Fotografia

A Vida nas Longíquas Ilhas Faroé

À boleia nas longínquas Ilhas Faroé, Kevin Faingnaert descobre um mundo sintonizado com o ritmo das ondas.

Por Sarah Stacke
Fotografias Por Kevin Faingnaert

Quando um estranho começa a viajar à boleia pelas Ilhas Faroé, a notícia não demora a espalhar-se. Um aglomerado de 18 ilhas no Oceano Atlântico Norte entre a Islândia e a Noruega, este arquipélago com aproximadamente 540 milhas quadradas (sensivelmente 970 km2) alberga cerca de 50 000 pessoas. Designado por Føroyar na língua das ilhas, este país com governo próprio faz parte do Reino da Dinamarca.

No inverno de 2016, o fotógrafo belga Kevin Faingnaert foi atraído a estas ilhas isoladas, que são habitadas desde o século VIII. Com muita vontade de trabalhar num projeto fora da Bélgica, Faingnaert pegou no mapa e, pela primeira vez, reparou nas Ilhas Faroé. Dois dias depois estava dentro de um avião com destino a este país montanhoso e coberto de neve na expectativa do que iria encontrar.

Segundo Faingnaert, pedir boleia nas ilhas foi fácil. Raramente teve de esticar o polegar durante mais de dez segundos. Algumas pessoas paravam porque já tinham ouvido falar do belga que viajava à boleia e tirava fotografias. Outras paravam devido à anomalia que representava: uma cara desconhecida num país que raramente vê turistas fora de Tórshavn, a capital. Consta que existem três semáforos nas Ilhas Faroé e são todos em Tórshavn.

Faingnaert também viajava frequentemente de barco. Por duas vezes, usou o helicóptero, uma forma cómoda e barata de viajar entre ilhas. Uma família de oito pessoas – a única família – da Ilha de Mykines, por exemplo, manda os filhos para a escola de helicóptero todos os dias. O mar entre Mykines e a ilha mais próxima é revolto, o que torna a viagem de barco impraticável.

Ao contrário das cidades movimentadas da Bélgica, rodeadas de paisagens férteis, cobertas de árvores e pontuadas por pequenos montes, as Ilhas Faroé são escarpadas, desarborizadas e serenas. O solo rochoso obriga as ilhas a importarem a maior parte da comida, com a exceção das ovelhas, que pastam nas terras das ilhas, e do peixe. A pesca é, de longe, a indústria predominante e a fonte do comércio de exportação.

Durante o inverno, o vento e o quebrar das ondas tonam-se uma banda sonora ininterrupta. Foi a natureza distinta e intensa do lugar que cativou Faingnaert, diz-nos o próprio. A natureza e as histórias das pessoas que escolheram ficar nas aldeias quase abandonadas assentes sobre o mar inquieto.

Faingnaert recorda Simun Hanssen. Marinheiro reformado, Hanssen vive na Ilha de Svínoy e passa os dias à procura de mensagens em garrafas que vão dando à costa. Encontrou aproximadamente 60 garrafas, trazidas por uma corrente oceânica situada entre o Canadá e a Noruega. Hanssen doa a maioria a um museu em Tórshavn.  Seleciona outras, que tenham textos excecionalmente tocantes e uma morada, para lhes responder por carta ou para levar a mensagem ao destinatário na Escandinávia ou noutro lugar, como um interlocutor mágico.

Na praia de Sandavágur, um jovem chamado Simún Jacobsen pratica trombone todos os dias. O mar retumbante é a banda de apoio das melodias que cria.

Tróndur Patursson vive na Ilha de Streymoy. Artista e aventureiro, é muito conhecido nas Ilhas Faroé. Em meados dos anos 70, Patursson fez uma viagem transatlântica numa réplica dos navios com casco de couro do século VI. As aves em vitral feitas por Patursson podem ser encontradas em toda a ilha, das câmaras municipais às salas de estar.

Durante o mês que passou nas Ilhas Faroé, Faingnaert centrou a atenção em aldeias com 20 a 30 pessoas, habitualmente localizadas em ilhas de acesso difícil. Disseram-lhe muitas vezes que há cinco anos havia perto de 120 pessoas nestas aldeias. Depois, os jovens começaram a mudar-se para Tórshavn em busca de mais oportunidades ou foram estudar para a Dinamarca e decidiram não voltar.

Encontrar pessoas para fotografar durantes os dias frios e escuros constituiu um desafio especial. “Geralmente, não vou bater à porta das pessoas”, explica Faingnaert, mas ali, com toda a gente a hibernar no interior das suas casas, “não tive escolha”. Quase todas as pessoas o convidaram a entrar para tomar um café e ou concordaram sentar-se para um retrato ou indicaram-lhe alguém que o faria. Curiosamente, os que lhe abriam a porta e concordavam em tirar uma fotografia eram quase sempre homens; as mulheres, em geral, preferiam não ser fotografadas, diz Faingnaert.

Despite the spectacular landscape and mesmerizing stories, Faingnaert recalls a loneliness unique to the wintery Faroe Islands. In the evenings, there weren’t people around to socialize, to share a drink or bite to eat. Even the sheep and birds, ubiquitous on the islands, went to sleep.

The villages will continue to decline in population, predicts Faingnaert. Like a grandfather you know won’t be with you forever, says the photographer, his primary intent was to document the villages and the people who inhabit them before they slip into the past.

Poderá ver mais trabalhos de Faingnaert no websitedo fotógrafo.

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