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Trajes de Urso, Danças, Donuts - No Interior da Maior Festa da Ucrânia

O colorido festival sobreviveu a milhares de anos, alimentando a identidade ucraniana em tempos de turbulência. Por Melody Rowell Fotografias por Brendan Hoffman

Por Melody Rowell

20 janeiro 2016

Na pequena vila ucraniana de Krasnoilsk, poucos quilómetros a norte da fronteira romena, toda as pessoas colaboram em preparações meticulosas, mas festivas. A 13 de janeiro, em conformidade com o calendário juliano, é a Noite de Passagem de Ano. Isso significa que é também um dia festivo chamado Malanka. Mas a Malanka é muito mais do que apenas uma festa de passagem de ano – é uma dos dias mais antigos, mais alegres e mais vibrantes do ano na cultura ucraniana.

Ao anoitecer, os habitantes adornados com trajes elaborados feitos em casa e representando ursos, ciganos, bodes e amas, desfilam de casa em casa, cantando canções, dramatizando pequenas encenações e pregando partidas. Ao longo da noite e pelo dia seguinte adentro, toda a aldeia sai à rua para festejar – preparando banquetes, ajudando-se uns aos outros a cozer os fatos e divertindo-se numa história conjunta.

"Não sei quando surgiu a Malanka” diz Dmytro Dragun, “antes ou depois de Jesus." O sentimento de Dragun é partilhado pelos locais e pelos historiadores: a Malanka é uma celebração tão enraizada na identidade e cultura ucraniana que ninguém sabe com certeza onde surgiu ou quando. O nome refere-se a uma personagem do antigo folclore: Malanka era a filha da Mãe Terra, raptada pelo Diabo e não durante o seu cativeiro não houve primavera. Quando Malanka regressou, a Terra floriu uma vez mais. E assim, o festival celebra tanto o novo ano como a iminente chegada da primavera.

No século XX, a festividade ganhou ainda mais significado: enquanto a União Soviética tentava assimilar todos os países anteriormente independentes numa só cultura, os povos integrados tentaram agarrar-se às suas identidades.

“Nos tempos soviéticos, podíamos ser presos por celebrarmos a Malanka”, relembra Mykola Savchuk.. “Era um risco grande, mas celebrávamos na mesma.” Mesmo nos últimos anos, enquanto a Ucrânia enfrenta conflitos internos para além da hostilidade da Rússia, Malanka tornou-se um símbolo da união e da perseverança ucraniana.

"Está-nos no sangue, é tradição,” diz Ilya Iliuts. “A Malanka junta toda a gente: se duas pessoas têm uma desavença, voltam a ser amigos durante a Malanka. "

Quando se observa as multidões em trajes, é difícil imaginar como Savchuk e amigos escaparam com a celebração extravagante ocasião. O ar enche-se com música estridente e o cheiro de refeições a serem cozinhadas. Os foliões usam máscaras e várias camadas de roupa colorida. Alguns dos trajes de urso são tão grandes e cheios de decorações que aqueles que os usam têm que ser vestidos antes de se cozer o traje.

Enquanto os frágeis trajes não duram até ao próximo ano, a tradição dura. E mantém-se nos corações dos ucranianos que se mudam mas que regressam para a Malanka.

“Toda a gente vem do estrangeiro para a Malanka” diz Olena Istratii. “É uma festividade muito grande. A minha mãe, a minha avó e a minha bisavó também o faziam. Vamos fazer o que pudermos para que a tradição não desapareça”.

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