História

O Bolo de Frutas Com 100 Anos de Idade Encontrado na Antártida é 'Quase' Comestível

É provável que o explorador britânico Robert Falcon Scott tenha trazido o bolo consigo para a Antártida, onde ficou conservado em "excelentes condições".quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Por Christine Dell'Amore
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Famoso por ser indestrutível, um bolo de frutas resistiu um século no lugar mais frio, mais ventoso e mais seco da Terra.

Os ambientalistas que viajavam com o Antártica Heritage Trust, sediado na Nova Zelândia, encontraram recentemente a sobremesa com 100 anos no edifício mais antigo da Antártica, uma cabana em Cape Adare. 

Envolvido em papel e nos restos de uma lata, o bolo de fruta está em "excelente estado", de acordo com o Antarctic Heritage Trust, e o aspeto e o cheiro são de um bolo quase comestível.

É provável que o explorador britânico Robert Falcon Scott tenha trazido o bolo, feito pela empresa britânica Huntley & Palmers, para a Antártica, durante a sua expedição de 1910-1913 à Terra Nova. (Veja fotos: "Cabana 'Cápsula do tempo' da Antártida revelada.")

O grupo da expedição que explorava os locais mais a norte abrigaram-se na cabana de Cape Adare, que tinha sido construída pela equipa do norueguês Carsten Borchgrevink, em 1899 — e que deixou ficar o bolo de fruta. Uma equipa tem vindo a fazer escavações de artefatos na cabana desde 2016.

"O bolo de frutas foi um item popular na sociedade inglesa na época, e continua a ser popular hoje", diz, por e-mail, Lizzie Meek, gerente de conservação de artefatos no Trust.

"Viver e trabalhar na Antártida tende a induzir um desejo por alimentos de alto teor de gordura, grande quantidade de açúcar, e o bolo de frutas reúne estas características, além de que cai muito bem acompanhado por uma chávena de chá quentinho." 

OS DIAS DE HEROICIDADE

Scott e sua tripulação de quatro pessoas alcançou o Polo Sul em 1912, mas os cinco morreram na viagem de regresso à base, a cabana em Cabo Evans, na Terra Nova. 

Ambientalistas do Heritage Trust restauraram a cabana de 15 metros de comprimento, situada na Terra Nova, o maior edifício da Antártida do seu tempo e várias outras cabanas portáteis de madeira, para se assemelharem a como eram há um século atrás.

Depois de restaurar os artefatos das cabanas — incluindo o bolo de fruta — os restauradores voltaram a colocá-los nos seus locais originais, dentro das cabanas.

Ao fazê-lo, o responsável pelo restauro Gordon Macdonald disse que em 2015, as cabanas podem atrair mais visitantes à Antártica, cada vez mais um destino turístico. 

As cabanas, explica Gordon "ajudam a contar as histórias de exploração e heroicidade, bem como a inspirar as gerações futuras".

Christine Dell'Amore é a autora do livro Polo Sul.

 

Christine Dell'Amore é a editora on-line de história natural para a National Geographic News. Também fundou o blog popular Weird & Wild.

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