"Monstro Marinho" Jurássico Descoberto na Índia

O fóssil, que está em boas condições de preservação, está a ajudar os paleontólogos a perceberem como foi que o ictiossauro se espalhou por todo o mundo antigo.terça-feira, 14 de novembro de 2017

Os ossos que recentemente emergiram da terra, no noroeste da Índia, pertenceram a um “monstro marinho” do tamanho de um pequeno barco, que vagueou pelas profundezas há mais de 150 milhões de anos.

O fóssil recém-descoberto é de um esqueleto quase intacto de um ictiossauro, uma espécie de répteis marinhos que aterrorizavam os mares durante a era dos dinossauros. Estes animais eram os golfinhos ou as baleias da sua época: elegantes comedores de peixes com olhos enormes, mandíbulas estreitas, e dentes em forma de cone.O ictiossauro da Índia, que viveu há cerca de entre 152 e 157 milhões de anos, é o primeiro mostro marinho jurássico descoberto na região. Anunciado a 25 de outubro na publicação PLOS ONE, o fóssil está agora a ajudar os paleontólogos a perceberem melhor como foi que os ictiossauros se espalharam um pouco por todo o mundo antigo.

“Esta é uma descoberta fantástica, e é, de longe, o melhor esqueleto de ictiossauro alguma vez encontrado na Índia”, afirma Steve Brusatte, um paleontólogo da Universidade de Edimburgo que não esteve envolvido no estudo.

“Os fósseis de ictiossauros são bem conhecidos nos continentes mais a norte, mas muito raros no sul”, acrescenta Brusatte. Mundialmente, existem muito mais descobertas de fósseis desta espécie na América do Norte e na Europa. (Veja um monstro marinho que foi encontrado perto de um lago escocês em 2016.)

“Este novo esqueleto tem potencial para revelar muitos segredos acerca da evolução do ictiossauro e da sua biogeografia.”

 

O PACOTE COMPLETO

Os paleontólogos indianos fizeram esta afortunada descoberta a sul da vila de Lodai, na província de Guzerate, na Índia, em 2016.

O ictiossauro estava embutido na rocha sedimentar extremamente dura, e a escavação foi um trabalho extenuante: atualmente, o clima da região é árido e rigoroso, com as temperaturas a ultrapassarem os 35 ºC.

Depois de 1500 horas de trabalho a escavar, a equipa desenterrou um esqueleto cujo estado de conservação era extraordinário. A espinha dorsal do ictiossauro estava numa linha mais ou menos contínua, e a forma da sua barbatana dianteira esquerda era a mesma que o animal tinha quando estava vivo. (Descubra mais sobre uma cria de monstro marinho descoberta preservada dentro do corpo de sua progenitora.)

Guntupalli V.R. Prasad, um paleontólogo da Universidade de Deli, na Índia, que estuda vertebrados da era dos dinossauros, diz que a descoberta foi uma surpresa. “Eu nunca fiz muita pesquisa sobre os fósseis de vertebrados desta região, por ser considerada uma região onde existiriam muito poucos fósseis vertebrados”, explica.

Prasad depressa percebeu a magnitude da descoberta. Não só é o fóssil de ictiossauro mais completo alguma vez encontrado, é também o primeiro fóssil do período jurássico encontrado no país. Todas as anteriores descobertas foram datadas como pertencentes a um período cerca de 50 milhões de anos mais recente, e são de dentes isolados ou de vértebras em condições precárias, diz Prasad.

PRESAS DIFÍCEIS

Na era em que viveu o ictiossauro, esta região da Índia estava coberta por um mar tropical, por onde o réptil de cerca de cinco metros vagou, em busca de alimento. Os seus dentes partidos e desgastados sugerem que consumia presas difíceis como o placodermo e as amonites, moluscos com conchas em forma de espiral que se assemelham aos atuais nautiloides.  

A equipa também descobriu que o ictiossauro indiano tem um grau de parentesco próximo com outros membros da mesma espécie encontrados no Norte – mais uma prova da globalização deste monstro marinho.

A descoberta do ictiossauro, em conjunto com outras descobertas de fósseis invertebrados, sugere que antigamente o supercontinente Gonduana era atravessado por uma rota marítima gigante, que dividia o território onde hoje está situada a fronteira mais oriental da Índia, Madagáscar e a América do Sul.

A ser verdade, poderia determinar a forma como os paleontólogos entendem a distribuição geográfica das criaturas marinhas no período jurássico.

“Esta descoberta ajuda a demonstrar como o ictiossauro se espalhou pelos mares de todo o mundo, na era dos dinossauros”, afirma Brusatte. “Eles parecem ter vivido um pouco por todos os oceanos, por todo o mundo, ao mesmo tempo que os dinossauros ocupavam estrondosamente a terra.”

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