Fotografias vintage dos nossos arquivos mostram as vidas de nómadas pelo mundo inteiro

Num momento em que um filme sobre almas errantes dos dias modernos é distinguido com vários Óscares, o arquivo de fotografias da National Geographic mostra-nos algumas dessas vidas.

Publicado 17/05/2021, 13:04
Uma imagem icónica de Thomas J. Abercrombie mostra beduínos na Arábia Saudita em 1965. O termo ...

Uma imagem icónica de Thomas J. Abercrombie mostra beduínos na Arábia Saudita em 1965. O termo beduíno vem do árabe badawī, que significa ‘habitante do deserto’. Estes povos nómadas vivem em tribos no norte de África e na Arábia.

Fotografia de THOMAS J. ABERCROMBIE / NATIONAL GEOGRAPHIC IMAGE COLLECTION

“CASA: é apenas uma palavra ou é algo que carregamos dentro de nós?” cantava o antigo vocalista dos Smiths, Morrissey, na sua canção de 2017, Home is a Question Mark – uma letra que surge nos primeiros minutos do filme vencedor do Óscar, Nomadland – Sobreviver na América, realizado por Chloé Zhao.

Este conceito permeia o filme, que está povoado por pessoas que vivem com uma noção semelhante. O elenco eclético de Nomadland – Sobreviver na América - filme em exibição nos cinemas portugueses – retrata aqueles que saíram da ‘tirania do dólar’ para viver uma existência serena à margem da sociedade, com uma habitação flexível e uma vida que está sempre a mudar de pano de fundo. E embora a maioria das pessoas possa estar condicionada a encarar isto como algo contrário à normalidade, a ideia de que estas pessoas estão a regressar às raízes da humanidade está provavelmente mais perto da verdade.

O caminho nómada

A etimologia da palavra ‘nómada’, que provavelmente era o modo de vida original dos humanos, é em si bastante antiga e deriva do latim nomas, ou ‘errante’. Desde os primeiros povos que os humanos têm sido itinerantes e migratórios, encontrando ‘modos de vida’ de subsistência na paisagem, mudando de casa para favorecer as alterações sazonais ou simplesmente para vaguear à procura de riqueza espiritual. A vida resumia-se à simplicidade: encontrar água, comida e permanecer quente e protegido.

(Relacionado: O nosso ADN contém linhagens de antepassados humanos misteriosos.)

Nomadland - Sobreviver na América conta a história de Fern (Frances McDormand), uma mulher na casa dos 60 anos que se faz à estrada numa autocaravana quando se depara com a pobreza. O filme baseia-se no livro de Jessica Bruder, e parte do elenco vive na pele o expoente máximo deste estilo de vida.

Fotografia de SEARCHLIGHT / 20TH CENTURY PICTURES

Embora a expansão dos centros urbanos e a industrialização faça com que os povos nómadas sejam cada vez mais raros, muitos ainda permanecem. Entre eles estão os nómadas pastoris, que pastoreiam animais entre territórios em diferentes épocas do ano, como acontece com os pastores tibetanos Changpa, os Sámi, os berberes e os beduínos; e os povos Khoisan bush da África do Sul, os Qashqai do Médio Oriente e os Bajau, os famosos ‘nómadas dos mares’ do Sudeste Asiático, sem esquecer os nómadas caçadores-coletores, como os povos aborígenes australianos e os Blackfoot e Sioux das planícies americanas.

E também há nómadas que fazem biscates ou que trabalham casualmente enquanto viajam – os exemplos modernos podem incluir os Ciganos e famílias circenses. Todos são uma declaração moderna do facto de que, desde que existem pessoas, existem estilos de vida nómadas – e de que o apelo da viagem, para alguns, é o modo de vida que escolheram.

Galeria: Imagens de povos nómadas dos arquivos da National Geographic

E, como é óbvio, existem pessoas que nascem numa tradição nómada e outras que a escolhem.

A realizadora e argumentista de Nomadland, Chloé Zhao – que no dia 25 de abril se tornou na primeira mulher asiática a vencer o Óscar de Melhor Realizador – vê as duas coisas como distintas, mas unidas em espírito.

“Algumas pessoas pertencem à estrada e pertencem a este tipo de estilo de vida, como acontece, por exemplo, com as tribos nómadas”, disse Chloé. “Depois, há outras pessoas que precisam de andar na estrada porque a sociedade dominante as colocou de parte e têm de descobrir outra forma de viver e encontrar algum nível de conforto.”

“Creio que os temas e o espírito da história são relevantes em qualquer parte do mundo e para qualquer pessoa”, acrescentou Chloé sobre o filme.

Seja como for, a vida em movimento geralmente dá origem a uma forte noção de autossuficiência. Como uma das personagens de Nomadland diz, embora faça referência a um escrúpulo mais prático da existência nómada, “Eu adoro este estilo de vida. É um estilo de vida de liberdade, de beleza, de ligação com a Terra... mas há um problema. Temos de aprender a lidar com as nossas próprias coisas.”
 

O filme Nomadland – Sobreviver na América está em exibição nos cinemas.

A The Walt Disney Company é proprietária maioritária  da National Geographic Partners. Este artigo foi publicado originalmente em inglês no site nationalgeographic.co.uk

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