Aprender um novo idioma é bom para toda a família

Uma nova investigação revela que os adultos aprendem um novo idioma com a mesma facilidade que as crianças. Seguem-se algumas ideias para incluir a aprendizagem de idiomas na rotina da sua família.

Publicado 29/09/2021, 11:23
Mãe e filha - aprender novos idiomas

  

Fotografia de Sinenkiy / Getty Images

Numa caminhada pela natureza perto de casa em Carbondale, no Colorado, Rachel Mulry e os seus três filhos fazem a revisão de algumas palavras: verde (verde), naranja (laranja), rojo (vermelho). Esta família está a aprender a falar espanhol, e nomear as cores das folhas de outono que encontram é uma ótima oportunidade para praticarem as suas capacidades linguísticas.

Os cientistas sabem há muito tempo que aprender um novo idioma é bom para o desenvolvimento cerebral de uma criança. Ao reorganizar e criar novas ligações no cérebro, a aprendizagem de línguas pode ajudar as crianças a concentrarem-se mais facilmente, resistir às distrações, lidar melhor com tarefas que exijam a mudança de uma atividade para outra e ter melhor desempenho escolar.

Aprender um novo idioma também é benéfico para o cérebro de um adulto – e uma nova investigação sugere que não é assim tão difícil para os adultos aprenderem uma nova língua como os especialistas pensavam. Para além disso, mergulhar num novo idioma em família pode ser uma das formas mais eficazes – e mais fáceis – de aprender uma nova língua.

“Estamos em comunicação constante com a nossa família em casa”, diz Christine Jernigan, autora de Family Language Learning. “Tudo o que precisamos de fazer é mudar para o novo idioma e teremos parceiros de conversação integrados para praticar quando quisermos – sem necessidade de deslocações diárias ou de uma sala de aula.”

Portanto, quer aprender um novo idioma em família? Seguem-se algumas ideias para tornar a aprendizagem de um novo idioma na atividade favorita da sua família.

Os benefícios cerebrais de aprender um idioma

O cérebro humano contém áreas de massa cinzenta que processam diferentes tipos de informação, bem como tratos de massa branca, que se ligam às áreas de massa cinzenta. O neurocientista John Grundy faz a seguinte analogia: “Pense na massa cinzenta como se fossem pequenas cidades e nos tratos de massa branca como as estradas que as ligam.”

John Grundy, especialista no estudo do bilinguismo, diz que, quando uma criança aprende um novo idioma, é como se estivesse a construir estradas de uma parte do cérebro para as “cidades” que ainda não estavam ligadas.

“Quanto mais tratos de massa branca, ou estradas cerebrais, tivermos, mais cidades, ou áreas de massa cinzenta do cérebro, temos para nos ligarmos”, diz John. As boas notícias? Mais ligações entre a massa branca e cinzenta levam a benefícios como capacidades aprimoradas de memória, maior concentração e melhor autocontrolo nas crianças.

Mas há notícias ainda melhores. Os adultos também podem obter benefícios cognitivos semelhantes quando aprendem um novo idioma. Um estudo de 2018 realizado por John Grundy e pelos seus colegas descobriu que aprender um novo idioma também pode melhorar as ligações de massa branca nos adultos.

“Não é verdade que os cérebros adultos já não desenvolvem novas ligações”, diz John.

E para os pais que pensam que é impossível os adultos aprenderem novos idiomas, os investigadores da Universidade do Kansas discordam. Num estudo feito recentemente que media a atividade cerebral em alunos adultos da língua espanhola – à medida que estes processavam a gramática – os cientistas encontraram respostas cerebrais semelhantes às de um falante nativo.

“Portanto, os adultos podem usar as partes do cérebro que já conhecem bem uma língua para aprender outra”, diz Robert Fiorentino, coautor do estudo e professor de neurolinguística.

Como aprender um novo idioma em família

De acordo com Christine Jernigan, os adultos provavelmente têm dificuldades com novos idiomas porque não têm as mesmas oportunidades de imersão que as crianças têm quando estão na escola. Mas um estudo publicado na revista Journal of Child Language descobriu que, quando crianças e adultos têm as mesmas experiências de aprendizagem – quer seja numa sala de aula ou noutro ambiente comunitário – a taxa de desenvolvimento das suas capacidades linguísticas é relativamente igual.

Portanto, é normal que, quando crianças e adultos aprendem um novo idioma juntos em família, consigam aprender mais depressa. Por exemplo, Christine refere que falar e ouvir um idioma constantemente é essencial para a sua aprendizagem. E quem melhor para o fazer do que as pessoas com quem estamos constantemente?

Christine acrescenta que os alunos de línguas precisam de ser corajosos e estar dispostos a cometer erros, algo que é mais fácil de fazer com a nossa família do que numa sala de aula cheia de estranhos.

Como é que incorporamos a aprendizagem de idiomas na vida quotidiana da nossa família? Eis algumas ideias para tornar a aprendizagem de outro idioma numa experiência familiar contínua.

Seja prático. “As pessoas aprendem melhor um idioma quando usam esse idioma de formas que se relacionam com as suas vidas”, diz Alison Gabriele, professora de linguística e coautora do estudo da Universidade do Kansas. Por exemplo, a família de Rachel Mulry adora cozinhar em conjunto, pelo que começaram a aprender palavras e frases para designar os alimentos e as tarefas na cozinha, e fazem listas de compras na segunda língua.

Se a sua família gostar de jardinagem, faça etiquetas divertidas para as plantas e ferramentas noutro idioma. Nas caminhadas, ou mesmo durante um passeio pelo bairro, diga os nomes dos animais e dos elementos da natureza que vê durante o passeio familiar. Tente falar apenas na outra língua durante esta atividade.

Faça amigos. Lyn Wright, professora na Universidade de Memphis, especializada em aprendizagem de línguas e bilinguismo, destaca que uma das melhores formas de aprender uma nova língua é praticar a falar com outras pessoas, quer sejam falantes nativos ou estejam a aprender. Para encontrar grupos, verifique na sua faculdade ou universidade local. Muitas universidade têm clubes de idiomas que organizam almoços regularmente ou encontros para pessoas que praticam um novo idioma – e muitas vezes gostam de incluir crianças. Os festivais e espetáculos culturais são outra oportunidade para conhecer famílias que falem outras línguas.

Tire apontamentos. Um idioma não se trata apenas de falar; também é ler e escrever. Incentive a sua família a trocar mensagens de texto noutra língua. E também se podem surpreender uns aos outros com apontamentos deixados sobre almofadas, espelhos ou no interior de gavetas – em qualquer lugar que sejam encontrados.

Jogos de idiomas. A família de Rachel Mulry gosta de jogos de tabuleiro e usa o idioma alvo. Podemos até fazer isto com jogos que não exijam muita conversação – com jogos de tabuleiro como o xadrez ou o Monopólio, por exemplo. Podemos anunciar os nossos movimentos (“Vou andar três espaços...”) ou dizer de quem é a vez noutro idioma.

A sua família também pode experimentar jogos de tabuleiro ou cartas que sejam populares nas culturas do idioma alvo. Lyn Wright sugere uma pesquisa online para descobrir quais são esses jogos.

Planeie uma noite de cinema. Ver filmes noutro idioma pode ajudá-lo a ter uma noção de como o idioma é usado por falantes reais. Torne as coisas divertidas com uma noite de cinema semanal onde vê um filme falado no idioma de destino. Lyn recomenda a definição das legendas para o idioma de destino, para conseguir visualizar as palavras que está a ouvir.

Também pode procurar programas de televisão num idioma estrangeiro ou ver novamente os seus programas favoritos com legendas noutro idioma.

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

Continuar a Ler

Descubra Nat Geo

  • Animais
  • Meio Ambiente
  • História
  • Ciência
  • Viagem e aventuras
  • Fotografia
  • Espaço
  • Vídeos

Sobre nós

Inscrição

  • Revista
  • Registrar
  • Disney+

Siga-nos

Copyright © 1996-2015 National Geographic Society. Copyright © 2015-2017 National Geographic Partners, LLC. Todos os direitos reservados