Visão Rara do Monte Evereste Captada por Drone de Alta Altitude

Utilizando um drone modificado para voar no ar rarefeito, o fotógrafo Renan Ozturk captou uma deslumbrante imagem de 360 graus do teto do mundo.

Friday, June 28, 2019,
Por Sadie Quarrier
Fotografias Por Renan Ozturk
Este mosaico, composto por 26 imagens que se encaixam como um puzzle, mostra a face norte ...
Este mosaico, composto por 26 imagens que se encaixam como um puzzle, mostra a face norte do Monte Evereste e os seus ambientes circundantes. Quando as extremidades esquerda e direita desta imagem se unem, formam um panorama contínuo de 360 graus.
Fotografia de Renan Ozturk

Desde que um oficial britânico captou, em 1903, o que se acredita ser a primeira imagem do Monte Evereste, os fotógrafos esforçam-se para tirar fotografias icónicas da montanha mais alta do mundo. A enormidade do Evereste torna quase impossível captar uma única fotografia que destaque a sua escala e posição no interior da paisagem dos Himalaias.

Este ano, Renan Ozturk, montanhista profissional e cineasta de 39 anos, contratado pela National Geographic, decidiu fazer exatamente essa fotografia. O seu plano passava por usar um drone especificamente modificado para criar uma imagem de 360 graus que retrataria o Evereste em toda a sua glória, mas também revelaria a sua posição autoritária numa das paisagens mais colossais do planeta.

Este mosaico, composto por 26 imagens que se encaixam como um puzzle, mostra a face norte do Monte Evereste e os seus ambientes circundantes. Quando as extremidades esquerda e direita desta imagem se unem, formam um panorama contínuo de 360 graus.
Fotografia de Renan Ozturk

Ozturk deu por si a tremer de frio com as temperaturas gélidas, no topo da montanha de North Col, esforçando-se para respirar no ar rarefeito, a mais de 7.000 metros de altura, aproximadamente 1.600 metros abaixo do cume. Ozturk tinha passado oito meses a planear este momento, mas calculou que teria apenas 15 minutos para captar uma imagem antes que a bateria do drone sucumbisse ao frio brutal. Com as mãos dormentes, lançou o dispositivo aos céus, as hélices emitiam um ruído agudo enquanto lutavam para ganhar altitude na atmosfera reduzida.

Esta não foi a primeira tentativa de Ozturk para pilotar um drone no Evereste. O fotógrafo e a sua equipa tentaram e falharam inúmeras vezes durante esta mesma viagem. "Quando os ventos são muito fortes, podemos perder o drone imediatamente", disse recentemente por telefone. “Às vezes, quando estamos com a aceleração no máximo, o drone sobe, mas com as correntes de ar ascendentes e descendentes pode acontecer o oposto. Estamos à mercê do vento.”

Mas Ozturk preparou-se para as condições extremas. Antes de chegar aos Himalaias, testou o drone numa câmara hiperbárica, na Califórnia, para ver como é que o aparelho enfrentava o ar rarefeito da montanha. Ozturk também colaborou com o fabricante de drones DJI, para desbloquear certas funções de segurança, permitindo que este descesse rapidamente e operasse a distâncias maiores. Mesmo com essas medidas, as dificuldades eram imprevisíveis. "Quando fazemos estes voos pela primeira vez, não sabemos se vão funcionar", disse. "Existe sempre uma sensação de descoberta e uma sensação de medo."

Com o pôr do sol e as temperaturas a caírem abruptamente, Ozturk enviou o drone para a montanha. Ele calculou que a bateria tinha energia suficiente para voar a 1.800 metros de distância, perder 1 minuto a pairar, captar uma imagem de 360 graus e regressar. Ozturk estava correto.

Quando recolheu o drone do céu, olhou para a imagem em bruto na câmara. “Eu estava muito entusiasmado, parecia uma perspetiva de olho de pássaro, algo que se vê muito raramente. Parecia uma imagem de satélite.”

A imagem de Ozturk é a mais recente a integrar uma crónica de fotografia e mapeamento da montanha que decorre há décadas. Bradford Washburn, pioneiro em fotografia aérea e cartógrafo, captou algumas imagens aéreas, na década de 1950, para a National Geographic, para o mapa original do Evereste, salientou Ozturk. "Mas ele não conseguiu chegar tão perto e com tanto detalhe."

“Ele ficaria muito entusiasmado com esta nova tecnologia”, disse Ozturk, que não perdeu tempo em atribuir os créditos por detrás da sua própria fotografia à ciência. “Sinceramente, estamos perante um triunfo da tecnologia. Limitámo-nos a levar esta tecnologia ao seu expoente máximo.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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