Fotografia

Melhores Fotografias de Vida Selvagem de 2019

O fotógrafo chinês Yongqing Bao ganhou o prémio de Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano com uma imagem rara e expressiva de uma raposa a atacar uma marmota.segunda-feira, 4 de novembro de 2019

O fotógrafo chinês Yongqing Bao ganhou o prémio de Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano com …
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A marmota parece paralisada pelo medo, com a boca aberta, enquanto que a raposa está pronta para atacar. É uma imagem congelada de caos, impulso e terror – a natureza na sua essência.

Com este retrato memorável do momento que antecede o ataque, o fotógrafo chinês Yongqing Bao ganhou o prémio de Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano, atribuído pelo Museu de História Natural de Londres.

Bao captou esta fotografia, intitulada "O Momento", no planalto tibetano da China. O planalto, com uma altitude de mais de 4500 metros acima do nível do mar, é conhecido por teto do mundo. As imagens da região "são raras", diz Roz Kidman Cox, presidente do painel de jurados através de um comunicado à imprensa. “Mas captar uma interação tão poderosa entre uma raposa-dos-himalaias e uma marmota – duas espécies essenciais para a ecologia desta região de pastagens elevadas – é extraordinário.” (E para quem se interroga sobre o que aconteceu a seguir... a marmota não conseguiu sobreviver.)

Cruz Erdmann, de 14 anos, venceu o prémio Jovem Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano – a outra grande distinção da competição – com a sua fotografia subaquática de uma lula de recife iridescente, captada durante um mergulho noturno no Estreito de Lembeh, na Indonésia.

A prestigiada competição, que tem 55 anos, abrange 19 categorias de fotografia de vida selvagem que incluem comportamento, fotojornalismo e retrato. Este ano, a competição recebeu 48.000 inscrições de fotógrafos de 100 países.

Os fotógrafos da National Geographic ganharam 4 prémios. David Doubilet ganhou a categoria Debaixo de Água com a sua fotografia de uma colónia de enguias Heterocongrinae no fundo do mar. As enguias, que emergem verticalmente das suas tocas na areia, parecem plantas e são extremamente difíceis de captar. "Quando as enguias detetam a nossa presença, escondem-se durante horas", diz Doubilet. "Desaparecem completamente como se fossem uma miragem subaquática."

Doubilet conseguiu captar a enorme colónia escondendo a câmara no meio das tocas e escondendo-se atrás de um naufrágio. Quando as enguias apareceram, ativou o obturador remotamente. Doubilet demorou vários dias até conseguir a imagem que pretendia.

O fotógrafo Jasper Doest ganhou a categoria de Fotojornalismo Histórico com as suas imagens dos explorados macacos-japoneses. Estes animais, outrora venerados no Japão, são agora encarados como uma praga e são treinados para entreter as pessoas. "Com esta série, eu queria que as pessoas reconsiderassem o relacionamento que têm com os animais que as rodeiam", diz Doest.

O fotógrafo Ingo Arndt, com a sua imagem de um puma a tentar derrubar um guanaco, partilhou com Yongqing Bao o prémio na categoria Comportamento de Mamíferos. Arndt captou a imagem depois de ter passado 7 meses a rastrear pumas a pé. Embora os guanacos sejam a principal presa dos pumas, ninguém tinha fotografado esta caçada com tanto detalhe. O guanaco, três vezes mais pesado do que o puma fêmea, conseguiu escapar.

A honra final atribuída à National Geographic foi para Charlie Hamilton James que, com a sua fotografia íntima de ratos na noite de Nova Iorque, venceu a categoria de Vida Selvagem Urbana.

"As pessoas agora dizem que eu sou o homem dos ratos", diz Hamilton James, que já foi chamado de "homem das lontras" pelas suas imagens de lontras em Yellowstone, "o que é muito mais agradável".

"Os ratos fazem coisas de ratos", diz Hamilton James, que seguiu os roedores durante meses pelos esgotos e buracos da cidade. "Foi incrível ver como os ratos se encaixam de forma brilhante em todos os buracos de Nova Iorque", diz Hamilton James, que adorou fotografar na cidade durante a noite.

“Depois de acompanhar estes animais durante algum tempo, comecei a respeitá-los”, diz Hamilton James. “Não diria que os adoro, mas gosto bastante deles.”
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com

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