Paisagens Nórdicas que Inspiram Mundos de Fantasia

Com a sequela de um dos filmes de animação de maior sucesso nos cinemas, um fotógrafo – que cresceu a norte do Círculo Polar Ártico – partilha o seu tributo às paisagens que inspiraram o filme.quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Fiordes de encostas recortadas e íngremes, cumes de montanhas cobertos de neve, bosques que vibram com as cores do outono e céus noturnos que ganham vida com o brilho das luzes do norte – outrora consideradas espíritos vingativos dos mortos – com o ar limpo e gélido do inverno ártico. Claro que estamos a falar das paisagens da Noruega: repletas de cenários que parecem ter saído de livros de fantasia, com montanhas, planaltos congelados e um litoral tão complexo quanto a sua mitologia. Estas paisagens e tradições tiveram uma forte influência na identidade de Frozen II - O Reino do Gelo, a sequela do enorme êxito de animação da Disney, que está em exibição nos cinemas. (The Walt Disney Company é proprietária maioritária da National Geographic Partners.)

Para o fotógrafo Stian Klo, estas paisagens são bem reais – são a sua casa e ocupação. Sediado em Harstad, na Noruega, Klo nasceu e cresceu a norte do Círculo Polar Ártico, o ambiente que mais tarde viria a fotografar. Viver e trabalhar neste lugar, diz Klo, é um mundo de compromisso entre os elementos e as qualidades fotogénicas da paisagem.

"Muitas vezes, dizem-me que somos mimados por vivermos aqui. No norte do Ártico, onde vivo, a paisagem é inóspita e consegue ser brutal, estamos expostos aos elementos mesmo à porta de casa. Dito isto, receio que às vezes nos possamos esquecer da sorte que temos em poder viver num lugar assim."

Imagem congelada
Alguns dos locais mais famosos da Noruega para tirar fotografias ficam perto do mar – muitas vezes poupados das temperaturas mais extremas que se sentem no interior. Partes de Lofoten são consideradas as regiões mais setentrionais do mundo, onde a temperatura média anual ronda os zero graus. Mas até um clima marítimo relativamente ameno não consegue escapar das peculiaridades da sua latitude extrema, com a chamada 'noite polar' – o período do ano em que o sol permanece abaixo do horizonte – que dura de dezembro a janeiro em Harstad, a base de operações de Klo. Mas nas semanas de inverno a região transforma-se num país das maravilhas com pouca iluminação. "Sou um enorme fã de fotografia de inverno. Tudo muda de figura. Para além disso, a luz no inverno é muito mais fotogénica devido ao ângulo baixo do sol (antes e depois da escuridão), o que significa que temos um nascer e pôr do sol muito longos e suaves nos meses de inverno. Isto para não falar das noites escuras e das possibilidades oferecidas pela aurora boreal.”

Terra de verticalidade
Apesar de em Frozen II o reino de Arendelle ser fantástico, livre das limitações da realidade, a influência escandinava é claramente visível – desde o estilo dos edifícios à mitologia e cultura. Mas o cenário fala por si só. Parte da equipa do filme fez uma viagem de campo pela Noruega, bem como pela Finlândia e Islândia, para se inspirarem – e não foi apenas o gelo e a neve que chamaram a sua atenção. Levando em consideração o tema de mudança, as cores do filme são mais aproximadas dos tons outonais do que dos azuis frios do inverno – com o designer de produção Michael Giaimo particularmente impressionado com a altura das árvores que descreve como “incríveis”, acrescentando que “funcionam muito bem no cenário do filme com a sua estética baseada na verticalidade".

De facto, a verticalidade está patente por toda a Noruega – seja nos cumes das montanhas, nas encostas íngremes dos fiordes ou nas florestas de coníferas que cobrem mais de 30% do país. Mas para Stian Klo, o arquipélago de Svalbard, a mais de 800 km a norte da ponta setentrional da Noruega, é onde reside a grande atração. "É difícil escolher um local específico, mas Svalbard é o lugar mais inspirador para mim", diz Klo sobre este território norueguês.

Galeria social
Nos últimos anos, a Noruega tem sido uma estrela em ascensão no Instagram, com caçadores de selfies à procura paisagens abertas para tirarem fotografias. A mais famosa é Trolltunga, ou "língua de troll" – uma formação rochosa semelhante a uma prancha de mergulho com vista para o lago Ringedalsvatnet, nos fiordes do oeste. Trolltunga ficou famosa através de manipulações de imagens onde os sujeitos parecem imprudentemente arrojados – fazem acrobacias, ioga e penduram as pernas de forma ousada sobre uma queda de 700 metros.

E as "selfies perigosas" também são frequentemente tiradas no Púlpito de Pedra de Preikestolen, um penhasco vertiginoso com uma altura semelhante (604 metros) por cima das águas do Lysefjord e, também por cima destas mesmas águas, encontramos a Kjeragbolten, uma rocha presa entre duas tenazes de pedra. A verticalidade é um facto.

Caçadores de selfies à parte, o segredo está claramente exposto – sugerindo que pode ser difícil captar novos ângulos deste lugar. "Veja o trabalho de outros fotógrafos em busca de inspiração, mas não copie", diz Stian Klo. “Seja curioso no sentido de fazer perguntas do género: como é que fizeram isto, quando é que fotografaram, como é que chegaram lá, e depois tente aprender com isso. Para além disso, seja paciente – e não tenha medo de enfrentar o clima ruim.”

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Grandes projetos
Fora dos ambientes de Frozen, as paisagens fantásticas da Noruega são desde há muito o cenário e o palco de momentos memoráveis, tanto no grande ecrã como nas páginas de romances. O planalto coberto de neve de Hardangervidda serviu de cenário para o mundo cruel de Hoth de Guerra das Estrelas: O Império Contra-Ataca. A cidade de Tønsberg também desempenha um papel importante na saga da Marvel, Vingadores, e os fiordes do oeste serviram de pano de fundo para o arquiteto planetário Slartibartfast da série de culto da BBC, escrita por Douglas Adams, The Hitchiker's Guide to the Galaxy.

A mitologia da paisagem também tem as suas raízes – com florestas e montanhas onde vivem trolls, mares com cavalos marinhos e céus onde vivem fantasmas e deuses. Em relação ao lado fantasioso da sua terra natal, Stian Klo não tem duvidas. “Basta olharmos para paisagem! Devem ter existido alguns trolls ou gigantes envolvidos na criação destes incríveis vales e fiordes, embora pessoalmente eu nunca tenha visto um.”

Uma vista panorâmica da famosa estância Eliassen Rorbuer em Lofoten. Um 'rorbu' é uma cabana de pesca tradicional com uma extremidade construída sobre a água com palafitas e os telhados estão geralmente cobertos de musgo. “Tinha acabado de chover torrencialmente alguns minutos antes, mas consegui apanhar uma abertura de cerca de 2 minutos para fotografar esta cena majestosa”, diz Stian Klo.
Fotografia de STIAN KLO

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Frozen II - O Reino do Gelo está em exibição nos cinemas.
 

Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.com.

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