Um quintal ‘para os pássaros’ também é ótimo para as crianças

Descubra também cinco formas de atrair mais amigos com penas para o seu quintal.

Publicado 7/05/2021, 13:23
Banho de pássaros

Pássaros azuis ocidentais desfrutam de um banho matinal em Chico, na Califórnia.

Fotografia de Barbara Rich / Getty Images

Aqui está algo que vale a pena “twittar”: estar perto de aves pode aumentar a felicidade da sua família. Um estudo alemão feito recentemente com mais de 26.000 europeus descobriu que as pessoas mais alegres vivem perto de áreas naturais com uma diversidade maior de espécies de pássaros.

E não é preciso saber a diferença entre um tordo-dos-boques e um pardal-de-garganta-branca – basta simplesmente ver e ouvir uma variedade de amigos emplumados.

Dado que as aves canoras, em particular, tendem a ser fofas e coloridas, parece natural que ter mais amigos destes por perto é uma coisa boa. Mas o catalisador de boa disposição não vem apenas dos pássaros, dizem os investigadores. Em vez disso, vem da riqueza de biodiversidade, ou variedade de vida, que se encontra nos lugares aos quais as aves chamam lar. Eis um vislumbre rápido sobre as razões pelas quais a natureza faz as crianças felizes, bem como algumas dicas para transformar o seu quintal num pequeno santuário de observação de aves.

Como a natureza contribui para a felicidade

“Vários estudos têm demonstrado que passar tempo ao ar livre na natureza, ou mesmo a observar a natureza pela janela, pode beneficiar o humor e a função cognitiva, para além de reduzir o stress e a ansiedade”, diz Greg Bratman, professor assistente de natureza, saúde e recreação na Escola de Ciências Ambientais e Florestais da Universidade de Washington.

Por exemplo, o estudo “comprimido da natureza” descobriu que uma pausa de 20 minutos na natureza pode reduzir significativamente os níveis de cortisol, a hormona do stress. E outros estudos, diz Greg Bratman, demonstraram impactos positivos semelhantes na frequência cardíaca, pressão arterial e outros aspetos do sistema nervoso autónomo.

É por isso que Greg, que liderou recentemente uma revisão de investigações que correlacionam o ambiente e bem-estar, incentiva as famílias a incorporarem a natureza nas suas vidas diárias.

“Os passeios por áreas naturais podem contribuir para o bem-estar”, afirma Greg. “Mas as experiências regulares perto da natureza também podem ter efeitos positivos.”

A ligação entre aves e biodiversidade

Porque é que as aves são tão importantes para a biodiversidade da natureza e, consequentemente, para a potencial felicidade da sua família? Por um lado, os pássaros são uma espécie indicadora, o que significa que funcionam basicamente como uma “luz de verificação do motor” para a biodiversidade. Quando algo está fora de sintonia na natureza, os pássaros alertam-nos para isso – geralmente desaparecendo – porque precisam de um ambiente saudável para sobreviver.

As aves não são obviamente o único indicador, mas como se encontram praticamente em todo o mundo e são fáceis de estudar, a sua presença – ou ausência – é uma boa forma para avaliar a variedade de vida que, de acordo com as investigações, pode melhorar o nosso estado de espírito.

Será que a biodiversidade sem pássaros teria o mesmo efeito? Por exemplo, ver muitos besouros – uma espécie indicadora em algumas partes do mundo – pode aumentar a felicidade? Ou será que há algo sobre as aves que desperta naturalmente alegria?

Os cientistas ainda estão a descobrir isso, diz Clint Francis, professor de biologia da Universidade Politécnica Estadual da Califórnia, que supervisionou recentemente um estudo que revela que ouvir o canto dos pássaros durante uma caminhada pode aumentar a nossa sensação de bem-estar. Os autores sugerem que isto se deve aos próprios sons e à perceção de que mais aves significa mais biodiversidade.

Clint Francis diz que uma das razões pelas quais as aves nos podem fazer sentir melhor pode estar relacionada como o modo como os nossos antepassados usavam o canto e o chilrear dos pássaros para terem noção do perigo.

“Acho que muitas pessoas se conseguem identificar com a experiência de caminhar por uma floresta – os pássaros cantam – e de repente fica tudo silencioso”, explica Clint. “O nosso subconsciente, e o de muitos animais, usa a audição passiva como um mecanismo de vigilância. Assim, este silêncio repentino alerta-nos de imediato para um possível perigo.”

Ouvir os pássaros também pode produzir efeitos positivos porque nos faz lembrar de outras experiências felizes na natureza. Isto porque a parte do cérebro – o lobo temporal – que processa as memórias também processa informações sensoriais, o que significa que uma visão, som, cheiro, sabor ou toque específicos podem tornar-se parte de uma memória. “O canto dos pássaros em particular pode sinalizar a chegada do bom tempo e que as duras condições do inverno ficaram para trás”, acrescenta Clint.

Embora ouvir mais aves a cantar seja bom para as pessoas, Clint diz que o ruído feito pelo homem é nocivo para os pássaros. Com base na sua investigação e noutros estudos, os sons indesejados – como o trânsito automóvel e os sopradores de folhas a gás – tendem a afastar as aves. Para além disso, mais ruído de fundo faz com que seja mais difícil ouvir as aves que já lá estão.

“Esta é provavelmente uma das razões pelas quais as pessoas relataram ter visto e ouvido mais pássaros durante os confinamentos de COVID-19”, explica Clint.

Portanto, diminuir o ruído mesmo que seja um pouco no seu quintal (por exemplo, usando equipamento para cortar a relva movido a bateria ou plantando sebes altas que atuam como barreiras naturais para o som) aumenta o número e a variedade de pássaros que a sua família pode ver, e melhora também a sua capacidade de os ouvir!

Cinco passos para atrair mais amigos com penas

Para trazer mais biodiversidade, aves e felicidade para a vida da sua família, crie um jardim habitat de vida selvagem com as crianças, diz David Mizejewski, naturalista da National Wildlife Federation e autor de Attracting Birds, Butterflies and Other Backyard Wildlife. Não importa o tamanho do espaço que tem ao ar livre, pode construir um habitat adequado para aves recorrendo a estas cinco etapas:

Plantas no quintal. “As plantas nativas são alimentadores naturais que fornecem a variedade de sementes, frutos, nozes e insetos que os pássaros comem”, diz David Mizejewski. Também pode usar alimentadores para aves – David sugere que se comece com sementes de girassol (os pássaros adoram!) – como fontes suplementares de alimento.

Adicione água. As aves precisam de água para beber e para se lavarem. Uma tigela com três a cinco centímetros de profundidade funciona bem. David sugere que se coloque a água numa área de observação onde as crianças possam registar as espécies de pássaros que veem num diário ou no site eBird, um site de ciência cidadã.

Crie esconderijos. As áreas densamente plantadas fornecem um lugar para os pássaros se protegerem de predadores e do mau tempo. “As crianças gostam de construir fortes e tocas, por isso, peça ajuda aos seus filhos para escolher os locais onde deve plantar”, diz David. As caixas-ninho (semelhantes às casas de aves, mas com um buraco em baixo) são ótimas para as noites frias. “Há caixas-ninho com poleiros onde cabem vários pássaros”, explica David. “O calor corporal das aves aquece a caixa.”

Arranje espaço para as crias. Para reproduzir e criar as suas proles, os pássaros precisam de locais para construir ninhos. Ajude-os plantando árvores e arbustos nativos, protegendo também os já existentes. “Muitas espécies constroem ninhos diretamente nos ramos, mas os que nidificam em cavidades usam buracos, muitas vezes antigos, ou buracos de pica-paus, nos troncos das árvores.” Se quiser fazer uma atividade divertida depois de as folhas caírem no outono, leve as crianças numa caça ao tesouro para ver onde é que as aves construíram os seus ninhos.

Regresse à natureza. Mantenha saudável o habitat que criou para a vida selvagem, evitando inseticidas e outros produtos potencialmente nocivos. E não se esqueça de manter os gatos dentro de casa para que não “regressem à natureza” e matem os pássaros!
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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