Sete Objetos que Significam ‘Natal’ Pelo Mundo Inteiro

As árvores decoradas e o Pai Natal podem ser omnipresentes no mundo ocidental da atualidade. Mas há outras culturas que têm os seus próprios ornamentos para esta época festiva – muitos deles enraizados no folclore local.

Publicado 22/12/2020, 16:01
Parols de Natal

Parols de Natal à venda numa loja na cidade de Antipolo, perto de Manila, nas Filipinas. Feitos tradicionalmente com bambu e papel, os parols são uma decoração festiva que está por todo o lado nas Filipinas. Acredita-se que estes ornamentos surgiram na região no século XVI, com a chegada dos colonos espanhóis, e seguem uma longa tradição no fabrico de lanternas nas Filipinas.

Fotografia de DANILO PINZON, JR / ALAMY

Se tentar nomear cinco objetos sazonais ligados ao Natal em cinco segundos, é provável que o consiga fazer. Mas será que estes cinco objetos seriam os mesmos em outras partes do mundo? Provavelmente não. Por mais que a representação do Natal se tenha tornado esteticamente distinta ao longo dos anos, as tradições ainda fazem parte desta época – sobretudo em casa, entre familiares.

(Relacionado: Uma breve história sobre brinquedos.)

Embora alguns dos símbolos estejam enraizados em crenças religiosas relacionadas com o feriado cristão, alguns têm origens mais distantes – enquanto que outros são adições relativamente recentes aos cânones da tradição. Segue-se um bouquet festivo de objetos do mundo inteiro que, de uma forma ou de outra, se tornaram sinónimo de Natal.

Boneco Nisse

Escandinávia

Geralmente descrito como uma criatura diminuta parecida com um gnomo que usa um gorro vermelho, o nisse – também conhecido por tomte ou tomtenisse – é frequentemente caracterizado como uma espécie de elfo doméstico festivo, ou espírito. Na mitologia rural da Escandinávia, o nisse também tinha propriedades mágicas e protegia uma casa e os seus ocupantes de espíritos malignos e de infortúnios – mas apenas se fosse tratado com respeito.

Uma ilustração de 1895 do artista norueguês Julius Holck mostra um nisse a comer a sua refeição na véspera de Natal. As decorações que retratam o nisse doméstico são comuns na Escandinávia.

Fotografia de JULIUS HOLCK / NATIONAL LIBRARY OF NORWAY

Os nisse, com as suas almas sensíveis, recebiam presentes e um blót (oferenda) de papas quentes na véspera de Natal. Era o mais sensato a fazer, porque um nisse descontente podia fazer travessuras aos animais da quinta ou desarrumar os utensílios domésticos. O nisse é hoje vulgarmente recriado como uma decoração de Natal escandinava – geralmente um homem robusto, muitas vezes com barba ou socas e, invariavelmente, com um gorro vermelho em forma de cone.

Parols

Filipinas

As Filipinas celebram o Natal com um estilo luminoso, sendo que a peça de decoração central é o parol – uma lanterna tradicionalmente feita de bambu e papel que tem um formato semelhante ao da estrela de Natal.

O parol foi pensado para ser uma representação da estrela de Natal – parol deriva da palavra espanhola farol, que significa lanterna – mas ao longo dos séculos foi alterado para reunir um simbolismo adicional, que representa a luz sobre a escuridão.

Fotografia de IMAGEGALLERY2 / ALAMY

Na época de Natal, esta decoração é omnipresente nas Filipinas e nas comunidades filipinas pelo mundo inteiro – e é uma peça central da procissão de Simbang Gabi, uma celebração de nove dias que culmina na Missa da Meia-noite na Véspera de Natal. O parol aparece no vídeo de Natal de 2020 da Disney (em baixo).


(A The Walt Disney Company é proprietária maioritária da National Geographic Partners.)  

Sapatos

Islândia

Na Islândia, para as crianças se portarem bem, os pais podem recorrer aos Rapazes Yule – figuras travessas de um folclore local que saem da natureza para visitar as cidades nos dias de Natal.

A tradição de colocar sapatos nos peitoris das janelas nas 13 noites que antecedem o Natal deriva do conto islandês Rapazes Yule. As crianças bem comportadas recebem doces; as que estão na lista de crianças mal comportadas recebem uma batata.

Fotografia de SIMON INGRAM

Os “rapazes” são um grupo de figuras brincalhonas com peculiaridades individuais e uma aptidão por travessuras, desde o atrevido (bater com as portas ou roubar salsichas) ao sinistro (roubar coisas e esconder-se debaixo das camas). Outrora um marco nas histórias de embalar, este grupo era tão malévolo que os pais foram proibidos de as contar, mas o seu legado continua vivo. Nos 13 dias que antecedem o Natal, as crianças deixam sapatos nos peitoris das janelas para o “rapaz” assistente encher com guloseimas ou – no caso de um mau comportamento no dia anterior – com uma batata.

(Relacionado: As origens surpreendentes do Pai Natal.)

Oplatek

Polónia

O ‘wafer de Natal’, ou oplatek – na cultura católica polaca – é um biscoito feito de pão sem fermento que simboliza o fim do Advento.

O wafer de Natal – chamado oplatek – é um aperitivo comum na ceia de Natal na Europa de Leste. Tradicionalmente, o wafer é partido e passado entre familiares, com mensagens de agradecimento ou proclamações de boas intenções.

Fotografia de JOANNA DOROTA / ALAMY

Com um tamanho e formato de uma carta de baralho, e geralmente com gravuras que representam a natividade, o wafer é tradicionalmente comido em comunidade na Véspera de Natal, com um pedaço dividido por cada membro da família antes do jantar – com agradecimentos e resoluções.

Azevinho

Reino Unido, América do Norte

Esta planta foi venerada durante muito tempo na mitologia celta, onde as suas cores vivas em todas as estações do ano fizeram com que ficasse associada à vida eterna e à fertilidade – e tornaram-na num símbolo do inverno como um contraponto para o carvalho no verão. Hoje, o azevinho também tem significados cristãos e, embora seja uma planta omnipresente no Natal, na verdade tem mais relação com a Páscoa em termos de significado para a fé: Os espinhos pontiagudos nas folhas representam a coroa de espinhos de Cristo, e as bagas vermelhas representam o seu sangue e sofrimento.

O azevinho tem um significado misto quando se trata de Natal – para muitas pessoas também representa a Páscoa. Mas as suas raízes festivas estão nas celebrações pré-cristãs, onde as suas cores vivas durante os meses mais escuros fizeram com que fosse venerada enquanto símbolo de fertilidade e vida duradoura.

Fotografia de STEVE BIDMEAD / PIXABAY

O azevinho pode ter ficado associado ao Natal devido a uma mistura de dois fatores: a cor verde ao longo do ano faz com que esta planta seja ideal para enfeitar tetos e portas (ou, na verdade, para enfeitar os corredores das casas) e tornou o azevinho na escolha de eleição para as decorações durante as férias de inverno celtas e romanas, como as festas Saturnais. A sua ressonância com Cristo coincidiu com as celebrações em sua homenagem realizadas na mesma época do ano.

Flor-de-natal

América Central e do Norte

Uma fábula mexicana conta a história de uma jovem que, sem poder comprar flores, levou ervas daninhas para o altar de uma igreja como oferenda de Natal, e as ervas floresceram com cores vivas. Estas Flores de Noche Buena – flores da noite sagrada – provavelmente eram Euphorbia pulcherrima, uma planta nativa do México e da Guatemala que tem tendência para florescer a meio do inverno.

A flor-de-natal (Poinsétia) tornou-se numa das plantas de Natal mais comuns devido às suas cores brilhantes vermelhas e às associações folclóricas. Existem muitas outras cores deste arbusto, que é nativo da América Central.

Fotografia de GERHARD G. / PIXABAY

No entanto, não são as flores, mas sim as folhas, que conferem a esta planta as suas conotações sazonais: Apesar de estar associada há muito tempo ao Natal no México, a variedade vermelha é a mais exibida nas vasos de plantas nos EUA durante a época festiva, graças ao homem que deu à planta a sua popularidade – e nome – nos Estados Unidos. Falamos de Joel Poinsett, médico e diplomata que foi o primeiro ministro dos EUA no México. Depois de reparar na beleza da planta, Joel enviou amostras para casa, onde ficou conhecida por Poinsétia.

Teia de aranha

Ucrânia

Na Europa de Leste – sobretudo na Ucrânia – um dos enfeites mais comuns nas árvores de Natal assemelha-se a uma teia de aranha.

A história da aranha de Natal, contada na Ucrânia, é um conto popular sobre um aracnídeo muito prestável que decora uma árvore com a sua teia.

Fotografia de NIC HAMILTON PHOTOGRAPHIC / ALAMY

O significado da teia de aranha, considerada um elo ancestral com o ouropel moderno, gira em torno da história da aranha de Natal, que construiu teias na árvore de uma família pobre que não tinha dinheiro para a decorar. Reza a lenda que, na manhã seguinte, a luz do sol tocou na teia e transformou-a em ouro.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.co.uk

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