História

Conheça o Interior do Túmulo de uma Mulher Egípcia de Alto Estatuto

Foi descoberto nos arredores do Cairo um túmulo com 4000 anos e gravuras inusitadas de macacos. Quinta-feira, 15 Fevereiro

Por Erika Engelhaupt

Um conjunto de arqueólogos descobriu o túmulo abundantemente decorado de uma sacerdotisa do antigo Egito, que nos dá um raro vislumbre da vida das mulheres de elevado estatuto de há mais de 4000 anos.

O túmulo pertence a Hetpet, que foi sacerdotisa de Hator, deusa da fertilidade, música e dança. Embora as sacerdotisas não fossem comuns no antigo Egito, entre os membros do clero de Hator havia várias mulheres.

Esta constitui-se como a primeira descoberta arqueológica do ano, anunciou o Ministro das Antiguidades Khaled El-Enany, numa conferência de imprensa que teve lugar em Gizé no sábado.

De acordo com a AFP, no interior do túmulo, o nome e os títulos honoríficos de Hetpet estão gravados numa pia de purificação. Além disso, o túmulo está decorado com pinturas extraordinariamente bem preservadas, entre as quais a de Hetpet em cenas de caça e de pesca e descrições de pessoas a fundir metal, a trabalhar em curtumes e a dançar.

Entre as pinturas, contam-se cenas pouco habituais de macacos, que, na época, eram mantidos como animais estimação. Uma das figuras mostra um macaco a colher fruta e a transportar um cesto e outra mostra um macaco a dançar em frente de uma orquestra. Segundo o jornal egípcio al Ahram só tinha sido encontrada um pintura com um macaco a dançar antes desta descoberta: trata-se do túmulo  de Kal-ber, em Sacará, que mostrava um macaco a dançar em frente a um guitarrista no século XII.

Hetpet viveu durante a Quinta Dinastia do Egito, um período de prosperidade conhecido como Antigo Império. Foi a grande era de construção de pirâmides, dominada pelos faraós, que mandaram edificar uma grande quantidade de templos e palácios.

O nome desta sacerdotisa apareceu pela primeira vez em antiguidades desenterradas no local em 1909 e enviadas para a Alemanha. Por sua vez, o túmulo foi escavado apenas em 2017, mais de um século depois, por uma equipa liderada por Mostafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.

A equipa espera fazer mais descobertas à medida que continua a escavar o local, afirmou Waziri em declarações aos jornalistas em Gizé.

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