História

Auditório Romano Descoberto Debaixo do Muro das Lamentações em Jerusalém

Durante escavações perto do Muro das Lamentações, os arqueólogos descobriram um espaço público com capacidade para sentar 200 pessoas. Terça-feira, 7 Novembro

Por Sarah Gibbens

O que pode um teatro romano inacabado dizer-nos sobre um período tumultuoso na antiga Jerusalém? Segundo os arqueólogos, muito. 

A Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA) estremeceu recentemente ao compreender o passado distante da região ao anunciar, esta semana, que escavações recentes revelaram vestígios daquilo que acreditam ter sido outrora um pequeno teatro ou espaço público. A descoberta foi feita quando os arqueólogos escavavam partes do Muro das Lamentações, uma das estruturas mais reverenciadas da fé judaica. 

O antigo muro engloba aquilo que os judeus chamam Monte do Templo, e o que os muçulmanos chamam Haram esh-Sharif. Atualmente, o local religioso tem grande importância para cristãos, judeus e muçulmanos. 

Os arqueólogos iniciaram as escavações na esperança de encontrar a datação do Arco de Wilson, uma antiga ponte de pedra que conduzia ao local do Monte do Templo. Já haviam sido encontrados sob o arco fragmentos de relíquias, como cerâmica e moedas, mas os arqueólogos ficaram surpreendidos quando as escavações revelaram um teatro romano completo. Trata-se da primeira estrutura pública romana deste género a ser descoberta na cidade. 

"Não imaginávamos que uma janela se abrisse para nós relativamente ao mistério do teatro perdido de Jerusalém", afirmou a IAA num comunicado. "Não existe dúvida de que a exposição dos percursos do Muro das Lamentações e os componentes do Arco de Wilson são descobertas entusiasmantes que contribuem para a nossa compreensão de Jerusalém. Mas a descoberta da estrutura semelhante a um teatro é o verdadeiro elemento dramático." 

"Encontra-se num espaço totalmente fechado. É um teatro muito pequeno, mas elegante", afirmou Jodi Magness, arqueóloga e professora na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. Estava a visitar a cidade com um grupo de turistas e, por coincidência, conseguiu ver por breves instantes a estrutura antes de a sua descoberta ter sido divulgada.

Os vestígios foram desenterrados de cerca de oito de metros de profundidade de escombros, que cobriam pedras que não viam a luz do dia há quase dois mil anos. A data inicial das pedras romanas sugerem que o local foi provavelmente construído durante o século II d.C. Os arqueólogos concluíram que a estrutura teria capacidade para sentar 200 pessoas, um número relativamente pequeno. Em comparação, o Coliseu de Roma consegue sentar cerca de 50 mil pessoas.

Devido à sua dimensão, os arqueólogos teceram a teoria de que a estrutura poderá ter sido utilizada como um odeão, uma pequena sala de espetáculos, ou um bouleuterion, uma assembleia utilizada por figuras públicas.

A descoberta fornece provas físicas do que estava escrito em antigos registos sobre a vida em Jerusalém sob o domínio do Império Romano. Essa era foi uma época política crucial para Jerusalém. Em 70 d.C., a cidade foi cercada pelo Império Romano e, em seguida, foi reconstruída como a colónia romana de Aelia Capitolina.

Magness afirmou que o teatro está associado com o período durante o qual a cidade estava sob controlo total dos romanos e foi construída como uma cidade pagã que homenageava o deus romano Júpiter.

"Encontrámos alguns fóruns que Adriano (imperador romano) construiu na cidade. Até agora, não tínhamos encontrado teatros", afirma.

PROJETO ABANDONADO

Apesar de os arqueólogos terem alguma ideia sobre o fim previsto da estrutura, também acreditam que foi provavelmente abandonada antes de ser utilizada. Isto porque algumas pedras exibem marcas onde os trabalhadores tencionaram partir no local do corte, mas não chegaram a fazê-lo, e algumas escadarias na arena nunca foram talhadas.

Magness referiu que o imperador romano Adriano baniu os judeus, proibindo-os de viver em Aelia Capitolina. A IAA afirma que o teatro poderá ter ficado por terminar porque os recursos foram desviados para eliminar a revolta de Bar Kokhba, um período durante o qual os judeus tentaram uma insurreição.

A IAA planeia continuar as escavações no local para encontrar provas físicas da história judaica escrita na região, uma atitude que tem, por vezes, dado origem a controvérsia com grupos palestinianos que também reclamam estes locais sagrados.

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