10 Segredos para identificar árvores

Transforme os seus filhos em detetives de árvores – e guardiões das mesmas – com estas atividades divertidas.

Por Claire Trageser
Publicado 13/04/2022, 10:16
Identificar árvores

    

Fotografia por stockstudioX / Getty Images

Observar e identificar árvores é um tipo de brincadeira que beneficia as crianças de várias formas. Para começar, há um estudo que demonstra que basta estar perto de árvores para melhorar o desenvolvimento cognitivo e reduzir o risco de problemas emocionais e comportamentais. “Como há mais árvores para ver visualmente, olhamos menos para os ambientes urbanos”, diz Mikael Maes, investigador da Universidade College de Londres que fez o estudo.

(As árvores da cidade podem ser benéficas para os cérebros das crianças.)

Para além disso, identificar árvores ensina as crianças a serem observadoras e, consecutivamente, a preocuparem-se com as árvores e com o ambiente natural mais vasto, diz Timothy Beatley, investigador especializado em cidades sustentáveis e autor de Biophilic Cities.

“Compreender as diferenças na forma entre uma folha de carvalho-branco e uma folha de carvalho-vermelho desenvolve uma noção de competência, realização e orgulho”, diz Timothy. “As crianças devem tornar-se parte da comunidade que protege as árvores que as rodeiam.”

Os pais não precisam de ser especialistas para inspirar os filhos a observar mais de perto as árvores. As árvores contêm inúmeras pistas que revelam quem são, e um pouco de trabalho de detetive pode decifrar os seus segredos. Seguem-se 10 ideias para começar.

Procure folhas. Há muitas folhas – por exemplo, desde tulipeiros, salgueiros e árvores ginkgo – que têm formas invulgares que podem denunciar imediatamente o tipo de árvore. Outras folhas oferecem apenas algumas dicas: agulhas longas indicam pinheiros, e as folhas de ácer têm uma forma distinta de cinco pontas.

A forma distinta de uma folha de ácer pode ajudar as crianças a identificar a árvore.

Fotografia por Vasilyev Alexandr / Getty Images

 

As folhas ovais mais simples também contêm pistas. E se as folhas crescerem diretamente em frente umas das outras num ramo, podemos estar a olhar para uma nogueira-preta ou uma árvore de goma doce. As árvores cujas folhas crescem em espaços alternados nos ramos incluem freixos, bétulas e plátanos.

Siga o seu nariz. Algumas árvores têm aromas distintos, sobretudo se partir os ramos e sentir o cheiro. Os tulipeiros têm um aroma picante, as raízes de sassafrás podem cheirar a cerveja artesanal, e o fruto das árvores ginkgo tem um cheiro... horrível.

Descasque uma árvore. O sentido de tato de uma criança também pode ajudar a identificar uma árvore. Por exemplo, as árvores com uma casca lisa e ininterrupta podem ser faias ou eucaliptos; as que têm partes a descascar podem ser plátanos ou bétulas.

 

Estes buracos em forma de diamante na casca – chamados lenticelas – são encontrados nos álamos-trémulos.

Fotografia por Nadya So / Getty Images

As próprias extremidades da casca podem oferecer algumas pistas: a casca do freixo-branco tem cumes verticais que se cruzam, mas a casca do carvalho-vermelho do norte tem cumes verticais ininterruptos. A casca do carvalho-branco tem sulcos horizontais.

E também há cascas que parecem escamas, o que sugere um pinheiro ou abeto; e os buracos em forma de diamante na casca – chamados lenticelas – são encontrados nos álamos-trémulos.

Os abetos-azuis do Colorado podem ser identificados pela sua forma de pirâmide.

Fotografia por Korvit78 / Getty Images

Assimile a forma. Dê um passo atrás e observe a forma geral de uma árvore. As árvores que crescem em colunas longas e altas podem ser ciprestes italianos, choupos da Lombardia ou carvalhos-pirâmide. As árvores em forma de pirâmide ou cone incluem o abeto-azul do Colorado, o abeto de Fraser e o cedro-vermelho-ocidental. As árvores com um formato arredondado podem ser plátano do açúcar, pereira de Bradford ou freixo-americano.

Procure frutos ou nozes. Nem todas as árvores dão frutos ou nozes, mas podem oferecer sinais reveladores para as árvores que o fazem. As árvores de fruto que se parecem com amoras e têm folhas serrilhadas são amoreiras. As faias têm nozes com cascas cobertas de espinhos.

Os zimbros são diferentes dos pinheiros – não têm aquela aparência típica em forma de cone – mas aparentam ter bagas azuis. Os abetos de Douglas têm cones mais distintos do que os outros pinheiros, com brácteas com “cauda de rato” que parecem línguas de três pontas a sair das escamas dos cones.

As flores dizem muito. As flores de uma árvore também podem ajudar na sua identificação. Por exemplo, algumas árvores da espécie Cornus e alfarrobeiras negras têm flores brancas – mas as flores da alfarroba negra crescem em cachos e as flores das árvores Cornus estão espalhadas por toda a parte.

As cerejeiras têm flores cor-de-rosa muito distintas; as magnólias pires têm flores brancas, rosa, roxas ou lavanda que parecem açafrões a crescer na árvore. As crianças também devem olhar para baixo – as árvores jacarandá têm flores roxas bonitas que deixam uma substância pegajosa em torno da árvore.

Experimente tecnologia de árvores. Usar uma aplicação pode parecer batota, mas algumas aplicações são projetadas para ajudar as crianças a identificar as árvores através de uma série de perguntas com respostas simples que ensinam capacidades de observação, e como fazer novas identificações sem a ajuda da tecnologia. Aplicações como a PictureThis, PlantSnap e Seek pedem para tirarmos uma fotografia da árvore e da casca; as famílias também podem registar quantas espécies diferentes é que conseguem identificar.

Nos Estados Unidos, a Fundação Arbor Day também pode ajudar a identificar árvores com um sistema de perguntas e respostas que distinguem as diferenças. Para além disso, muitas cidades têm grupos organizados localmente que fazem excursões de identificação de árvores, ou têm áreas designadas onde as árvores estão identificadas para as pessoas poderem aprender os seus nomes e discernir as suas características distintas.

Encontre uma obsessão. As crianças podem recusar-se a identificar todas as árvores, mas escolher uma espécie de especialização em apenas um tipo de árvore pode ajudar as crianças a interessarem-se mais e, dessa forma, também ficam com mais noção de pertença, diz Nancy Ross Hugo, escritora sobre vida ao ar livre e autora de Seeing Trees. Uma forma de o fazer é combinar as características de uma árvore com a personalidade de uma criança. “Assim, ligamos a criança a uma árvore que, por algum motivo, nos faz lembrar dela”, diz Nancy Hugo. “Uma criança cresce tão depressa quanto um álamo, ou é firme como uma nogueira, ou graciosa como um salgueiro.”

As crianças podem reparar nas diferenças sazonais nas árvores, como acontece com esta cerejeira durante a primavera, o verão, o outono e o inverno.

Fotografia por rotofrank / Getty Images

Estabeleça a cronologia de uma árvore. Uma coisa é identificar uma árvore durante a primavera, mas saber qual é a aparência dessa árvore nas outras épocas do ano também é uma parte importante da observação. Timothy Beatley sugere um exercício que ele próprio faz com os seus estudantes universitários: sente-se debaixo da mesma árvore todos os dias (ou semana, ou mês) e observe as diferenças. Peça às crianças para desenharem a árvore em diferentes estações do ano, em diferentes horas do dia, e apanhe as suas folhas ao longo do ano para perceber as diferenças.

Renomeie uma árvore. Nancy Hugo diz que a identificação de árvores não precisa de se cingir apenas a descobrir os nomes. Pode ser mais sobre inspirar o interesse de uma criança pela natureza e estimular o seu sentido de observação e curiosidade. Ver, tocar ou cheirar uma árvore pode dizer muito mais às crianças sobre uma árvore do que o nome.

“Assumimos que, quando sabemos o nome de algo, sabemos o que é”, diz Nancy. “Mas não é necessariamente assim.”

Por exemplo, os pais podem perguntar às crianças coisas como: Se fosses a primeira pessoa na Terra a ver esta árvore, que nome lhe darias? E davas esse nome pela sensação da casca, ou a aparência das suas flores, ou pela maneira como cresce? Ou é um nome baseado na forma da árvore ou formato das folhas? Estas questões fazem com que as crianças observem primeiro – e depois logo se preocupam com o nome.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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