"Obra-prima" da Grécia Antiga Revelada em Pedra Preciosa

O extraordinário pormenor da cena retratada foi gravado com enorme precisão e ilustra um guerreiro vitorioso em combate.quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Uma obra de arte deslumbrante gravada numa pedra preciosa, com cerca de 3,5 cm, foi revelada após alguns investigadores terem lavado milhares de anos de calcário e sujidade.

A equipa de investigadores encontrou a obra-prima há dois anos, mas achavam que se tratava apenas de uma pequena conta. Estava incluída numa coleção de 1400 artefactos desenterrados no túmulo com 3500 anos de idade de um guerreiro da Idade do Bronze, enterrado no sudoeste da Grécia. A pedra, que os investigadores batizaram agora de "Ágata do Combate de Pylos", terá provavelmente sido utilizada como uma pequena joia, afirmou Shari Stocker, uma das principais responsáveis das escavações.

O túmulo em si foi um achado notável, quando os investigadores o descobriram em 2015. Alojava o esqueleto bem preservado do "Guerreiro Grifo." Foi sepultado com uma placa que ilustra uma criatura denominada "grifo", com a cabeça e asas de uma águia e o corpo de um leão. Entre as riquezas enterradas com o Guerreiro Grifo, estava uma coleção de anéis sinetes de ouro e uma espada de bronze. A pedra preciosa foi recolhida, mas colocada de lado, e a sua arte foi apenas revelada após uma limpeza rotineira dos artefactos.

Os investigadores da Universidade de Cincinnati precisaram de quase um ano para limpar o artefacto antes de poderem ver os pormenores complexos gravados na sua superfície. Os detalhes sobre a pedra preciosa e os artefactos encontrados no túmulo foram publicados na publicação Hesperia.

"É bastante comovente de observar. O choro é quase sempre a reação", afirmou Stocker.

CENÁRIO VIOLENTO

A gravação, em pormenor, é facilmente visível apenas com uma lente de câmara de fotomicroscopia. Alguns dos pormenores gravados na pedra têm apenas meio milímetro de altura. Uma lupa poderá ter sido utilizada para criar os pormenores na pedra mas, segundo Stocker, nenhum tipo de ferramenta de ampliação deste período foi alguma vez encontrado.

"São incompreensivelmente pequenos", afirmou o professor Jack Davis da Universidade de Cincinnati num comunicado de imprensa.

Numa entrevista, Davis explicou que obras de arte feitas com tamanho detalhe não voltariam a ser vistas durante mais mil anos.

"[Outras obras de arte] apresentam tanta semelhança como um desenho animado do Rato Mickey tem com Michelangelo", afirmou.

A cena ilustra um guerreiro vitorioso que, após conquistar o seu primeiro adversário, ergue a sua espada para mergulhá-la no pescoço de outro inimigo. Os músculos individuais podem ser vistos nos corpos humanos gravados na pedra.

Tem toda a grandiosidade de cenas como os épicos gregos A Ilíada e A Odisseia.

O túmulo no qual a pedra foi encontrada localiza-se na península do Peloponeso, em Pylos, no local do palácio do Rei Nestor, tal como está escrito no poema épico de Homero A Odisseia, reportou Andrew Lawler à National Geographic no ano passado. Exatamente o que a delicada gravação da pedra ilustra é um mistério. Os investigadores não têm pistas suficientes para ligar a ilustração às tradições orais que mais tarde vieram a inspirar Homero em 700 a.C. Mas Stocker e os investigadores acreditam que, provavelmente, ilustra uma lenda que seria bem conhecida na altura.

TÚMULO DE SURPRESAS

Segundo os investigadores, a complexidade da gravação obriga os historiadores a repensarem o calibre da arte produzida durante este período de tempo. Mais nenhuma outra gravação pormenorizada foi encontrada da Idade do Bronze do Egeu.

O Guerreiro Grifo foi sepultado por volta de 1450 a.C., durante uma época politicamente tumultuosa na Grécia Antiga. Considera-se, de um modo geral, que os habitantes no continente grego, os micénicos, conquistaram o povo da ilha de Creta, os minoicos. A arte minoica influenciou bastante a arte existente no continente grego e muitos dos artefactos minoicos encontrados durante este período de tempo foram importados ou roubados.

A quantidade de influência exercida sobre a Grécia continental tem sido alvo de debate. O túmulo do Guerreiro Grifo, sugerem os investigadores, indica um elevado nível de intercâmbio cultural. Quem foi exatamente este guerreiro, isso ainda não se sabe. A quantidade de artefactos minoicos no seu túmulo indicam que poderá ter sido um membro da elite minoica ou um micénico fascinado pela cultura minoica.

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