Visão Rara do Monte Evereste Captada por Drone de Alta Altitude

Utilizando um drone modificado para voar no ar rarefeito, o fotógrafo Renan Ozturk captou uma deslumbrante imagem de 360 graus do teto do mundo.

Por Sadie Quarrier
Fotografias Por Renan Ozturk
Publicado 28/06/2019, 11:54
Este mosaico, composto por 26 imagens que se encaixam como um puzzle, mostra a face norte ...
Este mosaico, composto por 26 imagens que se encaixam como um puzzle, mostra a face norte do Monte Evereste e os seus ambientes circundantes. Quando as extremidades esquerda e direita desta imagem se unem, formam um panorama contínuo de 360 graus.
Fotografia de Renan Ozturk

Desde que um oficial britânico captou, em 1903, o que se acredita ser a primeira imagem do Monte Evereste, os fotógrafos esforçam-se para tirar fotografias icónicas da montanha mais alta do mundo. A enormidade do Evereste torna quase impossível captar uma única fotografia que destaque a sua escala e posição no interior da paisagem dos Himalaias.

Este ano, Renan Ozturk, montanhista profissional e cineasta de 39 anos, contratado pela National Geographic, decidiu fazer exatamente essa fotografia. O seu plano passava por usar um drone especificamente modificado para criar uma imagem de 360 graus que retrataria o Evereste em toda a sua glória, mas também revelaria a sua posição autoritária numa das paisagens mais colossais do planeta.

Este mosaico, composto por 26 imagens que se encaixam como um puzzle, mostra a face norte do Monte Evereste e os seus ambientes circundantes. Quando as extremidades esquerda e direita desta imagem se unem, formam um panorama contínuo de 360 graus.
Fotografia de Renan Ozturk

Ozturk deu por si a tremer de frio com as temperaturas gélidas, no topo da montanha de North Col, esforçando-se para respirar no ar rarefeito, a mais de 7.000 metros de altura, aproximadamente 1.600 metros abaixo do cume. Ozturk tinha passado oito meses a planear este momento, mas calculou que teria apenas 15 minutos para captar uma imagem antes que a bateria do drone sucumbisse ao frio brutal. Com as mãos dormentes, lançou o dispositivo aos céus, as hélices emitiam um ruído agudo enquanto lutavam para ganhar altitude na atmosfera reduzida.

Esta não foi a primeira tentativa de Ozturk para pilotar um drone no Evereste. O fotógrafo e a sua equipa tentaram e falharam inúmeras vezes durante esta mesma viagem. "Quando os ventos são muito fortes, podemos perder o drone imediatamente", disse recentemente por telefone. “Às vezes, quando estamos com a aceleração no máximo, o drone sobe, mas com as correntes de ar ascendentes e descendentes pode acontecer o oposto. Estamos à mercê do vento.”

Mas Ozturk preparou-se para as condições extremas. Antes de chegar aos Himalaias, testou o drone numa câmara hiperbárica, na Califórnia, para ver como é que o aparelho enfrentava o ar rarefeito da montanha. Ozturk também colaborou com o fabricante de drones DJI, para desbloquear certas funções de segurança, permitindo que este descesse rapidamente e operasse a distâncias maiores. Mesmo com essas medidas, as dificuldades eram imprevisíveis. "Quando fazemos estes voos pela primeira vez, não sabemos se vão funcionar", disse. "Existe sempre uma sensação de descoberta e uma sensação de medo."

Com o pôr do sol e as temperaturas a caírem abruptamente, Ozturk enviou o drone para a montanha. Ele calculou que a bateria tinha energia suficiente para voar a 1.800 metros de distância, perder 1 minuto a pairar, captar uma imagem de 360 graus e regressar. Ozturk estava correto.

Quando recolheu o drone do céu, olhou para a imagem em bruto na câmara. “Eu estava muito entusiasmado, parecia uma perspetiva de olho de pássaro, algo que se vê muito raramente. Parecia uma imagem de satélite.”

A imagem de Ozturk é a mais recente a integrar uma crónica de fotografia e mapeamento da montanha que decorre há décadas. Bradford Washburn, pioneiro em fotografia aérea e cartógrafo, captou algumas imagens aéreas, na década de 1950, para a National Geographic, para o mapa original do Evereste, salientou Ozturk. "Mas ele não conseguiu chegar tão perto e com tanto detalhe."

“Ele ficaria muito entusiasmado com esta nova tecnologia”, disse Ozturk, que não perdeu tempo em atribuir os créditos por detrás da sua própria fotografia à ciência. “Sinceramente, estamos perante um triunfo da tecnologia. Limitámo-nos a levar esta tecnologia ao seu expoente máximo.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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