História

Conheça os Memoriais de Alguns dos Acontecimentos mais Negros da História

Museus e memoriais espalhados pelo mundo inteiro revelam histórias de morte, indignidade e destruição. Quarta-feira, 8 Novembro

Por Gulnaz Khan
Fotografias Por Ambroise Tézenas

Tuol Sleng é um retrato de crueldade. As fotografias de cadáveres emaciados decoram as salas numa espécie de papel de parede macabro e os salpicos de sangue ferrugentos mancham os tetos - provas da prisão, tortura e massacre sistemáticos de civis cambojanos durante o assustador domínio dos Khmer Rouge. Décadas após ter desempenhado um papel fundamental num dos piores massacres do séc. XX, o antigo centro de detenção convida agora turistas para entrarem e explorarem a sua história de violência.

O cenário em Tuol Sleng não é invulgar. Anualmente, milhões de denominados "turistas negros" viajam até memoriais de guerra, locais de catástrofes naturais e prisões desativadas pelo mundo inteiro para testemunharem os vestígios dos respetivos passados trágicos.

O campo de concentração de Auschwitz foi criado pelas autoridades alemãs em 1940 nos subúrbios de Oświęcim para manter polacos presos em detenções em massa. Por volta de 1942, este campo pertencia a uma das maiores redes de campos de extermínio nazis, nos quais os prisioneiros eram sujeito a trabalho forçado, experiências médicas desumanas e assassínios em massa. OAuschwitz-Birkenau State Museum (em cima) é um memorial e museu dedicado à memória dos que foram assassinados nos campos de concentração durante a II Guerra Mundial (uma estimativa de 1 milhão e 100 mil pessoas).

Em 1982, as forças israelitas invadiram o sul do Líbano após anos de enormes tensões. Em resposta, um grupo de militantes recém-criado, o Hezbollah, lançou uma campanha de guerrilha contra a incursão. Milhares de civis libaneses e palestinianos foram mortos e centenas de milhares ficaram desalojados durante a amarga ocupação de 18 anos, que finalmente terminou em 2000 quando Israel retirou as suas forças. O Monumento Turístico da Resistência (acima) foi inaugurado em 2010 em Mleeta - uma base militar estratégica para o Hezbollah - para comemorar o 10.º aniversário da retirada de Israel.

A 12 de maio de 2008, um enorme sismo abanou a região montanhosa da Província de Sichuan no sudoeste da China. Vilas e cidades inteiras foram eliminadas pelo sismo de 7,9 de magnitude. Cerca de 90 mil pessoas morreram, incluindo mais de 5.300 crianças e milhões ficaram desalojadas. Uma escultura memorial (em cima) foi inaugurada em 2009 em frente a uma escola secundária destroçada no município de Yingxiu, local do epicentro do sismo. Um grande relógio de granito exibe a hora, 14h28, a altura em que se fizeram sentir os primeiros abalos.

A tortura e as execuções eram um lugar-comum na Prisão de Karosta (acima) perto de Liepaja, Letónia, que foi utilizada como prisão militar nazi e soviética durante grande parte do séc. XX. A prisão militar foi convertida num museu, no qual os visitantes podem ter um vislumbre da vida atrás das grades e pernoitar no local.

Em abril de 1986, uma série de erros na fábrica nuclear de Chernobyl na antiga União Soviética deu origem ao pior desastre nuclear de que há registo. Várias explosões rebentaram a tampa do reator n.º 4, libertando uma nuvem de material radioativo para a atmosfera. Os ventos transportaram a poeira tóxica para a Ucrânia, Bielorrússia e Rússia, deixando um rasto de milhares de hectares de terreno contaminado. Mais de 100 mil pessoas foram permanentemente evacuadas e as doenças relacionadas com a radiação continuam a afligir as pessoas que estiveram expostas a níveis elevados do material nocivo. Os turistas podem agora visitar a Zona de Exclusão, a área abandonada à volta do reator. A cidade-fantasma de Pripyat, Ucrânia (em cima) foi considerada perigosa para povoamento humano durante 24 mil anos.

Em 1975, os Khmer Rouge assumiram o controlo do Camboja, dando início a um genocídio sangrento que acabou por matar cerca de 1,7 milhões de pessoas. Numa tentativa radical para criar uma sociedade sem classes, as pessoas viram os seus títulos e posses serem-lhes retirados, sendo obrigadas a praticar trabalho forçado em quintas comunitárias na zona rural. As pessoas que não faleciam por doença ou fome eram detidas e torturadas em centros de execução como Tuol Sleng (acima). Cerca de 17 mil prisioneiros passaram pela antiga escola secundária transformada em prisão e acabaram enterradas nos campos de morte nos arredores de Phnom Penh.

Entre abril e julho de 1944, membros da maioria étnica Hutu no Ruanda chacinaram cerca de 800 mil pessoas e violaram 250 mil mulheres numa campanha extremamente violenta para exterminar a minoria Tutsi. Após o massacre, cerca de dois milhões de Hutus fugiram para a Tanzânia, Burundi e Zaire (República Democrática do Congo) com medo de retaliações, piorando ainda mais a crise humanitária. Os memoriais do genocídio no Ruanda (acima) preservam e exibem os ossos dos mortos.

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