Alivie o stress dos seus filhos com um ‘banho de floresta’

Esta prática japonesa inclui benefícios de meditação ao mesmo tempo que tira as crianças de casa.

Por Kelly DiNardo
Publicado 20/04/2021, 14:56
Girl in Woods - Forest Bathing

Uma criança na floresta, em Nova Iorque.

Fotografia de XiXinXing / Getty Images

Em 2019, num dia ensolarado de primavera, Ruth Nazarian liderou um grupo de 24 alunos do segundo ano por um pequeno bosque de acácias na sua escola primária em San Diego. Quando as crianças estavam sentadas com os olhos fechados, Ruth fez uma série de perguntas com o objetivo de as sintonizar com os seus sentidos:

Concentrem-se na pele do vosso rosto; o que sentem? Conseguem identificar um som à distância? Conseguem identificar um som nas proximidades? Qual é o cheiro que sentem? Abram lentamente os olhos; que cores veem?

“Quando prestamos realmente atenção à natureza com as crianças, há muitas coisas comuns que se tornam mágicas”, diz Ruth, professora do primeiro ciclo há mais de 25 anos e guia certificada de terapia florestal.

Ruth faz parte de um grupo crescente de pessoas que descobriu a prática de shinrin-yoku, ou banho de floresta, que foi oficialmente reconhecida pelo governo japonês na década de 1980 e que, desde então, se expandiu para mais de 60 trilhos certificados. É diferente de fazer caminhadas, que consistem em chegar a um destino, ou de fazer uma caminhada pela natureza. É algo que se concentra na identificação de plantas e animais. O banho de floresta incentiva os participantes a envolverem-se lenta e deliberadamente com a natureza.

O melhor de tudo é que qualquer pessoa pode experimentar esta prática baseada na natureza, independentemente do local onde vive – e esta atividade tem benefícios reais para a saúde física e mental das crianças.

Os benefícios de um banho de floresta

O banho de floresta consiste em absorver o que nos rodeia e a prática de mindfulness enquanto estamos na natureza, seja no nosso quintal, num parque ou numa floresta. Um número crescente de investigações revela que esta abordagem à natureza tem benefícios para a saúde que vão desde melhorias no sono à redução de cortisol, a hormona do stress.

Isto pode dever-se ao facto de o banho de floresta combinar na sua essência os benefícios da meditação com os benefícios de se estar ao ar livre. Por exemplo, o banho de floresta e a meditação são práticas de mindfulness que nos ajudam a envolver por completo no presente. Os estudos mostram que a prática de mindfulness pode estimular a memória e a concentração, promover empatia, reduzir o stress e melhorar a atenção e o comportamento em ambientes escolares.

Mas a meditação tradicional pode ser complicada, sobretudo para as crianças mais novas que têm dificuldades em ficar paradas. “As atividades de banho de floresta puxam-nos para o momento presente sem que tenhamos de ficar quietos”, explica Ruth Nazarian. “Isso ajuda as crianças a ficarem mais conscientes dos seus corpos. À medida que aprendem a ter consciência de como é que o corpo sente as coisas, também começam a reconhecer como é que o corpo reage às emoções. É uma estratégia valiosa para se acalmarem e controlarem o stress.”

A outra vantagem de um banho de floresta é tirar as crianças de casa para estarem em espaços verdes. Há centenas de estudos que investigaram os impactos positivos da natureza na saúde e no desenvolvimento físico, mental e emocional das crianças – desde aumentar o QI das crianças a melhorias na saúde mental.

“Há algo em estar no mundo natural que melhora o desenvolvimento cognitivo e a saúde física e mental”, diz Richard Louv, cofundador da Children and Nature Network e autor de vários livros, incluindo Last Child in the Woods: Saving Our Children from Nature-Deficit Disorder. “As investigações sugerem especificamente que o tempo passado na natureza pode ajudar as crianças a terem mais confiança, pode ensinar a acalmarem-se, a melhorarem a concentração, a diminuírem os sintomas de transtorno do défice de atenção com hiperatividade, a melhorarem a criatividade e a reduzir o stress.”

Guia para iniciantes

Está pronto para experimentar um banho de floresta com os seus filhos? Eis algumas diretrizes para começar.

Seja flexível. Helene Gibbons, guia de banhos de florestas em Saranac Lake, Nova Iorque, adaptou muitas das suas práticas em intervalos de cinco a 15 minutos que os professores podem fazer com as crianças ao longo do dia. “Nem sempre é realista fazer uma caminhada de uma hora com as crianças”, diz Helene.

Reduzir a quantidade de tempo que dedicamos a uma atividade de banho de floresta é uma forma de nos mantermos relaxados, principalmente quando se trata de crianças mais novas. Dar-lhes permissão para falar e se movimentarem, independentemente da atividade, é outra forma de ser mais flexível.

“Nós dizemos que estas atividades são ‘convites’, porque pode sempre adaptá-las”, diz Helene. “As crianças precisam de autonomia para tomarem decisões por si próprias. Elas gostam de ter essa liberdade.”

Chame a atenção para a experiência sensorial. Usar os sentidos tem tudo que ver com a noção do que nos rodeia, estar alerta e presente – coisas que a meditação também faz, diz Katy Bowman, autora de Grow Wild: The Whole-Child, Whole-Family, Nature-Rich Guide to Moving More.

“Quando escutamos todos os sons da natureza que conseguimos ouvir, estamos focados em algo que não é a confusão que temos na nossa própria cabeça”, diz Katy.

Faça perguntas que incentivem as crianças a concentrarem-se nos sentidos. Qual é a sensação da relva? Que formas veem? Qual é o cheiro dos pinheiros?

Transforme a atividade num jogo. Estas atividades ajudam a fornecer uma estrutura divertida e livre que incentiva as crianças a estarem mais atentas ao ambiente natural:

Ruth Nazarian usa uma corda ou um hula hoop para criar um círculo na relva e incentiva as crianças a explorarem essa pequena área com uma lupa.

Noutra atividade, Ruth pede às crianças para andarem muito devagar e observarem o que se está a mover à sua volta. Geralmente, as crianças reparam primeiro nos movimentos maiores, como os de pássaros, e depois nos mais pequenos, como os de formigas. “Uma vez, uma brisa soprou e levantou centenas de folhas pelo ar”, diz Ruth. “Andávamos a pisar estas folhas há semanas, mas prestar atenção às folhas a flutuar por cima das nossas cabeças foi maravilhoso.”

Katy Bowman sugere uma caminhada para encontrar ingredientes para o chá, como agulhas de pinheiro ou de abeto, erva-príncipe ou hortelã, que podem ser usados para fazer chá de ervas.

No “Jogo da Câmara”, uma criança é o fotógrafo e a outra é a câmara. A câmara fecha os olhos e o fotógrafo guia a câmara para uma cena, como o tronco de uma árvore. Quando o fotógrafo dá sinal, a câmara abre os olhos e capta o máximo de detalhes possível. Dependendo da idade do seu filho, incentive-o a escrever ou a desenhar o que viu.

Deite-se de costas no chão, observe as nuvens a passar e descubra quais são as formas e imagens que encontra.

Para uma atividade em dias de chuva, Helene Gibbons sugere que se sente perto de uma janela aberta para ouvir a chuva durante alguns minutos. Depois, peça às crianças para fazerem um desenho que represente como se sentem.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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