As Surpreendentes Vidas de Quem Vive Perto da Fronteira dos EUA com o México

Como superar as ameaças e as questões políticas sobre a fronteira dos EUA com o México? Visitando-a.

Fotografias Por James Whitlow Delano
Fronteira Estados Unidos México
Nova secção de fronteira construída pelos EUA entre Tijuana e Tecate, Baja California. Os deportados dizem que estas montanhas têm triste fama devido aos raptos.
Fotografia de James Whitlow Delano

Há 30 anos — três décadas antes de qualquer presidente do século XXI exaltar as multidões com a promessa de construção de um muro – o fotógrafo James Whitlow Delano interrogava-se sobre a razão por que a fronteira entre os EUA e o México era um foco de tão grande tensão. Tratava-se de dois países que mantinham relações de paz há mais de um século. Mas a divisão entre eles era suficiente para levar à construção de vedações na fronteira e à realização de debates acalorados sobre como deter a imigração ilegal.

Trinta anos depois, o debate e intensificou-se e a região ficou mais tensa. As partes vedadas da fronteira foram, entretanto, reforçadas com drones, videovigilância e guardas. Os contrabandistas que, no passado, cobravam algumas centenas de dólares para atravessar a fronteira no piso escavado de uma carrinha ou numa correria louca através do Deserto de Sonora foram substituídos por coiotes caros e cartéis mortais, cujas únicas garantias são os preços altos, o extremo perigo e ameaças de rapto e extorsão.

O mais recente trabalho de Whitlow Delano centra-se nas pessoas que vivem ao longo da fronteira – conhecida como la frontera no lado sul – e na tensão, nas ameaças e no perigo que são uma constante das suas vidas quotidianas.

Numa prática conhecida, as famílias colocam cruzes na parede com os nomes de entes queridos que morreram a tentar ultrapassar a fronteira.
Fotografia de James Whitlow Delano
Projetores de luz do lado norte-americano da fronteira iluminam uma casa em Cañon de Otay que se escora no muro da fronteira. Devido às estranhas particularidades da topografia ao longo da fronteira, por vezes, o sinuoso muro diverge para os Estados Unidos, o que permite que as famílias tenham jardins que, na verdade, já se encontram nos Estados Unidos da América.
Fotografia de James Whitlow Delano
Uma família perto de Cañon de Otay tem a casa encostada ao muro da fronteira. A sua maior preocupação agora é o iminente plano de construção de uma autoestrada nesta zona. A casa ficaria diretamente no traçado desta via.
Fotografia de James Whitlow Delano
Estel, avó, adormece um neto no jardim da sua casa que toca o velho muro da fronteira. O genro, Jesus, foi deportado dos Estados Unidos por ter sido condenado por um crime. Sonha agora em conseguir um visto para o Canadá.
Fotografia de James Whitlow Delano
Perto de Tijuana, um homem entra nos Estados Unidos ilegalmente trepando o arame farpado.
Fotografia de James WHitlow Delano
Santuário católico dedicado à Virgem de Guadalupe erigido, contra o muro da fronteira construído pelos EUA, por “Luis”, um deportado dos EUA que vive na sua fortaleza no topo da colina perto de Playas de Tijuana, Baja California, México. O que ele e outros deportados mais temem são os traficantes “coiotes” ou migrantes desconhecidos que vagueiam por esta colina para tentar atravessar para os EUA ou com pretensões mais nefastas.
Fotografia de James Whitlow Delano
A U.S. deportee lives in a makeshift shelter atop a desolate hilltop mesa east of the Pacific Ocean beside U.S.-Mexico border wall. The man, who declined to give his real name, said he occasionally earns five dollars a day collecting shopping carts for a nearby supermarket and lives atop this hill because he feels safe.
Fotografia de James Whitlow Delano
Um homem, provavelmente um traficante conhecido como “coiote” estuda um troço vulnerável do muro em Tijuana. Há uma lacuna numa parte do muro que serve de abertura para os traficantes de pessoas e de drogas
Fotografia de James Whitlow Delano
Os abrigos temporários desta colina isolada em Tihuana, Baja California, México, pertencem a um dos deportados que procurou refúgio nesta zona. Por vezes, os deportados ganham dinheiro a colecionar latas de alumínio que vendem por 220 pesos/kg (1,12 euros) ou a recolher carrinhos de compras para um supermercado local por 95 pesos (4,83 euros) por dia.
Fotografia de James Whitlow Delano
Dois rapazes da família Arias brincam no meio do pó ao lado da sua casa adjacente ao muro original construído pelos EUA em Colonia Libertad, Tijuana, México. Atrás deles, uma sequência de luzes construídas pela Patrulha da Fronteira dos EUA estende-se até ao mar. As luzes foram construídas pela Patrulha de Fronteira dos EUA para iluminar o muro e dificultar a travessia de migrantes à noite.
Fotografia de James Whitlow Delano

Whitlow Delano encontrou muitas vezes pessoas que vivem incrivelmente em constante corda bamba – impossibilitadas de deixar os seus barracos ou cabanas devido às dividas a coiotes e cartéis. Vários homens que conheceu tinham crianças nos EUA que não podiam ver. Muitos sentiam vergonha pelo estado das suas vidas, paradas do ponto de vista económico e pessoal. Um homem, da América Central, foi deportado por ser um criminoso nos Estados Unidos, mas, em vez de regressar a casa, mantinha-se no México enquanto procurava fazia planos para ir para o Canadá.

Um muro reforçado na fronteira – um muro “grande” e “bonito” como prometeu o Presidente Trump – não irá resolver os problemas para estes habitantes raianos. Um grande projeto infraestrutural colocá-los-á numa zona de construção eterna e tornará as suas casas locais de tensão crescente à medida que o muro é erigido e ocupado por uma grande quantidade de novos guardas.

Além disso, é pouco provável que o muro ponha termo ao contrabando ilegal. Whitlow Delano viu os muros serem contornados por túneis e estratégias cada vez mais criativas nos postos de controlo. Uma ação na corrida contra a imigração ilegal irá inevitavelmente levar a outra.

Se, de facto, as tensões aumentarem, Whitlow Delano pretende manter-se atento. A relação humanitária, económica e militarizada entre dois países que não estão em guerra é uma história boa de mais, diz – e só estando lá poderá alguém ultrapassar a demagogia política. “Interessa-me a história partilhada dos dois países”, diz. “Acho que tenho curiosidade para ver até onde isto irá.”

O trabalho de James Whitlow Delano foi possível graças a uma bolsa do Centro Pulitzer sobre a Cobertura de Crises.

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