História

Reveladas Cavernas da Idade do Gelo Debaixo de Cidade no Canadá

As primeira salas do sistema de cavernas de Saint Léonard em Montreal foram encontradas em 1812 mas a descoberta de cavernas adicionais deixou os exploradores entusiasmados. Terça-feira, 23 Janeiro

Por Sarah Gibbens

O Parque Pio XII está no centro de Montreal, rodeado de ruas citadinas agitadas. Mas é o que está sob estas ruas que deixa os especialistas em cavernas e os residentes da cidade em alvoroço.

Uma nova rede de cavernas, que data da última Idade do Gelo da Terra, prolongando-se durante quase cerca de 213 metros, foi descoberta em outubro por Daniel Caron e Luc Le Blanc, dois espeleólogos (especialistas em cavernas). A descoberta só foi recentemente divulgada após garantida a segurança do local.

A 12 de outubro, Caron e Le Blanc estavam a explorar a já bem conhecida caverna de Saint Léonard, sob o Parque Pio XII. A parte original da caverna tinha sido descoberta em 1812 mas os especialistas em cavernas há muito que especulavam o que mais poderia estar escondido.

No entanto, para a grande maioria da cidade de Montreal, a grande rede escondida sob a cidade era desconhecida.

"Escavaram esgotos e fizeram caves mas nunca ninguém a tinha visto", afirmou Le Blanc sobre a rede de cavernas.

Caron e Le Blanc decidiram explorar o seu palpite em 2014, quando começaram a prática de espeleologia nas cavernas de Saint Léonard em busca de novas passagens.

Le Blanc, munido de um novo kit de radiolocalização e Caron, utilizando uma vara de radiestesia, procuraram cavidades ou sinais de água no outro lado das paredes das cavernas. Em 2015, encontraram uma pequena abertura estreita nas traseiras de uma caverna. Utilizando uma pequena câmara, o colega espeleólogo François Gelinas conseguiu espreitar pela abertura, onde viram uma grande sala imediatamente por trás da parede.

Apesar de ansiosos por rebentar a parede, só conseguiram chegar ao local quase dois anos mais tarde. As paredes das cavernas em Saint Léonard são feitas de calcário sólido e abrir uma passagem exigia o recurso a perfuradoras com força industrial.

Mas quando passaram, entraram para uma grande sala, desceram a uma grande altura e entraram num corredor longo e estreito.

"As paredes são perfeitamente lisas e o teto perfeitamente horizontal", afirmou Le Blanc. Estimaram que o teto tivesse cerca de 6 metros de altura. Para além das paredes em calcário liso que alinhavam a caverna, estalagmites e estalactites podem ser encontradas por toda a passagem.

De acordo com a Sociedade Espeleológica do Quebeque, à qual ambos os homens pertencem, um centímetro de estalagmite demora cerca de mil anos a crescer.

Encontrar cavernas a altas latitudes é menos comum do que procurar cavernas perto do Equador. A maioria forma-se ao longo do tempo, quando a água dissolve a rocha , mas as temperaturas frias do Quebeque tornam a água menos ácida e, como tal, atrasam o processo de criação das cavernas, afirmou Le Blanc.

As cavernas de Saint Léonard foram então criadas maioritariamente por glaciares que estavam a recuar. Durante a última Idade do Gelo, que terminou há cerca de 10 mil anos, o gelo teria coberto grande parte da América do Norte. Nas dezenas de milhares de anos em que o gelo esteve a recuar, os glaciares que recuavam rapidamente criaram fissuras no terreno.

"Temos provas de existirem maçanetas de um lado que encaixam perfeitamente num orifício na parede (oposta)", afirmou Le Blanc, descrevendo os lados paralelos das paredes, como peças de um puzzle.

Segundo Caron, os confins mais remotos da caverna atingem, eventualmente, o lençol freático de Montreal, onde existe também um aquífero.

Até agora, Caron e Le Blanc conseguiram estimar que a passagem com cerca de 3 metros de largura estende-se por cerca de 213 metros. A água que surgiu nos locais mais remotos da caverna parou a sua exploração mas a dupla planeia regressar em fevereiro, quando a água recuar.

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