Respeitar a natureza: manter as crianças curiosas sem perturbar a vida selvagem

As crianças podem querer tocar num animal selvagem – eis como lhes pode mostrar que não o devem fazer.

Publicado 16/03/2021, 12:08 WET

   

Fotografia de CHAD SPRINGER / GETTY IMAGES

Quando o filho de Lauren Gay era mais pequeno, era normal levar no bolso “amigos” para casa. “Ele era o tipo de rapaz que vinha para casa com uma salamandra”, recorda Lauren com um sorriso e um encolher de ombros. “Isto aconteceu.”

E embora Lauren quisesse encorajar o amor do seu filho pela natureza, ela tinha de lhe explicar que retirar a salamandra do seu habitat não era exatamente uma coisa boa para o animal.

A tendência para apanhar conchas na praia (sem considerar o que pode viver no seu interior) ou de transformar uma salamandra num animal de estimação é comum entre as crianças naturalmente curiosas. Mas, apesar das boas intenções, a curiosidade de uma criança pode danificar acidentalmente a vida selvagem e respetivo habitat.

“Creio que a coisa mais importante que os pais podem ensinar aos filhos é o respeito pela natureza”, diz a médica Laura Kahn, cofundadora da One Health Initiative.

Quando são ensinadas sobre a forma correta de interagir com a natureza, as crianças costumam estar à altura da ocasião, diz Jaylyn Gough, assistente social e fundadora da Native Women’s Wilderness. “É importante reservarmos algum tempo para dizermos aos nossos filhos que não somos donos da terra. Estamos aqui para cuidar dela.”

Portanto, como é que evitamos que os nossos filhos danifiquem a natureza enquanto tentamos aproveitar ao mesmo tempo os benefícios de passar tempo ao ar livre, benefícios que incluem mais confiança, concentração e empatia? Seguem-se alternativas para alguns dos comportamentos mais comuns ao ar livre.

Seja interessado sem danificar

As crianças podem sentir a tentação de apanhar um ramo gigante de flores, arrancar folhas de árvores ou guardar pedras, conchas ou pequenas criaturas dentro de uma mochila. Mas devemos lembrar as crianças de que todas estas coisas fazem parte de um habitat e que desempenham um papel importante na saúde do mesmo.

Os animais dependem de plantas para se alimentarem e de esconderijos, como rochas e conchas que servem de casa; as plantas dependem dos animais para coisas como fertilização e polinização. Lauren Gay diz que, quando explicou ao filho a forma como as plantas e os animais trabalham em conjunto na natureza, isso ajudou-o a moderar os seus comportamentos.

“Quando lhes ensinamos de que se tratam de coisas vivas, coisas que crescem, se alimentam e têm um habitat, estamos a ensinar-lhes sobre ecologia”, diz Lauren. “Isso faz com que se tornem conservacionistas.”

É preferível as crianças explorarem com uma lupa do que com os seus dedos curiosos. Observar de perto as partes minúsculas de um habitat pode ajudar a alimentar a curiosidade das crianças – e mostrar-lhes toda a vida que as rodeia e que elas pensavam que era insignificante.

“Estamos aqui para cuidar dos nossos amigos de quatro patas, das criaturas e dos pássaros”, diz Jaylyn Gough. “Ao lembrar as crianças de que as pedras, as flores ou o que quer que encontremos ao ar livre deve permanecer ao ar livre, estamos a ajudar a fazer a nossa parte.”

Partilhe o lanche com pessoas, não com animais

Pode parecer uma boa ideia atirar migalhas de pão para os patos comerem, ou atirar sementes para alimentar os esquilos, mas os animais não foram feitos para serem alimentados por humanos. “Os animais selvagens sobrevivem através da comida disponível nos seus ambientes e ecossistemas”, explica Laura Kahn. “Não queremos que fiquem dependentes da comida humana.”

Os ursos são um excelente exemplo de animais que muitas vezes têm de ser abatidos após desenvolverem o gosto pela comida humana. “Os animais têm necessidades dietéticas únicas que são diferentes das dos humanos”, diz Laura. “Comer comida humana pode deixá-los doentes.”

É por isso que as crianças devem ter cuidados redobrados com todos os lanches que levam para caminhadas ou passeios no parque. Os pais podem encorajar este tipo de comportamento com esforços de limpeza após um piquenique. E podem dividir a família por equipas para ver quem consegue apanhar mais lixo.

Opte pelos trilhos mais batidos, não pelos atalhos

Dar chutos em pilhas de folhas, pisar arbustos e caminhar através de áreas florestais, em vez de seguir pelos caminhos designados, pode danificar involuntariamente os habitats dos animais. E quando alguns animais são surpreendidos e tentam defender os seus lares, todos se podem magoar. “Os trilhos são projetados para provocar os danos mínimos a ambientes e ecossistemas delicados”, diz Laura.

As crianças devem ser incentivadas a compreender a importância dos trilhos. Limpar e manter estes trajetos através de iniciativas comunitárias é um começo; os projetos de arte também podem ajudar. Por exemplo, apanhe folhas ou leve um bloco de desenho para registar o que vê.

Fotografe os animais em vez de tirar selfies com eles

O desejo de se aproximarem ou até mesmo de tocar num esquilo, ave ou tartaruga pode ser forte para as crianças. Mas a aproximação de um animal perturba o seu comportamento, podendo afetar a sua alimentação, sono ou outras coisas que a criatura precisa de fazer para sobreviver. Também pode ser perigoso para as crianças se o animal as identificar como uma ameaça e as expuser a doenças ou ferimentos.

Os pais devem recordar as crianças que se devem manterem afastadas de qualquer animal – mesmo daqueles que parecem inofensivos – e ensiná-las a desfrutar através da observação. Leve uns binóculos para obter uma visão mais aproximada ou ensine as crianças a usar o botão de zoom da câmara.

Assegure-se de que os seus cães têm trela

Os cães têm tendência para perseguir animais. E embora possa ser divertido ver os cães à procura de esquilos ou coelhos, a introdução de um animal doméstico em espaços naturais pode ser prejudicial para o ambiente e para os animais. Os animais selvagens que tentam fugir de cães entusiasmados podem desperdiçar energia que é vital para coisas como alimentação e cuidar das suas proles.

E não se esqueça de apanhar os excrementos do seu cão!

“Os resíduos fecais introduzem patógenos no ambiente que podem afetar a vida selvagem”, adverte Laura. E isso pode ser prejudicial para o ecossistema.

O mais importante é os pais lembrarem aos filhos que os espaços ao ar livre são a casa de alguém ou de algo. “Ninguém gosta de receber um convidado que vai destruir, sujar e agir de forma grosseira na nossa casa. Estas mesmas regras devem ser aplicadas quando visitamos os animais nas suas casas.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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