de ir ao parque para cães. Depois de conversar com a criança, a mãe descobriu que ele estava chateado por não se poder juntar aos amigos que viu no parque, porque não faziam parte da sua “bolha” COVID-19. Assim que a mãe descobriu as razões, parou de forçar o filho a ir ao parque e planeou atividades ao ar livre noutro lugar.

Bridget Barrett-Parker, mãe de Pele, diz que o maior obstáculo para tirar o filho e a filha de dois anos de casa no inverno não é a resistência deles – geralmente é ela própria que não quer sair. Ter um motivo para sair ajuda.

“Isso faz com que desejemos sair”, diz Bridget, professora e conselheira parental. “Se houver uma loja de conveniência a uma curta caminhada de distância, ou um local no jardim que queremos visitar, posso dizer que vamos sair só para ir lá.”

Crie hábitos ao ar livre
Outra forma de superar a resistência: faça com que sair de casa seja uma parte da sua rotina diária.

“Faça com que seja inegociável”, diz Bridget. “Quer seja uma caminhada todas as manhãs, antes ou depois da escola, passar algum tempo no parque, ou fazer planos para as crianças se encontrarem com um amigo, definir um horário consistente para estar diariamente ao ar livre tira a pressão de cima dos pais.”

E por muito que queira, não ignore as reclamações do género “estou aborrecido” ou “tenho frio”. Reconheça-as, mas depois ajude as crianças a desenvolverem atividades regulares a longo prazo.

“Mesmo que só consiga tirar os seus filhos de casa durante cinco minutos num dia, e seis no outro, já é uma vitória”, diz Laura Froyen. “Fazer progressos é mais importante do que tentar alcançar a perfeição.”

De dentro para fora
Os seus filhos têm uma atividade favorita em casa? Leve-a para a rua – com alguns ajustes.

Encha frascos de perfume com água fria e corante alimentar para pintar na neve, recomenda a formadora de pais Elizabeth Forry, de Annapolis, em Maryland. “Não há nada melhor do que uma tela em branco”, diz Elizabeth, mãe de dois rapazes com seis e nove anos.

Jolene Caufield, mãe de uma criança de seis anos que vive em Baltimore, sugere uma festa do pijama ao ar livre – em tendas separadas para garantir o distanciamento social. “Certifique-se de que as crianças não levam coisas eletrónicas, para que se possam realmente divertir”, acrescenta Jolene.

As atividades sazonais também podem fazer com que sair de casa no inverno se torne mais atraente. Sarah Miller, mãe de duas crianças, uma de cinco anos e outra de dois, que vive em Kalamazoo, no Michigan, salienta que algumas atividades de verão podem ser ainda mais divertidas durante o inverno.

“Os camiões de brincar ou os brinquedos para brincar na areia da praia ganham uma nova vida enquanto brinquedos para a neve”, diz Sarah. “As crianças também podem brincar com bolhas de sabão e ver se congelam.”

Aposte na aventura
Se prefere as atividades tradicionais de inverno, tente elevar os níveis de adrenalina para fazer com que as crianças queiram sair de casa.

“Não se limite a andar de trenó – ande de trenó de noite”, sugere Jessica Speer, mãe de duas crianças de 12 e 14 anos, de Steamboat Springs, no Colorado. “Não se limite a observar o pôr do sol do seu quintal – encontre um miradouro especial após uma caminhada por um lugar diferente.”

Graeme Esarey, pai de duas crianças de 12 e 14 anos, que vive em Bainbridge Island, Washington, tem planos para observar tempestades na praia e fazer rafting no inverno. Mas também diz que as atividades mais discretas, como jogar xadrez ou beber chocolate quente, são mais divertidas se forem feitas ar livre. (Lembre-se de manter o conforto com roupa adequada, ou levar um cobertor quente.)

“A ideia de uma aventura é muito importante para as crianças”, diz Graeme. “Prepare-as mentalmente e aproveite todas as oportunidades para criar uma aventura.”


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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