As Melhores Fotografias de 2019

As 100 melhores imagens do ano da National Geographic – selecionadas por 106 fotógrafos a partir de 121 artigos e mais de 2 milhões de fotografias.terça-feira, 10 de dezembro de 2019

“Ele colocou uma câmara dentro da carcaça de um animal morto e esperou que os lobos viessem.”

São palavras de Whitney Johnson, diretora de experiências imersivas e visuais, “é o tipo de esforço que contribui para uma fotografia de destaque na National Geographic”.

Como é que Whitney escolhe 100 fotografias, tiradas por 106 fotógrafos, para 121 artigos, no meio de mais de 2 milhões de imagens captadas ao longo de um ano?

“Conto com os meus excelentes editores de fotografia”, diz Whitney.

Uma das suas imagens preferidas é a fotografia de abertura de um artigo sobre Mona Lisa, porque reflete o que chama de “a magia por detrás de uma fotografia – revelando algo familiar com uma nova perspetiva”. E também demonstra o que acontece nos bastidores – o editor de fotografia conseguiu acesso ao quadro enquanto o museu estava fechado – e atrás das lentes, é preciso uma encantadora combinação de sorte e casualidade, e um “fotógrafo que esteja realmente a ver o momento.”

Existem muitos momentos nestas imagens, desde exercícios militares num Ártico em aquecimento, às estudantes de uma escola para raparigas no Ruanda que estão a exercitar os músculos, ou até Alex Honnold a escalar as paredes lisas do El Capitan sem cordas. Whitney diz que esta fotografia em particular é uma demonstração de força ao longo do espaço e do tempo.

O tempo também é representado de formas diferentes, como acontece no caso do corpo congelado de Susan Potter, uma mulher que estava determinada em doar o seu corpo à ciência, uma história que foi cuidadosamente contada durante 17 anos pelo editor de fotografia Kurt Mutchler. E depois temos a fotografia comovente de Sudan, o último-rinoceronte-branco-do-norte, no momento em que está a morrer.

Mas também existe muita alegria: pássaros libertados de cativeiro e a obsessão do Japão por tudo o que é kawaii (bonito e fofinho). E também existe muita coisa estranha.

Relacionado: Melhores Fotografias de Animais de 2019

A imagem que me toca mais é a de uma jovem girafa órfã, com o seu pescoço comprido envolto no tratador, um momento que parece ser um abraço amoroso. Esta girafa vive agora livre na natureza. Quando exploramos estas imagens, todos nós conseguimos ouvir a voz do nosso próprio editor de fotografia, a voz dentro de nós que nos pede para fazermos uma pausa, para observarmos com mais atenção.

Issa Diakite, 50 anos, construiu a sua barra de pesos e a sua casa – uma de dezenas de barracas agrupadas perto de uma região agrícola na Andaluzia. Originalmente do Mali, estabeleceu-se como trabalhador regular de campo e ajuda os outros a construírem barracas mais sólidas. Diakite transformou uma dessas barracas num centro de convívio, com sofás e mesas, onde os amigos podem ver futebol numa televisão a energia solar. Atualmente, a sua equipa preferida é o Real Madrid.
Fotografia de AITOR LARA
Em maio de 2019, Jorge Castellon, funcionário do Hotel Saguaro, em Palm Springs, na Califórnia, posava com um leque (usado para dançar). Quando não trabalha no hotel, Jorge é bailarino profissional e instrutor de dança. "Palm Springs é como um paraíso – é o céu na terra", diz Jorge Castellon. “As pessoas que nos visitam são únicas e vêm com um propósito: diversão. Estamos aqui apenas para nos divertirmos!"
Fotografia de Jennifer Emerling
Malaysia, de 40 anos, posa para um artigo sobre os motins de Stonewall de 1969 que impulsionaram 50 anos de um movimento pelos direitos civis LGBTQ. “Na vida, as coisas tendem a mostrar-nos o que precisamos, não o que queremos. E para mim, a transição para Malaysia... abriu um mundo de aceitação. Agora sinto-me confortável, e nunca me tinha sentido confortável na vida.”
Fotografia de Robin Hammond
Todos os anos são capturadas milhares de aves canoras migratórias na Flórida para abastecer o comércio ilegal. Por vezes, são necessárias várias semanas de reabilitação para fortalecer as asas das aves resgatadas, até conseguirem voar novamente. Nesta imagem, o tenente da Comissão de Conservação de Peixe e Fauna da Flórida, Antonio Dominguez, liberta algumas das aves de regresso à natureza.
Fotografia de Karine Aigner, National Geographic
Em junho de 2018, 9 de 24 leões foram sedados e transportados das reservas de caça de Tembe e de Mkuze, em Kwazulu Natal, na África do Sul, para Moçambique. Os leões seriam libertados no Delta do Zambeze. Este transporte foi o maior esforço de conservação transfronteiriço de leões selvagens da história. Há 100 anos, existiam mais de 200.000 leões selvagens a viver em África.
Fotografia de Ami Vitale
Os leões que foram marcados e libertados numa região remota da área do Delta do Zambeze, com 4500 quilómetros quadrados, em Moçambique, relaxam na névoa matinal. A vida selvagem de Moçambique foi dizimada pela guerra civil e pela caça furtiva que se seguiu nos últimos 20 anos. Hoje, os investigadores estimam que a população de leões de África ronde os 20 mil, ou menos, extintos em 26 países africanos. O ecossistema de Moçambique fez uma recuperação notável – exceto com os leões.
Fotografia de Ami Vitale
A obsessão do Japão por tudo o que é ‘kawaii’ (bonito, fofinho ou adorável) exposta no Ueno Park, em Tóquio, com os donos a alinharem os seus animais de estimação para uma sessão de fotografias. A estética ‘kawaii’ da cultura fofinha tem sido uma das exportações mais bem-sucedidas do Japão, impulsionando as tendências da cultura pop na moda, na tecnologia, nos videojogos e nos desenhos animados.
Fotografia de David Guttenfelder
Uma piscina caótica na Estância Caliente Tropics, em Palm Springs, na Califórnia, durante o Tiki Caliente que teve lugar em maio de 2019. Este evento anual celebra o amor pelas ilhas tropicais, com entusiastas e colecionadores de Tiki que tomam conta da estância durante o fim de semana para mergulharem num mundo escapista de inspiração sensorial que celebra música, arte, moda e bebidas da cultura Tiki.
Fotografia de Jennifer Emerling
Bhagavan “Doc” Antle (à direita) posa com sua equipa (da esquerda para a direita), Kody Antle, Moksha Bybee e China York, na piscina usada no seu espetáculo de tigres no Myrtle Beach Safari, na Carolina do Sul. As crias de tigre são muito importantes para o negócio; os pacotes para brincar e tirar fotografias com as crias custam entre 339 a 689 dólares por pessoa. Quando atingem as 12 semanas de idade, as crias são consideradas muito grandes e perigosas para os turistas.
Fotografia de Steve Winter
No Sudão do Sul, Rose Asha Sillah, na fotografia com a filha, ajudou a abrir uma empresa madeireira que cresceu para uma operação de 35 funcionários. No campo de refugiados de Bidibidi, no Uganda, Asha fundou um centro para mulheres que ensina a bordar e ensina técnicas de agricultura a cerca de 400 mulheres. Sem instituições financeiras, até os empreendedores mais inovadores têm dificuldades, mas Asha acredita que vale a pena. "Vamos passar 10 anos a chorar pelo Sudão do Sul? Precisamos de olhar em frente."
Fotografia de Nora Lorek

 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

Continuar a Ler