As Palavras de William Albert Allard, o Fotógrafo Lendário

Com uma carreira de mais de 50 anos, William Albert Allard é um dos maiores nomes da história da fotografia documental e foi um dos grandes colaboradores da National Geographic.

Publicado 31/01/2019, 17:55 WET, Atualizado 5/11/2020, 06:02 WET
O fotógrafo tira um autorretrato no espelho de um elevador.
O fotógrafo tira um autorretrato no espelho de um elevador.
Fotografia de William Albert Allard

 

William Albert Allard iniciou a sua carreira como fotógrafo estagiário na National Geographic, em junho de 1964, levando-o a um longo contributo na revista como funcionário, freelancer, fotógrafo e escritor a tempo inteiro. Alguns dos seus trabalhos mais notáveis são “Amish Folk: Plainest of Pennsylvania’s Plain People”, “Rodeos: Behind the Chutes” e “India's Untouchables”.

 

Allard é um fotógrafo de pessoas e acredita que a intimidade é a chave da sua carreira. Foi um dos oradores do National Geographic Exodus Aveiro Fest 2018 e partilhou algumas opiniões nesta entrevista.

 

Costuma dizer que capta momentos. Como é que encontra o momento perfeito e os movimentos certos?

Na minha forma de trabalhar não é muito frequente encontrar "o momento perfeito". Muitas vezes, é uma série de momentos que fluem e dentro desse fluxo existe um momento em que todas as imagens e emoções se unem. Quando tudo parece “perfeito”, temos tendência para o sentir.

Como se sente num mundo cada vez mais digital e vertical?

Talvez por não perder muito tempo no Instagram, não estou ciente de que muitos utilizadores têm uma visão cada vez mais vertical. Suponho que é verdade, as imagens verticais têm uma visualização melhor no Instagram do que as horizontais, mas o meu mundo visual não se baseia, nem depende do Instagram.

 

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Afirmou que “o tempo é tudo para um fotógrafo”. Qual é a sua opinião sobre a instantaneidade das fotos de hoje em dia?

Quando me refiro ao tempo significar tudo para um fotógrafo, quero simplesmente dizer ‘ter tempo suficiente para explorar um espaço ou um tema’. Por exemplo, nos muitos anos de trabalho para a National Geographic tive a sorte de me serem dados meses, em vez de alguns dias ou semanas, para trabalhar um tema. A maioria dos meus trabalhos para a National Geographic foram o resultado de poder voltar ao mesmo lugar, talvez a uma cidade, a uma área de um país, ou talvez até a um café ou a um bar onde podia ficar a conhecer o meu tema.

Como já disse, o meu mundo visual não está muito envolvido nas redes sociais. Ainda procuro fotografias da mesma forma que sempre pesquisei nos mais de 50 anos da minha carreira. Procuro interesse espacial, iluminação, sombra e cor.

Pela sua experiência, o espaço entre os elementos de uma imagem são fundamentais para uma boa fotografia. Como é que conseguimos encontrar esse elemento perfeito no espaço?

Estamos a falar de espaço negativo. Não é uma questão de encontrar um ‘elemento perfeito no espaço’. É uma questão de olhar com clareza, estar ciente, ciente da forma mais inconsciente possível, do espaço em torno do ponto de interesse de uma fotografia. O espaço negativo é o que dá forma aos objetos.

É um verdadeiro contador de histórias. A sua voz também é incrível... e adora música. E se não tivesse sido estagiário na National Geographic naquele verão de 1964?

Às vezes penso que, se não fosse escritor e fotógrafo, poderia estar envolvido no teatro. Em peças de teatro, não em filmes. Enquanto indivíduos, estamos sempre a projetar-nos de uma forma ou de outra e acho que seria muito gratificante projetar alguém, uma personagem que talvez fosse completamente diferente de nós próprios, e fazê-lo bem o suficiente ao ponto de convencer uma plateia.

A fotografia mudou muito desde os anos sessenta. Alguma vez se assustou com o ritmo galopante da evolução da fotografia?

Não. Uma câmara é basicamente uma câmara, independentemente de utilizar rolo ou ficheiros digitais. Os nossos olhos é que são importantes. Como observamos. Há uma placa no consultório do meu oftalmologista que resume bem esta questão: “A visão é uma capacidade. Observar é uma arte.”

A digitalização da fotografia impede que a nova geração de fotógrafos aprenda a génese do processo. Como podemos ultrapassar isso?

O que eu me questiono é: estarão os jovens estudantes de fotografia a aprender sobre iluminação da mesma forma que estariam se estivessem limitados ao rolo fotográfico? Especialmente o rolo de transparência que é implacável. Quando se usa rolo de transparência é preciso ter-se conhecimentos de iluminação e saber lidar com exposições difíceis. A fotografia digital é muito implacável e, com as câmaras atuais, qualquer um consegue fazer uma imagem focada, com a exposição certa. Os jovens fotógrafos precisam de aprender por tentativa e erro a forma como a fotografia digital consegue ser indulgente em imagens desafiantes, talvez devido a uma grande diferença entre zonas claras e escuras no mesmo espaço.

Para onde se dirige o mundo da fotografia? Tem algum palpite?

Nem por isso. Imagino que com a fotografia digital os avanços e os novos conceitos surjam rapidamente.

Qual é a importância das redes sociais para um fotógrafo com um portefólio de 50 anos?

Boa pergunta! Estou ansioso para partilhar o trabalho da minha longa carreira através das várias redes sociais e atualmente estou a fazê-lo através do Instagram.

Num mundo onde quase todos os cantos já foram fotografados, o que pode ainda ser captado?

Não é uma questão de quase todos os cantos do mundo terem sido fotografados. É uma questão de quão bem o mundo tem sido visto?

 

Entrevista realizada a William Albert Allard, a 28 de janeiro de 2019.

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