A Coreia do Norte e a Coreia do Sul Lado a Lado

Estabelecido na Coreia do Sul, o fotógrafo Ed Jones teve acesso regular à Coreia do Norte, numa oportunidade rara para registar as semelhanças entre os dois países.

Publicado 26/09/2018, 12:24

Os dois países que formam a península coreana ocupam frequentemente o foco noticioso da atualidade mundial. Ensanduichados entre a China e o Japão, os habitantes da Coreia do Norte e da Coreia do Sul suportam um conflito de décadas que se arrasta entre os dois países, alimentado pelos respetivos governos, que têm tido dificuldade em encontrar consensos.

Mas nem sempre foi assim. Antes do Japão ter afirmado a sua supremacia sobre a península coreana no início do século XX e de a ter perdido no final da Segunda Guerra Mundial, a região era governada pela dinastia secular de Joseon, construindo uma cultura coletiva sob um governo unificado.

Essa dinastia deixou marcas permanentes em ambos os países. Apesar das inequívocas diferenças políticas e sociais — um país é uma ditadura, o outro é uma república democrática —, os elementos da vida diária dos habitantes da Coreia do Norte e da Coreia do Sul partilham semelhanças.

O fotógrafo Ed Jones, um dos poucos profissionais da fotografia a conseguir acesso regular à Coreia do Norte, passou anos a documentar o país, fotografando quase tudo desde cerimónias militares a paragens de autocarro. Estabelecido na Coreia do Sul, o tempo que Jones passou em cada país inspirou-o a criar uma perspetiva paralela da vida em ambos os países, apoiada no registo fotográfico.

“Em ambos os lados da zona desmilitarizada, as perspetivas e as consequências de uma possível unificação, de uma forma ou de outra, são um assunto recorrente”, afirma. “Usar a fotografia e o privilégio de viajar entre os dois países para imaginar esse confronto de realidades pareceu-me uma escolha óbvia.”

Jones trabalhou para apresentar mais do que as poses fotografadas divulgadas pelo governo norte-coreano, desvelando vislumbres raros das vidas reais num país, que se manteve isolado à margem do mundo durante décadas, e mostrando que os seus cidadãos não são assim tão diferentes.

“As semelhanças mais surpreendentes são subtis e podem ser difíceis de transmitir numa fotografia”, afirma. “Por exemplo, os dois agricultores que vivem a menos de dez quilómetros de distância, partilham o mesmo tempo, e, na altura em que as fotografias foram tiradas, a mesma banda sonora propagandista emitida diariamente nos altifalantes da Coreia do Norte e da Coreia do Sul.”

Jones diz que os habitantes de ambos os lados da fronteira partilham a mesma língua, e que, embora haja algumas diferenças, as semelhanças revelam os laços entre eles.

Ainda assim, não deixa de ser desafiante encontrar pessoas na Coreia do Norte que se deixem fotografar. Jones depende do acesso que lhe foi concedido para fazer trabalhos de reportagem regulares e que suportam projetos como estes retratos comparativos.

“Por vezes, a curiosidade sobre a minha presença presta-se a uma conversa, muito útil para conseguir uma fotografia, e, na maioria das vezes, encontro pessoas que aceitam de boa vontade posar para a objetiva”, afirma.

Jones refere que, embora os dois países permaneçam separados e desligados em muitas formas, a curiosidade conduziu a um maior contacto entre os dois países nos anos mais recentes.

Segundo Jones, “há de parte a parte um maior interesse pelo outro”.

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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