Impressionantes Gravuras Rupestres Retratam a Caça à Baleia

As pinturas coincidem com artefactos históricos, que sugerem que os caçadores partiam em pequenos barcos, com arpões improvisados.

Sunday, February 25, 2018,
Por Sarah Gibbens
Pintura rupestre retrata uma caça à baleia
Uma imagem na ravina de Izcuña retrata uma caça à baleia.
Fotografia de Benjamin Ballester

Usando arpões improvisados e jangadas, um caçador trespassa uma baleia de grandes dimensões.

Terá sido uma grata refeição para os caçadores-recoletores que viviam numa das regiões mais secas do planeta, o deserto de Atacama, no Chile, há 1500 anos.

A ocasião, e outras como esta, foram imortalizadas por artistas da antiguidade, há quase 1500 anos. No vermelho-vivo destas gravuras rupestres, pintadas com óxido de ferro, ainda se pode observar a ancestral tradição da caça. Segundo os arqueológos, encontram-se representadas baleias, espadartes, leões-marinhos e tubarões.

Um novo estudo, publicado na revista científica Antiquity, sublinha a importância crucial da caça marítima para os caçadores-recoletores nesta época, e como a arte rupestre conta a sua história emocionante.

AS PRIMEIRAS DESCOBERTAS

Nesta parte do Chile, as gravuras rupestres foram inicialmente descobertas pelos antropólogos no início do século XX. Encaixado entre o oceano e deserto, encontramos o vale de El Médano, onde foi catalogada a primeira pintura rupestre nesta região. Durante mais de mil anos, a existência das gravuras rupestres era conhecida apenas pelos paposo, o povo que ali habitava.

Este novo estudo centra-se na arte rupestre que se encontra vários quilómetros a norte de El Médano, num local denominado Izcuña. Todavia, as pinturas deste período são, geralmente, designadas por arte de El Médano.

Foram encontradas mais de 300 imagens. Muitas das gravuras representam peixes, embora as armas e as jangadas não tenham sido esquecidas.
Fotografia de Benjamin Ballester

Novas pinturas

Na ravina de Izcuña, foram descobertas 328 pinturas diferentes em 24 blocos de rocha separados. Muitas delas encontravam-se degradadas pela humidade trazida pelas camanchacas, uma neblina densa que se forma sobre a costa chilena e se move para o interior do país. Porém, uma quantidade apreciável das gravuras encontravam-se bem preservadas, o que permitiu classificá-las como arte de El Médano.

As pinturas mais comuns mostram a silhueta de peixes de grandes dimensões. Outras imagens mostram cenas de caça, com jangadas e armas. Os animais terrestres também estão presentes, mas é muito mais raro encontrar representações de animais marinhos em gravuras rupestres.

O autor do estudo, Benjamin Ballester, salienta que os peixes ou as baleias são sempre representados com um tamanho superior ao dos caçadores e das suas jangadas, o que faz da presa um adversário temível.

“Na globalidade, a caça é representada como uma prática especializada, solitária e individual, sendo conduzida apenas por alguns eleitos”, assinala o estudo.

Uma economia marítima

Mais do que apenas arte, estas imagens ilustram a evidência arqueológica de que a caça marítima era um aspeto essencial desta sociedade.

Em escavações anteriores, os arqueólogos tinham descoberto arpões improvisados, feitos a partir de varas de madeira de três metros, e com flechas amovíveis, algumas das quais com 7000 anos.

Ballester diz que, ao ver os artefactos e as pinturas como um todo, os arqueólogos poderão ter uma melhor perceção de como era a vida desses povos ancestrais no Chile.

"[As caçadas] marítimas eram um dos principais elementos da sua subsistência, embora eles também fossem excelentes pescadores e marisqueiros”, refere.

“A partir dos seus povoados costeiros, estas gentes participavam ativamente em redes de troca de grande escala, com comunidades agro-pastoris dos vales do interior e dos oásis de Atacama, em particular, trocando peixe seco por bens manufaturados.”

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