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10 Estações do Metro de Moscovo que Surpreendem pela Elegância

A opulência destas estações de metro foi pensada para levar às pessoas autênticos palácios. Sexta-feira, 20 Abril

Por Christine Blau
Fotografias de Jeff Heimsath

Na capital russa, todos os dias, os habitantes deslocam-se com a regularidade própria de um relógio, através de um labirinto subterrâneo recheado de tesouros. Grandes paredes de mármore sustentam mosaicos revestidos com folha de ouro, esculturas de líderes caídos e cenas pintadas da história da Rússia sob candelabros de cristal. Ao contrário da sujidade que caracteriza os sistemas de transporte de muitas cidades mundiais, o metropolitano de Moscovo transporta-nos numa viagem a uma época antiga, mas não esquecida, da história da Rússia, que procurava levar os palácios até às massas.  

O sistema ferroviário subterrâneo abriu ao público em 1935 como um projeto da propaganda soviética. Formaram-se multidões para assistir às paradas que serpenteavam pelos túneis e às atuações do coro do Teatro de Bolshoi, com o propósito de assinalar a construção das primeiras treze estações, celebradas como um avanço tecnológico sobre as sociedades capitalistas menores.

Contudo, a pompa que envolveu a inauguração ocultava algumas irregularidades.

Segundo um arquiteto e especialista em desenvolvimento urbano da antiga União Soviética, Phillip Meuser, “As dificuldades de construção, o trabalho forçado, os acidentes e o financiamento desproporcionado – sem o qual esta arquitetura, tipo toupeira escondida, nunca teria saído do papel – são quase uma memória distante.”

Ao invés, a opulência da arquitetura antecipava um futuro brilhante para o país. O professor Mike O’Mahony, que investiga o design da União Soviética durante o período entre as duas guerras mundiais, explica: “Durante os anos 30, o metro tornou-se numa das principais arenas de produção e consumo da cultura visual do regime, tendo sido contratados alguns dos arquitetos, escultores e artistas mais respeitados da nação para projetar e decorar as estações de metro. Para o estado soviético, o projeto do metropolitano de Moscovo tornou-se assim no veículo perfeito através do qual a divulgação artística poderia mudar, dramaticamente, da esfera privada para a esfera pública.” Com a produção artística sob controlo estatal, os públicos vizinhos permitiram que o regime espalhasse a sua ideologia por toda a parte.

Atualmente, a rede do metropolitano de Moscovo estende-se por 354 km ao longo de 212 estações, ocupando a sexta posição na classificação das redes mais extensas do mundo. Sem grafites ou quaisquer evidências de vandalismo, a rede de metropolitano continua a ser um motivo de orgulho para os moscovitas. Os turistas podem juntar-se à multidão de habitantes que vagueiam, diariamente, por este labirinto-museu subterrâneo ou participar em visitas culturais, explorando a arquitetura das várias estações. Seja qual for a última paragem, o metro conduz toda a gente rumo à revolução socialista.

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