Fotografia

Como Vencer um Concurso de Fotografia Mudou a Vida deste Fotógrafo

Anuar Patjane ganhou a edição de 2015 do National Geographic Traveler Photo Contest e a fotografia dele foi vista em todo o mundo. Descubra como ter ganho teve um impacto na carreira dele na fotografia submarina.

Por National Geographic

28 março 2016

 

Em 2015, Anuar Patjane Floriuk, ganhou o primeiro prémio no National Geographic Traveler Photo Contest. Um ano mais tarde, Floriuk partilha a sua paixão pela fotografia submarina e como ter ganho o concurso de fotografia teve impacto na sua vida e na sua carreira.

Nat Geo Viagem: Em 2015, a tua imagem deslumbrante de baleias a nadar na costa das Ilhas Revillagigedo, conquistou o primeiro lugar no National Geographic Traveler Photo Contest. Como é que teres ganho o concurso teve um impacto na tua vida e no teu trabalho neste último ano?

Anuar Patjane Floriuk: Ter ganho o concurso foi uma honra para mim. Estou feliz e orgulhoso de mim próprio. Teve realmente um impacto tanto na minha vida como no meu trabalho, especialmente graças a toda a exposição que o concurso deu à imagem vencedora. Graças a essa exposição, vejo agora as minhas imagens a serem usadas em projetos de conservação marinha e isso deixa-me feliz. Fui convidado para me juntar a vários projetos interessantes e expedições, tudo porque ganhei.

N.G.V.: Conta-nos como foi fazer a tua fotografia “Whale Whisperers”. O que te levou a este local para tirares a fotografia?

A.P.F.: As Ilhas Revillagigedo são famosas na comunidade de mergulho dos Estados Unidos e do México. Nos Estados Unidos são consideradas um dos melhores locais de mergulho do mundo. A variedade de vida pelágica que podes encontrar ali é a razão pela qual marquei a expedição nessas ilhas durante a época de migrações das baleias-corcundas. Dessa forma podia ter a possibilidade de encontrá-las lá em baixo, ou pelo menos ouvi-las.

N.G.V.: Deste o nome de “Whale Whisperers” (Sussurros das Baleias) a esta fotografia. Quer dizer que consegues ouvir as baleias enquanto estás a mergulhar?

A.P.F.: Sim, na maioria das vezes consigo ouvi-las e, quando estão por perto, o som é impressionantemente belo e forte. É o macho que produz aqueles sons lindos, longos e repetitivos. Esta mãe baleia era silenciosa. Chamei “Whale Whisperers” a esta fotografia porque a imagem transmite aquele momento entre duas espécies, em que partilhas o espaço e comunicas sem palavras mas através do reconhecimento e linguagem corporal. Podes sentir e saber quando a mãe te deixa aproximar.

N.G.V.: Viste esta cena imediatamente? Quando tiraste a fotografia sabias que tinhas a imagem que querias captar, ou foi-te revelada mais tarde no processo de edição?

A.P.F.: Muitas vezes não tenho noção da cena, mas neste caso em particular tive e sabia uns segundos antes que iria haver muito movimento assim que a mãe baleia e a cria nadassem em direção ao resto da equipa, por isso preparei a câmara para isso.

No momento em que tirei a fotografia, sabia que era boa – senti – mas não tinha a certeza se o foco estava no ponto, por isso tive que esperar até sair da água e poder confirmar. Tirei só uma fotografia deste evento – só uma – por isso não existe uma versão B ou C. Fiquei muito feliz do foco estar bem!

N.G.V.: Mostras as tuas fotografias submarinas a preto e branco. Porquê?

A.P.F.: O preto e branco, para mim, é magia pura. Não consigo evitar – a fotografia a preto e branco atinge o lado emocional de formas que a fotografia a cores não consegue. Antes de começar a fotografar debaixo de água, a maioria das fotografias que criava fora de água eram a preto e branco. Para mim é dar continuidade ao que estava a fazer. Lembro-me que no início, os meus companheiros de mergulho ficaram surpreendidos de eu tirar toda a cor das minhas fotografias. Agora acho que gostam delas.

Eu uso uma Sony RX100 para fotografar, o que cria um ficheiro de cor cru. Para a fotografia vencedora, tive que esperar até voltar para casa para ver a conversão final para preto e branco. Quando a vi convertida, fiquei a olhar para ela durante horas e apaixonei-me realmente por esta imagem, à primeira vista. Não tinha a certeza que outros fossem gostar – muitas pessoas querem ver só as baleias, sem humanos ou mergulhadores. Acho que se calhar estava errado acerca disso.

N.G.V.: Esta imagem faz parte da tua coleção “Underwater Realm” (Reino Submarino). Durante quanto tempo trabalhaste nesta coleção? E está completa?

A.P.F.: Tenho trabalhado na coleção durante cinco anos e ainda não está completa. Não acho que alguma vez esteja completa porque não consigo deixar de mergulhar e não consigo parar de fazer fotografias. Gosto demasiado destas duas coisas. Só quando ficar demasiado velho é que estará completa.

N.G.V.: Estes momentos íntimos com os animais e o mundo deles, são parte do que torna o processo de criar imagens submarinas numa coisa tão especial?

A.P.F.: Para mim, fazer fotografias submarinas é uma forma de partilhar a minha paixão pelo oceano e pelo mergulho, criando ainda alguma sensibilização para com os nossos oceanos. Ao mostrar o quão fantástica é a vida submarina, há uma certa esperança que possamos começar a pensar e preocupar-nos um pouco mais com ela.

... teve realmente um impacto na minha vida e trabalho … graças a essa exposição, vejo agora as minhas imagens a serem usadas em projetos de conservação marinha

N.G.V.: Para além de ganhares o National Geographic Traveler Photo Contest, também ficaste em segundo no World Press Photo Competition para natureza. Ter ganho o National Geographic Traveler Photo Contest influenciou-te a entrar no concurso da World Press? Como é veres o teu trabalho junto de grandes organizações de fotografia? Como é que mudaste a forma de fotografares e ligares-te à comunidade fotográfica?

A.P.F.: Ganhar o concurso Traveler tornou-me um pouco inseguro sobre enviar a fotografia vencedora para a World Press Photo. Pensei que pudesse ser descartada porque a fotografia já tinha ganho um grande concurso, mas decidi enviar na mesma.

É um sentimento incrível, veres o teu trabalho em muitos dos grandes jornais, revistas e lojas de jornais em todo o mundo, mas o melhor sentimento surge ao veres que é usada por organizações com o objetivo de conservação. Essa é a verdadeira e a mais profunda das satisfações – a fotografia que serve um propósito.

N.G.V.: Qual é o conselho que podes dar a fotógrafos que concorram no concurso de 2016?

A.P.F.: Confiem sempre na vossa intuição, seja a fotografar, editar ou a escolher a imagem para o concurso. Não deixem que a lógica comande tudo – a intuição é uma ferramenta poderosa e uma forma sábia de decidir coisas. Confio numa imagem que eu goste, não numa imagem que eu pense que os outros vão gostar.

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