David Doubilet e Jennifer Hayes: “Estávamos tremendamente enganados. O oceano é frágil e finito.”

Os fotógrafos subaquáticos foram dois dos oradores do National Geographic Summit que teve lugar em Lisboa no dia 31 de maio, no teatro Tivoli BBVA. Conheça a sua história.

David Doubilet e Jennifer Hayes trabalham juntos no mundo subaquático e são autores de muitos artigos e livros sobre vida selvagem e o oceano.

Fotografia por Kelly Stremmel
Por Filipa Coutinho
Publicado 26/05/2022, 15:57

David Doubilet e Jennifer Hayes são fotógrafos subaquáticos, parceiros e casados, e trabalham juntos para produzir e partilhar histórias de descobertas nas profundezas do oceano. David Doubilet regista mais de 26.000 horas sob a superfície desde que tirou a sua primeira fotografia submarina aos 12 anos de idade, e Jennifer Hayes 11.000 horas, uma longa e íntima relação com o mar. Juntos exploram e documentam os cantos mais longínquos do mundo para conectar as pessoas à incrível beleza, mas também à devastação silenciosa que acontece no mundo subaquático.

Autênticas lendas da National Geographic, David Doubilet produziu mais de 70 artigos para a revista, e é apresentador, colunista, editor e autor de 12 livros. Recebeu prémios internacionais, incluindo o Lowell Thomas do Explorers Club, o Lennart Nilsson, Picture of the Year, BBC Wildlife, Communication Arts e World Press. É membro da Academy of Achievement, Royal Photographic Society, International League of Conservation Photographers e International Diving Hall of Fame.

Jennifer Hayes, formada em ciências marinhas e zoologia, dedica-se ao fotojornalismo com especialização em História Natural, conservação de espécies ameaçadas de extinção e documentação de ambientes de água doce e marinha. É colaboradora de numerosas publicações e livros, recebeu a medalha do Presidente dos EUA por contribuições para o mundo natural. É membro do Shark Research Institute, do Explorers Club, e conselheira do Conselho Editorial da Ocean Geographic.

A propósito da sua visita a Lisboa para o National Geographic Summit, conversámos com o casal sobre a sua carreira e o mundo dos oceanos.

David Doubilet e Jennifer Hayes durante uma reportagem.

Fotografia por David Doubilet e Jennifer Hayes

O David tirou a sua primeira fotografia subaquática aos 12 anos. Como foi a experiência?
Quando David estava no acampamento de verão aos 8 anos, não podia fazer caminhadas na montanha por causa da sua asma grave. Em vez de caminhar, um conselheiro do acampamento mandou-o para dentro de água com uma máscara debaixo da doca para puxar pauzinhos. David apaixonou-se pela luz que atravessava a doca lançando e dançando através da água. Foi para casa e arranjou a sua própria máscara, barbatanas, material de snorkeling e leu e releu Jacques Cousteau. Decidiu que queria ser fotógrafo subaquático.
Avancemos para os 12 anos quando David e o pai (um médico) colocaram uma câmara Brownie Hawkeye num antigo saco de anestesista para criar um habitáculo subaquático. Levou imediatamente o kit para o cais em frente de sua casa em Elberon, Nova Jersey. Fez as suas primeiras imagens nessa altura aqui e ali – algumas até pareciam peixes. A sua imaginação foi expandida e não havia volta a dar.

O que foi mais desafiante ao longo da vossa carreira?
Testemunhar a mudança.
Há décadas pensávamos que os mares eram infinitos. Estávamos enganados, tremendamente enganados. O oceano é frágil e finito. O David passou cinco décadas como fotógrafo da National Geographic a documentar os oceanos. Viu os oceanos, literalmente, através da lente do tempo. As mudanças têm sido catastróficas: Recifes silenciosos e vazios por causa da pesca, cemitérios de corais a desfazerem-se na sequência do branqueamento de corais e das espécies que desaparecem - os tubarões são agora fantasmas no mar, colhidos pelas suas barbatanas.
Essas são as duras verdades, mas também há esperança na forma de resiliência do sistema, na conservação através de Áreas Marinhas Protegidas, na Ciência e na próxima Geração.

“Cada vez que mergulhamos, vemos o mar como se fosse sempre a primeira vez.”

Qual é a vossa opinião sobre a instantaneidade da fotografia atualmente?
Todos têm uma câmara, todos são contadores de histórias agora. Os pixels não têm preço. Porquê? Termos humanos: A justiça social avançou com a tecnologia digital. Mas a maior história da Terra é, naturalmente, a própria Terra e o que existe no nosso planeta. Com o toque de um dedo é possível ver e aprender sobre qualquer coisa, em qualquer lugar e ficar inspirado.

O que ainda vos surpreende debaixo de água?
Tudo. Cada vez que mergulhamos, vemos o mar como se fosse sempre a primeira vez. Nada se torna aborrecido, velho ou cansativo. A Jennifer dir-lhe-á que tenho 10 milhões de imagens de peixe-palhaço, mas tenho de fotografar todos os que vejo.
Como cientista, a Jennifer vê cada peixe vivo como "um num milhão"...porque assim o são. Muito poucos sobrevivem para se tornarem adultos e reproduzirem.

Como vê o futuro dos oceanos? O que podemos fazer para ajudar a regenerar os oceanos?
É simples: à medida que os oceanos vão, nós também vamos.
A Jennifer tem uma boa filosofia: "Esteja atento e seja responsável".

 

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