Como fazer uma caça aos fósseis com as crianças

As escavações de dinossauros e outras “investigações” podem ser aventuras épicas. Eis o que precisa de saber para transformar as crianças em paleontólogos amadores.

Por Lindsay N. Smith
Publicado 10/05/2022, 11:46
fóssil, rapariga

   

Fotografia por Martin Bowra, Dreamstime

Os dinossauros têm algo de especial. São grandes, misteriosos e desapareceram – em grande parte – há muito tempo. “A paleontologia é um pouco como montar um puzzle do passado”, diz Kristen Olsen, coordenadora de conteúdos do Museu Americano de História Natural em Nova Iorque. “É uma coisa um pouco misteriosa e depende muito da descoberta.”

Levar as crianças a procurar localmente por fósseis e artefactos pode ser uma jornada épica – e pode inspirar a curiosidade e o sentido de exploração nas crianças. Eis o que precisa de saber para começar uma expedição júnior de caça aos fósseis, incluindo cinco atividades extra para as crianças que gostam de vida antiga.

O que é exatamente um fóssil?

Os pais podem ficar descansados, porque não precisam de saber tudo antes de começar. Ainda assim, um pouco de conhecimento pode colocá-los no caminho certo – e os filhos vão pensar que os pais são uns génios.

Basicamente, um fóssil é um remanescente de vida antiga. “São os restos de uma planta ou animal extinto ou algum vestígio do seu comportamento, como uma pegada ou fezes fossilizadas”, explica o paleontólogo Scott Sampson, diretor da Academia de Ciências da Califórnia e autor do livro You Can Be a Paleontologist! da National Geographic Kids.

Os corpos fósseis, como os ossos, são os restos verdadeiros de uma criatura; os vestígios fósseis são sinais da criatura, como impressões deixadas por penas. A fórmula básica para criar um fóssil é mais ou menos esta: um ser vivo morre, as partes moles decompõem-se, as rochas sedimentares formam-se em cima do que sobra e a água penetra nos ossos e dentes para os transformar em pedra. Por vezes, a água dissolve os ossos ou a concha de um animal e deixa uma impressão nas rochas.

fóssil, morcego, folha
Esquerda: Superior:

Os restos verdadeiros de uma criatura, como este morcego petrificado em calcário em exibição no Museu Real de Ontário, em Toronto, chamam-se corpo fóssil.

Fotografia por Roberto Machado Noa, LightRocket via Getty Images
Direita: Inferior:

As impressões de coisas que já viveram, como esta folha, chamam-se vestígios fósseis.

Apesar de os dinossauros receberem a maioria das atenções, grande parte dos fósseis são na verdade outra coisa, como trilobites do mar e insetos antigos selados em âmbar. Ainda assim, todos os fósseis constroem uma ponte importante entre o passado e o presente. “Qualquer fóssil que encontremos ajuda a lembrar-nos de que fazemos parte desta narrativa”, diz Scott Sampson.

Como começar

O equipamento adequado não serve apenas para alimentar o entusiasmo das crianças, também adiciona alguma seriedade à expedição. Leve uma mochila com uma pá, um pequeno martelo ou cinzel e pincéis para escavar os achados. Leve um caderno, lápis e uma câmara para documentar. Não se esqueça de levar protetor solar, água, comida e chapéu, pois muitos dos locais que contêm fósseis não oferecem muita sombra.

Os melhores locais para procurar fósseis variam de acordo com a região, por isso ajuda fazer antecipadamente algum trabalho de investigação. “É preciso ter rochas sedimentares [ou seja, rochas que foram formadas por depósitos de sedimentos], e estas precisam de estar expostas”, diz Scott Sampson.

Muitas vezes, estes locais são zonas onde um antigo rio inundou e depois recuou no canal, deixando para trás camadas de xisto, arenito ou calcário e, com tudo isto, fósseis. Para encontrar locais que possam conter fósseis, verifique um levantamento geológico ou um mapa paleogeográfico.

Procure locais onde rochas muito antigas possam estar à superfície. As florestas cheias de terra ou os locais recém-arborizados dificultam esta tarefa. Os terrenos baldios, pedreiras ou espaços onde a terra foi dividida – como por exemplo as zonas onde as estradas estão cortadas nas montanhas ou em penhascos ao longo dos rios – são ótimos locais.

Evite os parques nacionais, a menos que se esteja a aventurar num parque que permita especificamente a recolha de fósseis. Evite também as propriedades privadas ou os espaços públicos onde qualquer tipo de escavação pode ser problemático, como por exemplo nos campos desportivos.

Começar a caça

Quando se trata de uma caça amadora aos fósseis, as crianças têm uma vantagem natural: estão mais próximas do solo, têm uma visão melhor e são naturalmente curiosas sobre o ambiente que as rodeia. “As crianças são cientistas naturais”, diz Ilana April, diretora do departamento de educação infantil do Museu Americano de História Natural. “As crianças nascem com uma curiosidade natural sobre o mundo que as rodeia.”

Como é óbvio, as probabilidades de uma criança tropeçar num crânio gigante de dinossauro são extremamente reduzidas. Na realidade, como existem tantos tipos de fósseis, é difícil para os próprios especialistas descrever exatamente o que procurar. É por isso que Ilana April sugere que as crianças devem começar a sua busca simplesmente ao olharem de forma paciente e cuidadosa para o terreno. “Uma das ferramentas mais importantes que os cientistas têm são os olhos”, diz Ilana April.

Depois, é preciso ficar atento a padrões e texturas interessantes. “Eu procuro simetria”, diz Paul Mayer, paleontólogo e diretor do departamento de coleções de fósseis invertebrados do Museu Field de Chicago. “É bom treinarmos os olhos para procurar linhas bonitas.”

Por exemplo, muitos fósseis de conchas têm uma simetria bilateral, ou seja, a parte esquerda é uma imagem espelhada da direita. Contudo, noutras situações, a textura é mais importante.

fóssil, concha, gingko
Esquerda: Superior:

Quando procuram fósseis, as crianças devem tentar encontrar padrões e texturas nas rochas, como acontece com esta concha.

Fotografia por Chris Griffiths, Getty Images
Direita: Inferior:

Uma folha fóssil de gingko encontrada no Dakota do Norte.

Fotografia por Phil Degginger, Alamy

“A porção fóssil de uma rocha pode ser lisa ou ter uma cor diferente do resto”, diz Paul Mayer. “É algo que pode saltar à vista, como um pedaço de chocolate que caiu na massa de um bolo. Por vezes, também podemos encontrar um fóssil separado da rocha, mas geralmente os fósseis estão embutidos na rocha.”

Se o seu filho encontrar algo promissor, peça-lhe para usar a pá para desenterrar as pedras mais soltas; o martelo ou o cinzel para quebrar as porções de rocha que possam expor um fóssil, e a escova para limpar quaisquer detritos ou poeira.

Um paleontólogo usa um pincel e cinzel para escavar um fóssil.

Quando descobrem algo, as crianças devem documentar a localização e a data da descoberta – e fazer uma descrição da rocha em torno da mesma. “Alguém pode vir a descobrir qual é a espécie ou o tipo de fóssil, mas sem isso, nunca irão saber onde é que foi encontrado”, diz Paul Meyer.

As crianças podem depois tentar descobrir se a sua descoberta é realmente um fóssil – e, em caso afirmativo, descobrir o que é exatamente. Se as crianças acharem que é um osso de dinossauro, basta tocar com a língua no osso. Os ossos colam-se à língua, ao passo que uma rocha não. Para fazer uma investigação mais aprofundada, as crianças também podem tentar seguir as fontes tradicionais, como livros ou – com a supervisão dos pais – a internet e as comunidades de caça a fósseis como o museu digital My Fossil.

A lição mais importante da caça aos fósseis é nunca desistir. “Nunca sabemos o que vamos encontrar”, diz Paul Mayer. “Quanto mais rochas observarmos e manusearmos, maiores serão as probabilidades de encontrarmos um fóssil.”

 

Para além da caça aos fósseis

Descobrir o mundo dos dinossauros e dos seres vivos da antiguidade não se limita apenas a escavações. Eis mais cinco atividades para se ligar ao passado.

Encontre os dinossauros vivos. Surpreenda os seus filhos com este simples facto: os dinossauros existem atualmente na forma de pássaros. Leve os filhos a fazer uma observação de aves e veja se as crianças conseguem encontrar semelhanças entre os dinossauros dos livros e os das árvores.

Procure plantas antigas. “Algumas das espécies de plantas que crescem atualmente já existiam durante a Idade do Gelo e eram comidas por preguiças e mamutes gigantes”, diz Kristen Olsen. Procure árvores como a laranjeira-de-osage, magnólias, abacates e até fetos, depois imagine o tipo de criaturas que as podem ter comido há milhões de anos.

Descubra os fósseis do futuro. Os insetos continuam a ficar retidos na seiva das árvores, debaixo de uma rocha ou no alcatrão (mesmo que seja apenas na nossa garagem). Peça às crianças para procurarem fósseis em formação para comparar com versões mais antigas.

Crie um registo fóssil. Se a descoberta do seu filho estiver num espaço protegido – ou se simplesmente não quiser um monte de pedras a sujar a casa – crie uma recordação com uma técnica à moda antiga. Segure uma folha de papel contra uma porção única da pedra e esfregue um lápis de cera nessa secção, marcando a parte saliente. (Mesmo que as crianças não encontrem um fóssil, fazer esta atividade com coisas como casca de árvore, folhas ou a textura de rochas continua a ser uma ótima forma de captar uma aventura.)

Observe os padrões da natureza. Os paleontólogos usam os achados fósseis para compreender o comportamento dos seres vivos antigos. Peça às crianças para usarem as suas próprias capacidades de investigação – e um pouco de criatividade – para seguir as pistas que as criaturas da atualidade podem deixar para trás. Por exemplo, bolotas partidas ou fezes podem significar um ninho de esquilo nas proximidades.


Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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