História

Fogo Destrói Templo Peruano Milenar

Um mural de 4000 anos, o mais antigo conhecido no continente americano, foi alegadamente danificado por uma queimada sem controlo, feita num campo próximo. Segunda-feira, 2 Abril

Por Sarah Gibbens

Aquele que poderá ter sido um dos mais antigos murais conhecidos no continente americano foi destruído pelas chamas.

Recentemente, os meios de comunicação locais noticiaram que um fogo tinha danificado um mural com mais de 4000 anos. O fogo da tarde de domingo alastrou-se até ao templo, denominado Ventarrón, no vale Lambayeque, situado no norte do Peru, tendo destruído este sítio arqueológico.

Walter Alva, o diretor do Museu de Túmulos Reais de Sipán, disse aos jornalistas que cerca de 95% do local, incluindo o mural e diversos artefactos, foram danificados pelas chamas.

Numa publicação na sua página de Facebook, o arqueólogo Ignacio Alva Meneses, filhou de Walter, lamentou os quase 5000 anos de história que tinham sido engolidos pelas chamas. Alva filmou um vídeo no local que mostra chamas de um intenso vermelho-vivo a queimar os telhados que cobriam o local.

Os meios de comunicação locais noticiaram que, aquilo que não deveria ser mais do que uma queimada agrícola controlada, rapidamente fugiu ao controlo. A empresa agroindustrial Pomalco terá, alegadamente, ateado a queimada para destruir uma plantação de cana-de-açúcar. As queimadas são uma prática comum, usada para eliminar uma cultura antes da chegada da nova época de plantações. O ministro da cultura peruano irá investigar o fogo, bem como a extensão dos danos causados em Ventarrón.

Certas partes do templo foram saqueadas no início dos anos 90, mas os saqueadores não conseguiram encontrar a escadaria que conduzia ao templo. Quando esta foi descoberta, em 2017, tinha permanecido intacta durante praticamente quatro milénios. Este templo situa-se a cerca de 19 quilómetros do célebre sítio arqueológico peruano de Sipán, que, outrora, foi o epicentro cultural da civilização moche. Este povo viveu, sensivelmente, entre os séculos I e VIII na costa norte do Peru.

Contudo, a datação com carbono mostrou que Ventarrón precedia Sipán em cerca de 2000 anos. Numa entrevista de 2007 à National Geographic, Walter Alva declarou que a datação com carbono fazia dele o mais antigo mural conhecido das Américas.

Segundos os arqueólogos, vibrantes pigmentos amarelos, vermelhos e azuis pintados nos blocos de sedimento ribeirinho do mural, retratavam um veado capturado numa rede.

Quando foi descoberto, os investigadores comentaram que Ventarrón representava os primeiros estádios da formação de uma sociedade, à medida que estruturas mais complexas começavam a tomar forma. O local poderá ter sido um entreposto de troca entre diferentes sociedades, litorais e interiores, que se estavam a formar no Peru. Os esqueletos de papagaios e macacos ali encontrados poderão ser vestígios das trocas comerciais ou cerimónias ali efetuadas.

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