Fotografia

Os Estados Fraturados da América

O fotógrafo Peter van Agtmael apresenta um mosaico maravilhosamente sombrio de um país em busca de si mesmo. Friday, June 1, 2018

Por Alexa Keefe
Fotografias Por Peter van Agtmael
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Peter van Agtmael tinha 20 anos a 11 de setembro de 2001. À semelhança de muitos americanos que atingiram a maioridade nesse ano, os ataques mudaram a sua perceção do mundo. Van Agtmael passou a década seguinte refletindo sobre as questões da raça, nacionalidade, história e classe. Enquanto fotógrafo, van Agtmael integrou primeiro as tropas norte-americanas nos campos de batalha, no Iraque e no Afeganistão, tendo regressado, posteriormente, para acompanhar as vidas e as famílias dos soldados feridos em combate.  

Mas van Agtmael apercebeu-se de que, para compreender mais a fundo a forma como a América tinha mudado nos anos após o 11 de setembro, tinha de ir mais além do universo insular da vida militar.

Em 2009, van Agtmael continuou o trabalho de investigação, que se estendia agora aos 50 estados que integram a América. Ele e um amigo embarcaram naquela que seria a primeira de muitas viagens em estrada para conhecer pessoas e ouvir as suas histórias. A abordagem de van Agtmael era descontraída. Ele não queria estar condicionado por um plano predefinido, mas antes estar recetivo ao acaso para que o resultado fosse espontâneo e cru. E esperava, no curso do processo, comunicar através da imagem as emoções intrincadas que sentiu. Van Agtmael ficou aliviado por estar fora de uma zona de guerra, mas consternado com a melancolia que viu nas margens da sociedade.

“Aquilo que encontrei vezes e vezes sem conta e que me desconcertou foi descobrir o quão alheado está o americano médio daquilo que se passa no mundo em geral”, afirma, e o quão radicalmente diferente era a visão das pessoas sobre a política, as celebridades e os média da sua própria experiência pessoal.

No exterior de uma lavandaria, em Gainesville, no estado da Flórida, em 2013.

Algumas pessoas foram fotografadas, após van Agtmael lhes ter dedicado algum tempo para as conhecer. Outras foram fotografadas num momento de oportunidade, ao cruzar-se com elas na rua. Van Agtmael refere-se às suas fotografias como “cartas de amor dirigidas à América”, cada uma com uma paisagem diferente de serenidade ou um retrato de um país dividido e fraturado.

O resultado destas viagens está compilado no livro que van Agtmael acaba de lançar, sob o título Buzzing at the Sill. O tom predominante pode ser entendido como desolador, mas a intenção do fotógrafo é a de dar a conhecer um país que se compõe de partes diferentes. Alguns momentos são mundanos, outros reconfortantes, cómicos ou inquietantes. Mas todos encerram uma carga emocional, oferecendo aos leitores uma pequena fatia da América que imaginavam diferente.

"O trabalho é um mosaico”, afirma van Agtmael. “Mesmo que reflita a melancolia, é ainda assim um tributo à América.”

Van Agtmael não obteve uma resposta definitiva à sua interrogação sobre aquilo em que se tornou a América nos anos posteriores ao 11 de setembro, mas essa pode ser exatamente a resposta. Após terminar as suas viagens, van Agtmael tende menos à generalização do que nos anos que antecederam este trabalho. Não existe uma só América. Cada um de nós move-se pelas suas próprias necessidades contraditórias, perceções, circunstâncias e convicções. Em suma, somos simplesmente humanos.

Saiba mais sobre o trabalho de Peter van Agtmael no seu website e siga-o no Instagram.

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