Dicas para as crianças tirarem fotografias de vida selvagem como um profissional da National Geographic

As dicas dos nossos peritos vão abrir os olhos das crianças para a natureza.

Por C.M. Tomlin
Publicado 31/05/2021, 11:47 WEST
Lontra marinha e cria recém-nascida

A paciência para esperar pela fotografia certa pode ajudar os jovens fotógrafos a captar imagens como a desta lontra marinha e da sua cria recém-nascida em Monterey, na Califórnia.

Fotografia de Suzi Eszterhas

Pode não haver uma leoa a derrubar um antílope ou uma baleia-jubarte a invadir o seu quintal, mas ainda assim as crianças podem captar fotografias deslumbrantes de vida selvagem do outro lado da janela da cozinha. Esta também é uma ótima forma de incutir nas crianças o interesse pelo mundo natural.

“A fotografia expande o olhar de uma criança”, diz Suzi Eszterhas, que captou imagens de chitas, crias de leão e preguiças. “Quando as crianças reparam constantemente na beleza do mundo através das suas fotografias, isso abre a porta para um mundo secreto que geralmente não se apercebem que está lá.”

Antes de os pais darem o seu smartphone ou câmara às crianças, Suzi sugere que se estabeleçam algumas regras básicas. Primeiro, evite que as crianças se aproximem demasiado dos seus temas selvagens. (Qualquer criatura pode ser imprevisível quando está assustada, mesmo as mais fofinhas). Desencoraje as crianças de se aproximarem de crias de aves ou de lhes fazerem festas, pois isso pode manter a mãe afastada. E avise as crianças que, se um animal parar o que está a fazer, provavelmente são as crianças que o estão a alarmar.

Pedimos a fotógrafos de vida selvagem da National Geographic, como Suzi Eszterhas, para partilharem as suas dicas com os fotógrafos mais novos. Eis o que disseram.

Espere pelo momento certo. “A paciência é provavelmente a parte mais importante do meu trabalho”, diz Suzi. “Não podemos fazer com os animais ou insetos ‘façam coisas’, pelo que precisamos de paciência para deixar as coisas acontecer à nossa volta e aguardar.”

Incentive os seus filhos a sentarem-se em silêncio e a observar o que aparece. Quanto mais esperarem, maiores serão as probabilidades de pássaros, insetos ou lagartos aparecerem. “Passar uma hora a esperar que um pássaro ou esquilo faça uma coisa interessante pode resultar numa boa fotografia”, diz Suzi. “As coisas não vão ser sempre espetaculares, mas se passar tempo suficiente à espera, coisas boas acontecerão.”

Aprenda a observar. “Sou como um espião na selva”, diz Sandesh Kadur, Explorador da National Geographic que já fotografou um pouco de tudo, desde elefantes a serpentes-rei. “Não quero que os animais percebam que estou lá. Mas, ao sermos observadores, descobrimos camada após camada de detalhes intrincados sobre a vida de diferentes espécies.”

Ao observar silenciosamente as interações entre animais selvagens, as crianças podem captar momentos doces entre os animais, como estas pequenas crias de raposa-de-bengala a brincar fora da sua toca.

Fotografia de Sandesh Kadur

Peça às crianças para manterem um diário onde anotam todas as atividades dos animais que observam, para que possam descobrir o melhor momento para tirar determinadas fotografias. “As crianças podem sair todos os dias com os pais durante uma hora antes do pequeno-almoço e ver coisas semelhantes a acontecer, ou começar a ver como acontecem coisas diferentes em momentos diferentes”, diz Sandesh. “Quando começam a anotar estas coisas, os padrões começam a surgir.”

Aproxime-se um pouco mais todos os dias. Suzi diz que tornar-se uma parte não ameaçadora do cenário significa que alguns animais podem simplesmente ficar habituados à presença de fotógrafos. “Eu estava a tentar fotografar um covil de chacais-de-dorso-negro muito tímidos”, diz Suzi. “Passei 17 dias a habituá-los à minha presença, partindo do meu jipe a quilómetros de distância e aproximando-me aos poucos todos os dias.”

Se tiver uma criatura que visita regularmente o seu quintal, peça às crianças para tirarem fotografias à distância num dia, aproximando-se aos poucos nos dias seguintes à mesma hora. Em pouco tempo, a criatura pode não se importar de ser o modelo fotográfico da família. (Lembre-se de que as crianças precisam de estar atentas à forma como a sua presença afeta o animal – se ele se afastar ou parar o que está a fazer, o seu filho está demasiado perto.)

Descubra a melhor luz. “Queremos sempre encontrar um animal quando ele está mais ativo, mas também queremos encontrá-lo com boa luz”, diz Suzi. “Experimente acordar de manhã cedo, antes do nascer do sol, para obter a luz dourada dos primeiros raios de sol sobre um animal. O mesmo se aplica ao pôr do sol.”

Pense como um animal. Suzi sugere um pouco de investigação para assinalar o lugar adequado para fotografar, sobretudo se soubermos onde o tema irá estar. “Experimente deitar-se de barriga para baixo para captar um pássaro a alimentar-se ao nível do chão.”

Tirar fotografias ao nível dos olhos fornece às crianças uma perspetiva incrível para as suas imagens, como esta de uma mãe chita e da sua cria a descansar no Quénia.

Fotografia de Suzi Eszterhas

As crianças também podem pensar em ângulos criativos. Por exemplo, se as crianças sabem que um determinado pássaro pousa no mesmo ramo todos os dias, podem pensar em vários ângulos. Será que podem fotografar uma árvore de baixo para cima deitados de costas no chão? Podem sentar-se num ramo ali perto? Este tipo de pensamento criativo pode dar origem a fotografias únicas.

Esteja atento às fotografias de ação. As crianças podem não avistar dois rinocerontes a colidir com os chifres, mas um olhar atento pode descobrir grandes adversidades no reino animal. “Uma vez, eu estava a fotografar abelhas há alguns dias e percebi que uns insetos chamados besouros assassinos estavam à espera que as abelhas polinizassem as flores de catos”, diz Suzi. “Os besouros saltavam e apanhavam as abelhas.”

Para encontrar interações semelhantes entre vida selvagem, as crianças podem observar os bebedouros de pássaros para descobrir algumas brigas; uma teia de aranha também é um bom local para procurar ação, quando uma presa infeliz fica presa nas zonas de perigo dos aracnídeos.

Acerte no foco. Os smartphones focam de forma automática, mas os insetos podem voar para longe enquanto as crianças se tentam aproximar o suficiente para tirar uma fotografia. Sandesh Kadur sugere que se prepare com antecedência. Em vez de segurar inicialmente a câmara perto de um tema para o focar, as crianças devem tentar pré-focar antes de fotografar alvos pequenos.

Pré-focar a câmara de um telemóvel pode ajudar as crianças a captar fotografias complicadas de animais pequenos que raramente ficam parados, como este lagarto Anolis no Havai.

Fotografia de Sandesh Kadur

“Aponte a câmara ou telefone para a palma da sua mão”, diz Sandesh. “Concentre-se nas rugas da pele na palma da mão.” Depois, e isto serve para a maioria dos smartphones, mantenha o dedo no ecrã até que as letras AF/AE (para foco automático e exposição) apareçam, levantando depois o dedo. Com o foco bloqueado, pode captar os seus micro-temas sem ter de focar novamente – e capta todos os pequenos detalhes.

A camuflagem pode ser essencial. Misture-se com o ambiente que o rodeia e os animais podem nem sequer saber que está lá. “Se sabe que os pássaros vão ao alimentador todos os dias à mesma hora, pode camuflar-se perto de uma árvore ou arbusto”, diz Suzi. Esconda-se entre ramos ou agache-se entre dois arbustos. Os pássaros e esquilos não se irão assustar se não o conseguirem ver.

Transforme a fotografia em ciência. Sandesh diz que a fotografia de vida selvagem pode levar a feitos mais importantes. “Com o tempo, as crianças irão desenvolver uma espécie de base de dados no telefone, registando tudo o que estão a ver e a fotografar.”

Sandesh sugere que as crianças visitem bases de dados digitais – com a supervisão dos pais – como o site Merlin, do Laboratório de Ornitologia de Cornell, para identificar aves e adicionar as suas próprias observações. As fotografias de insetos, aranhas e formigas podem ser enviadas para o site iNaturalist, que ajuda os cientistas de investigação a recolher dados sobre plantas e animais da sua comunidade, vinculando-os a um número maior no mundo inteiro.

“As crianças estarão a contribuir para a ciência”, diz Sandesh. “Talvez a imagem dos seus filhos defina um novo registo para uma determinada área onde as pessoas nem sequer sabiam que existia uma pequena criatura. Ao documentar e contribuir, as crianças podem aumentar a compreensão científica sobre uma espécie.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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