Rinoceronte Lanudo Extinto Reconstruído a Partir de Restos Mortais Mumificados

Batizado de "Sasha", os restos mortais deste espécime foram localizados pela primeira vez em 2015 mas só recentemente é que foram divulgados.

Publicado 1/02/2018, 21:55 WET, Atualizado 5/11/2020, 06:02 WET
Rinoceronte Lanudo Extinto Reconstruído
Os cientistas ficaram surpreendidos por descobrirem que o pelo de Sasha exibia uma tonalidade ligeiramente avermelhada.
Fotografia de Anastasia Loginova, The Siberian Times

Foi batizado de Sasha após o caçador que o encontrou.

Os cientistas russos não sabem ao certo se Sasha, de 10 mil anos de idade, era macho ou fêmea, mas o nome, afirmam, é universal.

O facto de qualquer parte de Sasha, o rinoceronte lanudo da Idade do Gelo, estar sequer intacta tem sido um achado surpreendente para os investigadores que estudam este período extinto.

Ao contrário dos mamutes lanudos, que também viveram durante a Idade do Gelo, é raro encontrar restos mortais do rinoceronte lanudo. A sua posição na cronologia evolucionária é menos clara. E o seu estilo de vida - a sua alimentação e duração de vida - são factos vagos.

RECONSTRUIR SASHA

Em dezembro do ano passado, uma equipa de cientistas do Instituto Paleontológico da Academia Russa de Ciências e da Academia Sakha de Ciências no nordeste da Rússia, agarrou nos pequenos restos mortais de Sasha e deu-lhes vida.

Os restos mortais, cinzentos no momento da descoberta, foram limpos. Os cientistas ficaram surpreendidos por constatar que o jovem rinoceronte tinha originalmente pelo de tom ruivo claro. Uma análise feita aos dentes de Sasha revelou que o animal tinha cerca de sete meses quando morreu.

O facto de ser tão jovem foi uma surpresa para os cientistas, como reporta o Siberian Times. Sasha era grande para a sua idade. Mede quase 1,50 m de comprimento e cerca de 76 cm de altura. Os rinocerontes modernos em África só costumam atingir esse tamanho por volta dos 18 meses de idade.

Os restos mortais foram inicialmente encontrados em 2015 por um caçador na Sibéria.
Fotografia de Sakha Academy of Sciences, The Siberian Times
Sasha tem quase 1,50 m de comprimento, muito mais do que os rinocerontes modernos aos 7 meses de idade.
Fotografia de Sakha Academy of Sciences , The Siberian Times

Olga Potapova é cientista na Mammoth Site of Hot Springs Dacota do Sul, uma organização de preservação e investigação. O seu trabalho tem se centrado em grandes mamíferos extintos da Idade do Gelo e está presentemente investigar Sasha, apesar de afirmar que ainda não pode revelar muito.

Sasha está a ser atualmente estudado por uma equipa de cientistas internacionais orientada pela Academia Russa de Ciências.

O que a cientista pode afirmar é o facto do achado ser tão importante para os cientistas poderem compreender este período. Já foram encontrados vários fragmentos de rinocerontes lanudos, como dentes e ossos, mas Sasha é o único exemplar mumificado de um rinoceronte bebé desta espécie, Coelodonta antiquitatis.

"Este achado permitirá aos cientistas esclarecer as diferentes facetas da biologia e morfologia do rinoceronte lanudo", afirma. Isto é, irão conseguir saber como se desenvolvia, o que comia e como diferia dos rinocerontes modernos.

A morte de Sasha e o facto de estar tão bem preservado, tal ainda permanece um mistério.

"Nós [cientistas de paleontologia e geologia] acreditamos que sabemos muito sobre a última Idade do Gelo em geral e sobre os animais que habitavam a mesma, mas, na verdade, ainda mal abordámos este mundo extinto", afirma Potapova.

PISTAS SOBRE A ÚLTIMA IDADE DO GELO

Os restos mortais foram inicialmente encontrados em 2015 no revestimento de permafrost das margens na Sibéria. O permafrost, tal como o nome indica, refere-se ao solo que está permanentemente congelado durante mais de dois anos consecutivos mas, na Sibéria, refere-se apenas ao solo que está congelado há milhares de anos.

A região é o único habitat conhecido do rinoceronte lanudo. Um dos grandes mistérios associados a esta espécie é o facto de não ter atravessado a Ponte de Bering, afirma Potapova. Refere-se a uma ponte terrestre que poderá, outrora, ter ligado o nordeste da Rússia e o Alasca.

Acredita-se que mamutes lanudos, bisontes-das-estepes, renas e outras espécies possam ter passado esta ponte durante o Plistoceno. Mas a dúvida reside nas adaptações particulares que os rinocerontes lanudos tiveram de fazer para sobreviver neste clima.

UM FINAL MISTERIOSO

Os cientistas têm algumas teorias relativamente ao que deu origem à extinção do rinoceronte lanudo, mas nenhuma explicação concreta.

Um estudo publicado em agosto do ano passado sugeriu que poderão ter-se extinguido devido a uma anomalia genética. Uma análise aos seus restos mortais fossilizados revelou que muitos incluem uma costela cervical, uma condição associada a malformações congénitas. O estudo sugere que a consanguinidade poderá, portanto, ter sido determinante para o seu declínio.

Por sua vez, Potapova indicou duas teorias que explicam a extinção da espécie.

A primeira teoria defende que as alterações climáticas influenciaram os hábitos alimentares dos herbívoros o que, por sua vez, deu origem à extinção de grandes carnívoros como os leões-das-cavernas e os dentes-de-sabre.

A segunda teoria defende que foram mortos pelos humanos.

"Investigação recente do ADN antigo de muitos herbívoros extintos revelou que as populações diminuíram e que o seu fundo genético degenerou-se muito antes da presença humana nestes dois continentes", afirma, sugerindo que a primeira teoria é a mais provável.

Os restos mortais de Sasha, a nível individual, não podem dizer aos cientistas o porquê da extinção da espécie, mas Potapova afirma que se trata de uma importante peça de um puzzle maior associado a esta espécie.

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