Encontrado Fóssil de Um Enorme Peixe-boi na Rússia

Mesmo sem cabeça, os ossos deste mamífero marinho podem revelar-nos mais pormenores acerca desta espécie pouco conhecida.quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Quando Maria Shitova viu o que pareciam postes brancos a emergirem da areia numa praia da Rússia, pensou que seriam parte de alguma vedação feita por humanos. Mas em vez de mobiliário urbano, a sua equipa de investigação exumava, horas mais tarde, um esqueleto quase completo de um colossal peixe-boi.

A equipa teve de escavar mais de 91 centímetros, nas remotas Ilhas Comandante, na Reserva Natural Komandorsky, antes de terem encontrado os restos mortais da criatura extinta. Ao espécime de dez toneladas, falta o crânio e vários ossos, mas tem 45 vértebras, 27 costelas, e a escápula esquerda. Os oficiais da reserva natural anunciam que o esqueleto, em bom estado de preservação, será exposto no centro de visitas.

"Este é o único peixe-boi alguma vez encontrado intacto in situ”, diz Lorelei Crerar, uma professora da Universidade George Mason que publicou um artigo sobre peixes-bois, em 2014. “Tudo o que temos é este registo do animal e nada mais”.

(Veja também o vídeo do fóssil milenar de uma preguiça que foi encontrado numa caverna subaquática)

Em 1987, um espécime de quase três metros foi descoberto na ilha de Bering, mas foi desmontado desde então. Hoje, o The Guardian escreve que o Museu Finlandês de História Natural tem na sua posse um dos esqueletos de peixe-boi mais completos.

Crerar está esperançosa de que a cabeça do esqueleto esteja algures na zona, e possa ser desenterrada em escavações futuras. Quando Georg Steller, o explorador alemão que descobriu as criaturas em 1741, regressou da Segunda Expedição a Kamchatka, teve de deixar uma carcaça de peixe-boi para trás. Crerar suspeita de que este esqueleto seja desse animal abandonado. (Veja o vídeo do leão extinto com 50 000 anos encontrado congelado na Rússia)

Com um grau de parentesco próximo dos durongos e dos manatins, esta vaca-marinha-de-steller de seis metros de comprimento costumava percorrer as águas entre a Rússia e o Alasca, e fazia-o há 11 700 anos. Steller diz que respiravam ar, nunca submergiam e podem até ter andado em terra. Em vez de utilizarem dentes, estas criaturas com cauda em forma de garfo, mascavam erva marinha e kelp (Laminariales) com o lábio superior constituído por cerdas brancas e duas placas orais feitas de queratina. Eram monógamos, sociais e choravam os seus mortos.

"Quando uma fêmea era capturada, o macho tentava com toda a sua força libertar a sua companheira, e, como não conseguia, seguia-a até à costa, apesar de o tentarmos enxotar”, descreveu em 1751 um explorador que caçava peixes-bois. “Quando aparecemos no dia seguinte, de manhã cedo, para cortar a carne e levá-la para casa, encontrámos o macho ainda à espera, ao lado da companheira.”

Em determinada altura, as estimativas sugerem que 2000 peixes-bois tenham nadado ao mesmo tempo no mar Ártico. Mas os animais extinguiram-se em 1768, 27 anos depois de terem sido descobertos. Além do estudo da espécie, Steller e a sua equipa também caçaram os animais, matando, provavelmente, dez ou 20 deles pela sua carne, diz Crerar. Aparentemente, os gigantes gentis com peles que escondiam 10 cm de gordura por baixo sabiam a óleo de amêndoas e os seus corpos alimentavam 33 pessoas durante um mês.

"Esperamos que divulguem mais informações”, declara Crerar."Este é o caso de uma família de animais que, a dada altura, era enorme e que depois diminuiu.”

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