Fotografias Captam a Luta Diária Contra os Mosquitos do Zika

“É praticamente impossível de controlar”, diz o fotógrafo Tomás Munita, que registou o dia a dia nas favelas do Brasil.quarta-feira, 20 de junho de 2018

Como evitar que se multipliquem os mosquitos que transmitem uma doença? Eis a pergunta que assalta o governo brasileiro, que tem enviado soldados do exército porta a porta numa missão para combater o Zika – o vírus que se supõe causar microcefalia em crianças que nascem de mães infetadas.

“Distribuem folhetos informativos onde se aconselha a manter os pátios limpos de lixo”, diz o fotógrafo Tomás Munita, que tem feito um trabalho de documentação no Recife, capital de um estado do nordeste brasileiro com 3,7 milhões de habitantes. Qualquer objeto deixado ao abandono no exterior, até uma tampa de garrafa, pode conservar a água da chuva e tornar-se um foco de reprodução para os mosquitos Aedes aegypti, que se julga serem os principais portadores do Zika.

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Mas Munita diz que será muito difícil fazer com que a campanha de informação do governo produza algum efeito nas favelas brasileiras.

“É quase impossível controlar uma coisa assim em lugares como aqueles”, afirma. Muitas das casas nas favelas são barracas improvisadas, feitas com cartão e restos de chapas metálicas. Como têm um acesso muito limitado a água limpa e à coleta de resíduos, o lixo acumula-se e recolhe a água, gerando um foco propício para a reprodução dos mosquitos.

O flagelo dos mosquitos estende-se para lá destes bairros estreitos e sobrepovoados. Tem sido muito difícil exterminar o Aedes aegypti desde que chegou à América Latina com o comércio de escravos de África. Nos anos 50 do século XX, foram levados a cabo programas de erradicação com bastante impacte, e conseguiram eliminar a presença dos mosquitos em alguns países. Mas, nos anos 70 e 80, voltaram a aparecer.

Até o ministro da saúde brasileiro, Marcelo Castro, foi citado quando afirmou que o Brasil “está a perder a batalha” contra os mosquitos, que não são apenas uma ameaça por transportarem o vírus do Zika. No Recife, diz Munita, pessoas que não estão grávidas, mais do que temerem o Zika, temem a chicungunha e o dengue, porque estas doenças provocam danos ainda mais graves.

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Neste momento, o governo está a tentar deter a reprodução dos mosquitos com químicos, fumigando ruas e aplicando larvicida nos depósitos de água. Mas em breve o país tentará algo bem mais extremo, noticia a Reuters: reproduzir mosquitos macho em cativeiro, esterilizá-los com raios gama e libertá-los em lugares onde os mosquitos fêmea estão a desovar.

Entretanto, quem vive nas secções mais pobres do Recife tem de decidir se vale a pena perder tempo a seguir as instruções do governo para prevenir a propagação dos mosquitos, o que, para muitos, é um simples facto da vida.

“O mosquito está em todo o lado”, diz Munita. “É verdade que não há muito mais que se possa fazer para além de manter a sua própria casa limpa. Mas se o vizinho não o faz, então o bairro inteiro terá mosquitos.”

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