História

"Cápsula do Tempo" Encontrada em Estátua de Jesus - Onde Menos Se Esperaria

Durante trabalhos de restauro efetuados a uma estátua de Jesus do século XVIII, técnicos de restauro encontraram duas cartas de 240 anos de idade num local improvável. Quarta-feira, 13 Dezembro

Por Sarah Gibbens

Durante obras de restauro a uma estátua do século XVIII, historiadores espanhóis encontraram algo que aparenta ser uma espécie de cápsula do tempo num local improvável: as nádegas de uma estátua.

A estátua retratava a imagem de Jesus Cristo durante a crucificação e tinha estado pendurada na igreja de S. Águeda, no norte de Espanha. A estátua, com vários séculos de idade, estava a começar a exibir fendas e a soltar-se da respetiva cruz, explicou Gemma Ramírez.

Ramírez é uma técnica de restauro do grupo Da Vinci Restauro, sediado em Madrid, que trabalhou para manter a estátua em bom estado. Segundo Ramírez, quando estavam a levantar a estátua para colocá-la sobre uma mesa de trabalho, repararam então que estava algo no seu interior.

Quando removeram uma secção da estátua esculpida em forma de um pano, Ramírez e a sua colega descobriram que o fundo oco da obra de arte incluía um documento que retrata como era a vida em Espanha em finais do século XVIII.

Duas cartas, escritas à mão, amareladas devido à idade, escondiam-se no interior. Datavam de 1777 e estavam assinadas por Joaquín Mínguez, um capelão da catedral de Burgo de Osma.

Nas suas cartas, Mínguez ilustra um cenário da atividade económica e cultural do dia a dia da região. Em primeiro lugar, o capelão refere que a estátua foi criada por um homem chamado Manuel Bal, que criou outras estátuas de madeira para igrejas da região. Em seguida, descreve as colheitas de sucesso de vários cereais como trigo, centeio, aveia e cevada e armazéns de vinho.

Mínguez também refere doenças como a febre tifoide que assolou a aldeia durante este período de tempo mas acrescenta que cartas e bolas eram utilizadas como forma de entretenimento.

Além da vida na aldeia, Mínguez descreve pormenorizadamente o clima político vivido no país. Refere que o Rei Carlos III estava no trono e que a corte espanhola estava em Madrid. A carta inclui também uma menção da mortífera Inquisição Espanhola, que vigorou de 1478 a 1834.

A natureza geral e abrangente das cartas de Mínguez significam que, provavelmente, pretendeu que as mesmas funcionassem como uma espécie de cápsula do tempo para futuras gerações, disse o historiador Efren Arroyo ao jornal espanhol El Mundo. Arroyo acrescentou que é invulgar encontrar artefactos escondidos dentro de estátuas de igrejas.

Trata-se de uma das descobertas mais surpreendentes feitas pelo grupo de restauro, afirmam. A equipa, sediada em Madrid, já trabalhou previamente no restauro de pinturas antigas, estátuas e mobiliário antigo.

As cartas recuperadas foram enviadas para o Arcebispo de Burgos, onde serão arquivadas. Foi feita uma cópia e colocada novamente nas nádegas onde se encontravam, de forma a preservar a intenção de Mínguez.

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