Fotografia

As Energias do Futuro Parecem Extraordinariamente Artísticas Vistas de Cima

Um fotógrafo partilha a sua perspetiva única sobre as indústrias crescentes de energia eólica e solar.

Por Rachel Brown
Algumas instalações solares de grande escala concentram a luz do sol num tubo de óleo que, depois de aquecido, ferve a água para gerar eletricidade. Outras, como esta no Nevada, posicionam espelhos de forma a canalizar a luz do sol para uma torre recetora central, onde sal derretido produz energia para o gerador.

Quando vistas do ar à distância de vários quilómetros, as instalações solares e as turbinas eólicas tornam-se obras de arte abstratas: um fractal cintilante de pétalas de metal circunda um único estame pálido, e flores finas e aguçadas pairam sobre a terra.

Por mais futuristas e abstratos que estes locais pareçam, a realidade concreta é a de que a energia solar e a energia eólica estão a prosperar.

Todos os anos, os incentivos governamentais, a mudança nas políticas públicas e os avanços tecnológicos tornam estas fontes de energia limpa e renovável mais apelativas para as empresas e as pessoas. E, nos Estados Unidos, só no ano passado, a energia solar empregou mais pessoas do que as fontes tradicionais do carvão, o petróleo e gás juntas.

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Há quem pense que são avanços insuficientes e tardios. O consenso entre os cientistas é o de que a necessidade de energia verde é maior do que nunca: as emissões de carbono de um ocidental médio derretem 98,45 metros quadrados de gelo do Ártico por ano, contribuindo para o aumento do nível global da água do mar.

Passar dos combustíveis fósseis para um conjunto variado de fontes de energia renováveis – como a solar e a eólica – é um passo na direção certa. E para os dois fotógrafos cujo trabalho apareceu recentemente no desafio da National Geographic #myclimateaction, o futuro é prometedor.

OLHOS NO CÉU

Nascido na Bulgária, Jassen Todorov é violinista e professor de música na Universidade Estadual de São Francisco. É piloto e membro da comunidade Your Shot da National Geographic e partilha regularmente fotografias tiradas a partir do seu avião de quatro lugares.

“Quando tinha pouco mais de 20 anos, tinha medo de não conseguir emprego” como músico, ri-se Todorov. “Por isso pensei: ‘E se me tornasse piloto?’ Ora, foi o que fiz e nunca mais olhei para trás.”

Mas não há dúvida de que olhou para baixo. “É todo um novo mundo que se abre”, diz. “Ao voar do ponto A ao ponto B, há tanto para descobrir pelo caminho... é só uma questão e olhar e perceber ‘Meu Deus, isto é incrível, tenho de tirar uma fotografia.”

Desde que foi considerado um local Superfund, a Estação das Armas Navais de Concord foi alvo de alguma recuperação das suas três décadas de contaminação com metais pesados. O programa Superfund é um programa do Governo Federal dos EUA concebido para financiar a limpeza de locais contaminados com substâncias perigosas e poluentes.
A fraturação hidráulica para obtenção de gás natural e a perfuração para obtenção de petróleo deslocam enormes volumes de águas residuais no condado de Kern, na Califórnia. O condado alberga também o Kern Water Bankm uma reserva de águas subterrâneas com 51,5 quilómetros quadrados atualmente nas mãos de empresas privadas.

Todorov começou a documentar intencionalmente quer o bom quer o mau: viu instalações de energia renovável fascinantes, mas também derrames de petróleo, locais Superfund e enormes lagos de lixo tóxico.

“Penso que toda a gente está a fazer o melhor que pode – estão a ser construídas centrais de energia solar e turbinas eólicas em todo o lado”, aponta Todorov. “Vistas de cima, são muito bonitas; algumas delas muito futuristas. Saber que se destinam a energia limpa e renovável só nos traz mais felicidade — há esperança!”

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