O Titanic Foi Encontrado Durante Uma Missão Secreta Durante a Guerra Fria

Leia sobre como a National Geographic revelou o projeto militar clandestino que conduziu à descoberta do célebre naufrágio.

Wednesday, November 29, 2017,
Por John Roach
destroços do Titanic
A proa enferrujada (arco) do Titanic repousa no fundo do Atlântico Norte.
Fotografia de Emory Kristof, National Geographic

Nota do editor: há 20 anos, o sucesso de bilheteiras Titanic, de James Cameron, apaixonou o público no mundo inteiro. Mas foi há menos de 10 anos que Robert Ballard, o oceanógrafo que descobriu o Titanic em 1985, revelou ao mundo que tinha encontrado o célebre naufrágio como resultado de uma expedição militar ultra secreta. Saiba como é que a National Geographic deu a notícia a 2 de junho de 2008.

A descoberta do Titanic em 1985 resultou de uma investigação secreta da Marinha dos EUA a dois submarinos nucleares naufragados, de acordo com o oceanógrafo que encontrou o célebre navio de cruzeiro.

Partes deste capítulo da história da Guerra Fria conhecem-se desde meados dos anos 90, mas agora começam a vir à tona detalhes mais pormenorizados, afirmou o responsável pela descoberta do Titanic, Robert Ballard.

"A Marinha está finalmente a falar sobre o assunto", afirmou Ballard, um oceanógrafo da Universidade de Rhode Island em Narragansett e do Mystic Aquarium and Institute for Exploration, no Connecticut.

Ballard reuniu-se com representantes da Marinha em 1982 para solicitar fundos para desenvolver a tecnologia robótica submersível de que necessitava para encontrar o Titanic.

Ballard é também um explorador residente da National Geographic Society.

DESCOBERTA SURPRESA

Ronald Thunman, na altura Diretor Executivo de operações navais para guerra submarina, disse a Ballard que o exército estava interessado na tecnologia - mas para poder investigar o naufrágio do U.S.S.Thresher e do U.S.S. Scorpion.

Como a tecnologia de Ballard poderia chegar até aos submarinos afundados e tirar fotografias, o oceanógrafo aceitou a proposta.

Em seguida, perguntou à Marinha se poderia procurar o Titanic, que estava localizado entre os dois naufrágios.

"Fui um pouco bruto com ele", afirmou Thunman, Vice-almirante reformado e que reside presentemente em Springfield, Illinois. Realçou que a missão consistia em estudar os navios de guerra afundados.

Quando Ballard tivesse concluído a sua missão, caso existisse tempo suficiente, afirmou Thunman, Ballard podia fazer o que quisesse mas nunca lhe deu autorização explícita para procurar o Titanic.

Ballard afirmou que o Secretário da Marinha, John Lehman, estava a par do plano.

"Mas a Marinha nunca esperou que eu encontrasse o Titanic e, como tal, quando isso aconteceu, ficaram muito nervosos com a publicidade", afirmou Ballard.

"Mas as pessoas estavam tão concentradas na lenda do Titanic que nunca uniram os pontos."

SUBMARINOS AFUNDADOS

O Thresher e o Scorpion tinham-se afundado no Oceano Atlântico Norte a profundidades entre 10 000 e 15 000 pés (3000 e 4600 metros).

Os militares queriam saber qual o destino dos reatores nucleares que alimentavam os navios, afirmou Ballard.

Este conhecimento destinava-se a ajudar a determinar a segurança ambiental da eliminação de material nuclear adicional nos oceanos.

A Marinha também queria descobrir se existiam quaisquer provas que apoiassem a teoria de que o Scorpion tinha sido abatido a tiro pelos soviéticos.

Os dados de Ballard demonstraram que os reatores nucleares estavam seguros no fundo do oceano e que não estavam a ter qualquer impacto no ambiente, segundo Thunman.

Os dados também confirmaram que provavelmente o Thresher se tinha afundado após um problema de canalização que deu origem a um colapso da alimentação nuclear, acrescentou. Os dados relativamente ao que aconteceu com o Scorpion são menos exatos.

Um incidente catastrófico de alguma natureza deu origem à inundação da extremidade anterior do submarino, afirmou Thunman. A extremidade posterior permaneceu selada e implodiu quando o submarino atingiu uma determinada profundidade.

"Não detetámos quaisquer indícios de algum tipo de arma exterior que possa ter provocado o afundamento do navio", afirmou Thunman — descartando a teoria de que os russos tinham disparado torpedos contra o submarino em retaliação por espionagem.

TRILHOS DOS DESTROÇOS

Enquanto procurava pelos submarinos afundados, Ballard aprendeu uma lição valiosa sobre os efeitos das correntes dos oceanos nos destroços afundados: os objetos mais pesados afundam-se com maior rapidez.

O resultado é um trilho de destroços disposto pela física das correntes.

Com apenas 12 dias restantes na sua missão, Ballard começou a procurar pelo Titanic, utilizando esta informação para localizar o navio cruzeiro. Especulou que o navio se tinha partido ao meio e deixado um trilho de destroços à medida que se afundou.

"Foi isso que nos salvou", afirmou Ballard. "Acabou por se confirmar ser verdade."

Desde então, o explorador utilizou uma técnica semelhante para descobrir outros navios e tesouros afundados, incluindo as suas expedições ao Mar Negro.

Serão estas expedições também parte de missões ultra secretas? Afinal de contas, o Mar Negro está na zona volátil do Médio Oriente.

"A Guerra Fria já terminou", afirmou Ballard. "Já não trabalho na Marinha."

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