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6 Factos Surpreendentes que Não Sabia Sobre a Coreia do Norte

Enquanto aguardamos pelo resultado daquilo que podem ser umas tréguas entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, continuamos com alguma curiosidade sobre como se vive no país.Friday, June 8, 2018

Por Heather Brady
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O mundo não sabe muito sobre a Coreia do Norte, muito por causa do intenso controlo do regime sobre os seus cidadãos e pela atitude desconfiada em relação a estrangeiros. Mas lentamente emerge uma imagem de como é o dia a dia dos norte-coreanos, através de imagens de satélite, dos cidadãos norte-coreanos que conseguiram fugir para outros países e do reduzido número de pessoas que conseguiram visitar o país.

Ao observarmos do espaço, por exemplo, percebemos que os norte-coreanos têm experienciado um fornecimento de eletricidade noturno inconsistente, um pouco por todo o país, nas últimas décadas. Outros vislumbres têm-nos mostrado que uma fome devastadora dura há já algumas décadas e foi responsável por cerca de três milhões de mortes e a continuação de um legado de fome.

Eunsun Kim, que conseguiu escapar com a sua mãe quando tinha 11 anos, afirma que a doutrinação a que o país submete as pessoas começa no momento do nascimento de um cidadão norte-coreano.

“Foram-nos feitas lavagens cerebrais mesmo quando ainda estávamos nas barrigas das nossas mães”, diz. “Mais de 90% das canções que fomos forçados a cantar eram sobre a família Kim ou sobre o Partido dos Trabalhadores. A adoração à família Kim é normal.”

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Saiba mais sobre este país, famoso pela sua fortificação, através das fotografias, vídeos e artigos que recolhemos com o intuito de levantar o véu da vida quotidiana de uma zona do mundo pouco conhecida.

1. A COREIA DO NORTE TEM UMA HISTÓRIA QUE VALE A PENA CONTAR

Este vídeo sobre a Coreia do Norte fala-nos um pouco sobre a sua história. E também sobre Pyongyang, uma cidade cheia de edifícios em tons pastel organizada ao longo de um rio serpenteante.

2. O EXÉRCITO FAZ PARTE DA VIDA QUOTIDIANA DOS RESIDENTES (ESTÁ PROFUNDAMENTE ENRAIZADO)

“Estão por todo o lado. Não são apenas a defesa do país, são parte da identidade norte-coreana”, afirma David Guttenfelder, fotógrafo da National Geographic.

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Os soldados estão envolvidos no desenvolvimento e nas infraestruturas dos projetos, e Guttenfelder conseguiu captar a sua importância na vida quotidiana de Pyongyang. Guttenfelder, um dos poucos ocidentais a quem foi permitido passar extensas temporadas na Coreia do Norte desde 2000 até agora, foi convidado para a apresentação anual dos Mass Games, bem como para as manifestações militares altamente coreografadas de soldados em passo de ganso e de artilharia em parada.

Todos os participantes no evento têm um papel a desempenhar, incluindo os espectadores, que utilizam livros de páginas coloridas que vão virando para formar grandes mosaicos nas bancadas. As imagens são geralmente homenagens aos líderes do país, ou ao exército em geral.

3. EM PYONGYANG, EXISTEM VISLUMBRES DE BELEZA

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Estas imagens da autoria de Ed Jones captam norte-coreanos à espera numa paragem de autocarro da capital, Pyongyang. E se as suas expressões aborrecidas espelham um sentimento que se reconhece em frequentadores de autocarros um pouco por todo o mundo, as paragens em si são um pouco diferentes na Coreia do Norte. Em vez de anúncios de desporto ou de graffiti, têm paisagens naturais ou urbanas, frequentemente com vistas de grande beleza.

O autocarro é, sem dúvida, o meio de transporte mais comum nesta capital que conta com cerca de três milhões de habitantes, com uma extensa rede de cobertura da cidade onde o acesso a carros próprios é raro. Os bilhetes custam 5 won cada (0,00463953 euros), o que faz com que as viagens sejam quase gratuitas.

4. UM DOS VULCÕES DA PENÍNSULA PODE ENTRAR EM ERUPÇÃO

As nuvens passam sobre a Montanha Paektu, numa perspetiva a partir da província de Ryanggang, em junho de 2014.

Salpicada de vilas e mirtilos, a bonita e sagrada Montanha Paektu tem registado alguma atividade nos últimos anos, facto que impulsionou o esforço internacional para estudar o seu interior.

Há um milénio, a montanha Paektu explodiu com tamanha fúria que rivalizou com as maiores erupções registadas da história da humanidade, arremessando rochas crepitantes e cinza até ao Japão. Apesar da violenta explosão, a Montanha Paektu — ou Changbai, o seu nome em chinês — permanece misteriosa. Excluindo os locais, poucas pessoas sabem que a montanha existe. E ninguém sabe se, ou quando, o pico de 2743 metros de altura poderá entrar em erupção novamente.

5. EXISTE UM ELEMENTO DE LUXO NA VIDA DE ALGUNS NORTE-COREANOS

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Entre um requintado resort de ski e a popularidade da patinagem entre a elite norte-coreana, a vida aqui não é só desgraça e desespero. No decorrer de anos, o fotógrafo da National Geographic David Guttenfelder notou o aumento da adesão à patinagem como expressão de uma maior ênfase em atividades desportivas e de recreação, que ocorreu desde que Kim Jong-Un tomou o seu lugar como líder supremo, em 2011.

“Não consigo contar o número de ringues de patinagem que existem na capital e um pouco por toda a parte”, conta Guttenfelder. “Foi muito por causa da elite, mas espalhou-se realmente a todo o país, esta súbita inclinação das pessoas para saírem, jogarem jogos e fazerem atividades recreativas.”

6. AS ESTAÇÕES DE METRO DE PYONGYANG SÃO SOFISTICADAS

Apenas duas estações de metro foram inicialmente abertas a turistas, dando a ideia de que as paragens faziam parte de uma experiência sofisticada. Mais tarde, no final de 2015, o governo abriu todas as 17 paragens aos turistas com resultados surpreendentes.

Melody Rowell escreveu num artigo da National Geographic que os passageiros que descem os 96 metros e que ficam por baixo da zona empresarial são acompanhados por uma banda sonora de hinos patrióticos, tocados em altifalantes antigos. Passam por umas portas de aço grossas que permitem que as estações também sirvam como bunkers, na eventualidade de um desastre nuclear. Cada estação foi nomeada com palavras-chave do socialismo, em vez de marcos geográficos, e nelas existe uma combinação de estátuas douradas de Kim Il Sung, murais em mosaico com muitos pormenores, placas em bronze comemorativas de vitórias do exército norte-coreano e lustres peculiares.

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“O conjunto de todas as estações consegue cobrir todos os tópicos da doutrina norte-coreana”, conta-nos o australiano Elliott Davies, blogger e criador de software. “E isso é ótimo também para os turistas. Toda a viagem no metro da Coreia do Norte é política; querem que as pessoas quando acabam a viagem fiquem a pensar que afinal, a Coreia do Norte não é assim tão má!”

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